Em três dimensões: Manabu Mabe

27 09 2025

Abraço, 1995

[escultura comemorativa da Amizade entre o Brasil e o Japão]

Manabu Mabe (Japão-Brasil, 1924-1997)

Granito rosa, 2 m de altura

Praça do Japão, Curitiba, Paraná

“A escultura é composta de dois círculos representando as bandeiras dos países amigos de longa data. Abaixo, o mar que divide as regiões. No outro lado, a vogal I simboliza a inovação que perpassa a relação entre ambos.”





Trova do luar

26 09 2025
Ilustração: Marie Honor Myers

 

 

A brisa afasta a cortina,

e uma nesga de luar, 

fugindo à fria neblina,

vem aos meus pés se abrigar.

 

(Dorothy Jansson Moretti)

 

 





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

26 09 2025

Ilha de Paquetá, 1975

Lia Mittarakis (Brasil, 1934-1998)

óleo sobre tela, 69 x 58 cm





Palavras para lembrar: Castro Alves

25 09 2025

Menina lendo

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre tela, 65 x 90 cm

 

Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma
É chuva – que faz o mar.”

 

Castro Alves

 

Nota: Esse é um sexteto do longo poema O Livro e a América





Reflexões de bar… trecho, Fernando Aramburu

25 09 2025

Jovem bebendo, c. 1580

Annibale Carracci (Itália, 1560-1609)

Universidade de Oxford, Inglaterra

[Essa obra foi roubada no dia 14 de março de 2020, não se conhece o paradeiro dela]

 

 

“… e ele bebe lentamente, saboreando, e esquadrinha a parede com um olhar tranquilo, em busca desta ou daquela sequência do seu passado. No ângulo formado pelas paredes e o teto, o pessoal da limpeza não tinha reparado em uma teia de aranha minúscula, perceptível apenas para um olho atento. Um restinho de gaze acinzentada sem a inquilina que a teceu. E nela ficou presa a lembrança do beijo de Arantxa. Que idade eu tinha? Vinte, 21 anos. E ela? Dois a menos. São coisas corriqueiras que acontecem nas festas do interior. O pessoal dança, bebe, sua, todo mundo se conhece; se você é jovem e surge na sua frente um par de seios, você os pega; se uns lábios chegam mais perto, você os beija. Ninharias, migalhas que o esquecimento devora, o que não impede que, de repente, olhando a teia de aranha, a memória de Xabier as resgate. É antes do serviço militar e ele estuda medicina em Pamplona. Tem fama de sem sal, de formal, de fechado em si mesmo; enfim, do que ele é realmente, um homem sério de verdade, sendo bem objetivo. Amigos? A velha turma de sempre, antes que os sucessivos casamentos a desagregassem. Não é bebedor nem fumante nem glutão nem esportista nem andarilho; mas, apesar de tudo isso, todos o apreciam porque faz parte da paisagem humana do lugar, frequentou o colégio com os outros, é o Xabier, tão da vila quanto o balcão da prefeitura ou as tílias da praça. Dá a impressão de que o futuro está à sua espera de braços abertos. É alto e boa-pinta, mas, ainda assim, nunca tem uma paquera. Sensato demais, tímido demais? Segundo seus conhecidos, deve ser algo assim. Toma um gole de conhaque sem tirar os olhos da teiazinha de aranha. Mas por que sorriu? É que achou engraçado lembrar esse episódio. Em uma lateral da praça arde a fogueira de são João. As ruas estão apinhadas de gente. Crianças correm, brilham caras felizes, línguas lambem sorvetes, vizinhos desinibidos conversam aos gritos de uma calçada para a outra. Calor.”

 

Em: Pátria, Fernando Aramburu, tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht, 2016





Tua pulseira, poesia de Adherbal de Carvalho

24 09 2025
Tua pulseira

 

Adherbal de Carvalho

(1869-1915)

 

(A uma moça que me põe uma pulseira no braço)

 

Tenho beijado esta pulseira olente,

Cheia de amor e cheia de magia!

