Flores, 2022
João Bernardi (Brasil, 1953)
aquarela sobre papel
Vaso com flores, 1990
Milan Horvat (Sérbia-Brasil, 1946)
óleo sobre tela, 73 x 50 cm
Flores, 2022
João Bernardi (Brasil, 1953)
aquarela sobre papel
Vaso com flores, 1990
Milan Horvat (Sérbia-Brasil, 1946)
óleo sobre tela, 73 x 50 cm
Guilherme de Almeida
Eu te guardo no fundo da memória,
como guardo, num livro, aquela flor
que marca a tua delicada história,
Branca de Neve, meu primeiro amor.
Amei-te… E amei-te, figurinha aluada,
porque nunca exististe e porque sei
que o sonho é tudo — e tudo mais é nada…
E és o primeiro sonho que sonhei.
Hoje ainda beijo, comovido e tonto,
a velha mão que um dia me mostrou
aquela estampa do teu lindo conto,
princesinha encantada de Perrault!
Que fui eu afinal? — Um pobre louco
que andou, na vida, procurando em vão
sua Branca de Neve que era um pouco
do sonho e um pouco de recordação…
Procurei-a. Meus olhos esperaram
vê-la passar com flores e galões,
tal qual passaste quando te levaram,
no ataúde de vidro, os sete anões.
E encontrei a Saudade: ia alva e leve
na urna do passado que, afinal,
é como o teu caixão, Branca de Neve:
é um ataúde todo de cristal.
E parecia morta: mas vivia.
Corado do meu beijo que a roçou,
despertei-a do sono em que dormia,
como o Príncipe Azul te despertou.
Sinto-me agora mais criança ainda
do que naqueles tempos em que li
a tua história mentirosa e linda;
pois quase chego a acreditar em ti.
É que o meu caso (estranha extravagância!)
é a tua história sem tirar nem pôr…
E esta velhice é uma segunda infância,
Branca de Neve, meu primeiro amor.
Em: Encantamento, Guilherme de Almeida, São Paulo, Editora Nacional:1952
Paisagem de Marechal Hermes,1999
Carlos Haraldo Sörensen (Brasil,1928 – 2008)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Esse filme cujo cartaz coloquei acima, conhecido no Brasil como Um estranho casal, e os programas de televisão por ele gerados, com os personagens, Felix Unger e Oscar Madison [Tony Randall e Jack Klugman] e mais tarde na variante da série Frasier, estrelada por Kelsey Grammer (Dr. Frasier Crane. e seu irmão David Hyde Pierce, como Dr. Niles Frasier) foram as primeiras imagens que chegaram à minha mente quando soube que em 1946 os escritores e cronistas brasileiros, Rubem Braga e Paulo Mendes Campos dividiram um apartamento à Rua Júlio de Castilhos, Posto 6, em Copacabana.
Reza a lenda que nos dias da semana os dois escritores e cronistas iam à cidade juntos. Será? Lá, se dedicavam à escrita, onde davam expediente na redação dos jornais para onde escreviam.
Vendedor de Frutas, 1925
Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)
óleo sobre tela, 108 x 84 cm
Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro
Baiana
Ivan da Silva Moraes (Brasil, 1936-2003)
óleo sobre tela, 99 x 81 cm
Bonbon
Maria Rivans (Inglaterra, contemporânea)
colagem e posterior gravura
As colagens e gravuras de Maria Rivans, artista plástica contemporânea, inglesa têm me fascinado desde que conheci seu trabalho. Gosto da combinação de arte pop, e outras levas do passado. A obra de Rivans está enraizada na tradição estabelecida por Andy Wahrol. Como ele, ela retrata celebridades, principalmente de atrizes de Hollywood de décadas passadas, famosas por filmes clássicos, como são as colagens e gravuras: acima, retratando Sofia Loren, ou a abaixo, retratando Elizabeth Taylor.
Kailani
Maria Rivans (Inglaterra, contemporânea)
colagem e posterior gravura
Maria Rivans explora também a colagem com raízes no próprio movimento pop inglês, iniciado pelo IG Grupo Independente, em Londres em 1952. O que lembra o trabalho dessa época, é a semelhança com as colagens de Richard Hamilton, nas figuras aparentemente sem conexão, soltas em proporções diversas. Esse trabalho de colagem do grupo inglês foi um passo além das obras inspirados pelos primeiros surrealistas, como Max Ernst, famoso por suas novelas colagem.
O que faz nossas casas hoje tão diferentes e sedutoras?, 1956
[Just what is it that makes today’s homes so different, so appealing?]
Richard Hamilton (Inglaterra, 1922-2011)
Colagem
Museu de Arte, Tubingen, Alemanha
Prestando atenção aos adornos de cabelos nas colagens de Maria Rivans dá para notar imagens de tamanhos diferentes, aparentemente sem relacionamento umas com as outras, mas caprichosas nas escolhas.
Lily
Maria Rivans (Inglaterra, contemporânea)
colagem e posterior gravura
Além dessas deliciosas referências a diversas etapas de movimentos artísticos do século XX, Maria Rivans também faz um belo aceno à arte Rococó do século XVIII. Talvez por pintar a ‘nobreza’ Hollywoodiana, ela também tenha querido dar um ar nostálgico, frívolo e de belas cortesãs às beldades retratadas ao nos lembrar do grande volume e das intrincadas construções das perucas usadas na corte de Maria Antonieta.

É sempre gratificante ver como os artistas se colocam no contexto das artes. Maria Rivans está aqui nos dizendo: “Olhem só, sou do século XXI, estou usando técnicas e abordagens de minha época, mas minha arte está enraizada numa sequência de conhecimentos adquiridos através dos tempos.”
Judy
Maria Rivans (Inglaterra, contemporânea)
colagem e posterior gravura
Lavadeiras no rio, 1918
Alípio Dutra (Brasil, 1892-1964)
óleo sobre tela, 36 x 74 cm
Lavadeiras, 1969
Homero Massena (Brasil,1886-1974)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Lavadeiras
Dario Mecatti (Itália-Brasil, 1909-1976)
Óleo sobre tela, 70 X 80 cm