Aperto-a ao coração constantemente,

Como um sinal da tua simpatia!

 

Os elos, que se prendem nos meus braços,

Creio que têm um pouco de tua alma;

Alma subtil, voando nos espaços,

Alma de amor, que o meu delírio acalma!

 

Constantemente, eu a tateio a medo

E com caricia levo-a ao meu ouvido,

Afim de ver se encerra algum segredo

Que o teu amor acaso haja escondido!

 

E, no entanto, é tão fria, tão pacata,

Como o metal argênteo de que é feita!

Não há nada tão frio como a prata,

Ou como este aro que o meu braço enfeita.

 

Apesar d’isso, sei-a amar, querida,

E quero-a tanto como a ti desejo;

Pois vejo n’ela a minha e a tua vida,

O nosso amor entrelaçando um beijo!

 

Em: Efêmeras, Adherbal de Carvalho, 1894.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

24 09 2025

Sem título [Natureza morta]

Durval Pereira (Brasil, 1918- 1984)

óleo sobre tela,  74 x 92 cm

 

 

Peixes e bowl chinês, década de 1940

Evilásio Lopes (Brasil, 1917 – 2013)

óleo sobre tela, 48 x 58 cm





Os livros finalistas do Booker de 2025!

23 09 2025

 

 

De todos os prêmios nacionais e internacionais, o de que mais gosto, ou melhor, aquele com que tenho melhor afinidade, ano após ano, é o Booker.  Os juízes são diferentes a cada ano, mas os finalistas têm sempre sido um grupo de livros que leio com prazer, mesmo quando o vencedor do prêmio não me satisfaz tanto quanto esperado.  Sempre encontro entre os finalistas algo que me fascina.  Por isso presto atenção a esse prêmio mais do que a qualquer outro. 

 

Andrew Miller entrou com The Land in Winter, que ainda não está traduzido para o português.  Mas há traduções de seus outros livros: Casanova, Puro e O insensível.  É tentador conhecê-lo de imediato. 

Susan Choi, americana, que é autora diversos livros, não tem nenhum deles traduzido para o português.  Flashlight é a obra com que foi selecionada.

David Szalay, inglês, é outro com grande produção, diversos livros publicados mas nenhum em português. Ele conseguiu estar entre os finalistas com Flesh.

Kiran Desai, indiana, é autora bem conhecida.  Encontrei dois títulos dela em português: O legado da perda (Com o qual ganhou o prêmio Booker, em 2006) e Rebuliço no pomar das goiabeiras, que parece estar esgotado. Sua obra escolhida foi The Loneliness of Sonia and Sunny

Ben (Benjamin) Markovits, americano, é um conhecido escritor, também sem obras no traduzidas aqui no Brasil. The Rest of Our Lives foi o livro selecionado para finalista. 

Katie Kitamura, americana, é conhecida entre os brasileiros pelo Uma separação. No entanto, o título selecionado para finalista do prêmio é Audition.

Logo, logo alguns desses aparecerão nas livrarias daqui.  Mas. se puderem, podem também ler qualquer um desses em inglês, aproveitando para treinar a língua. 





Nossas cidades: Porto Alegre

23 09 2025

Ponte de Pedra, 1922

 Francis Pelichek (Tchéquia-Brasil, 1896-1937)

aqurela sobre papel, 29 x 42 cm

Coleção Rolf Zelmanowiz, POA 





Eu, pintor: Marcellin Gilbert Desboutin

22 09 2025

Autorretrato

Marcellin Gilbert Desboutin (França, 1823-1902)

Óleo sobre tela, 35 x 25 cm

Coleção Particular

A título de curiosidade: há um retrato de Marcellin Gilbert Desboutin, por Édouard Manet, no MASP [Museu de Arte de São Paulo, que coloco aqui abaixo:

 

 

Retrato de Marcellin Gilbert Desboutin, 1875

Édouard Manet (França, 1832-1883)

óleo sobre tela, 191 x 128 cm

MASP, São Paulo