Em casa: Guillermo Marti Ceballos

15 12 2024

Senhora com quadro de Matisse, 2008

Guillermo Marti Ceballos (Espanha, 1958)

óleo sobre tela





É Natal no Papalivros!

15 12 2024

Hoje foi a festa de fim de ano do Grupo de Leitura Papalivros.  Foi a 21ª reunião de Natal.  Ainda que ao longo destes anos o grupo tenha mudado de perfil, há cinco membros que pertencem ao primeiro ano de leituras.   Este é um ótimo histórico.  Crescemos juntas nesses anos e continuamos firmes.  Leitoras que se divertem e têm opiniões.  Que 2025 nos traga muitas alegrias, bons livros, grandes oportunidades, muitas viagens pessoais e imaginárias através de nossas leituras!  Obrigada meninas.  Três de vocês não puderam participar, mas estaremos juntas de novo para mais um ano de aventuras!

Aos curiosos: há uma página neste blog, ali, no canto direito. clique em PAPALIVROS e vocês verão todos os livros que lemos nesses vinte e um anos!





Flores para um sábado perfeito!

14 12 2024

Vaso com Flores

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)

óleo sobre tela, 60 x 50 cm

 

 

 

Vaso com Flores, 1979

Francisco Rebolo (Brasil, 1902-1980)

aquarela, 33 x 24 cm





Rio de sol, de céu, de mar…

13 12 2024

Ribeira, Ilha do Governador, 1964

Luzia Chiarelli (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 36 x 53 cm.





Presentes? Pequenos livros…

12 12 2024

 

 

Não sei se as pessoas andam com pouco tempo, mas algumas chegaram a me contatar, lá por volta de setembro, para que eu desse algumas dicas de bons livros que fossem curtos.  Inicialmente pensei em livros com 250 ou menos páginas.  Fiz um pequeno apanhado.  Mas isso levou a mais pedidos de livros de menores tamanhos, quase contos.

Selecionei alguns que tinha aqui em casa.  Como essas conversas haviam sido através do meu Instagram, [@escritora.ladycewest] fiz alguns sete vídeos.  Tive sucesso.  Na verdade mais sucesso do que imaginei.  Mas foram poucos os vídeos. Depois de uma vasta pesquisa, agora tenho aproximadamente uma série de uns setenta livros.  Esses colocarei no Instagram e aqui no blog a partir de 2025.  E colocarei minhas opiniões sobre eles.

Mas hoje, aproveitando que o Natal se aproxima, resolvi colocar aqui aqueles livros que já mencionei que são pequenos e de excelente qualidade.  Não cheguei a colocar todos os vídeos no blog.  Francamente sou muito sem experiência digital e isso tudo, que as pessoas parecem fazer brincando, para mim, leva muito tempo.

Já tenho uma poesia por dia no meu Instagram.  Se vocês quiserem ver é o mesmo Insta daí de cima.  Mas essa exposição ainda não faz parte de mim.  Ainda não gosto.  Sei que tenho que mudar.  Nós todos temos.  Mas não é fácil.  Aqui  vai então a lista dos livros de que já falei anteriormente.

 

 

 

 

1 –  O papel de parede amarelo, Charlotte Perkins Gilman, Editora José Olympio, 112 páginas

 

O papel de parede amarelo  é um clássico da literatura feminista publicado pela primeira vez no Brasil.

Para tratar a esposa fragilizada, um médico aluga uma fazenda histórica, na tentativa de criar ali um retiro de recuperação emocional. O lugar é encantador, com uma bela mansão colonial e jardins amplos e sombreados. Tudo parece compor o cenário perfeito. Mas algo de muito estranho se passa naquela casa… especialmente no quarto em que o casal se instala, com o sombrio papel de parede amarelo.

Desde sua publicação, em 1892, o drama narrado por Charlotte Perkins Gilman tem sido categorizado como uma narrativa de aberração mental, uma história de terror ao estilo de Edgar Allan Poe ― não só pela temática, mas pela qualidade textual. Os críticos contemporâneos observam, no entanto, que O papel de parede amarelo apresenta elementos que vão além da fantasia ou do delírio, fazendo com que este livro, como afirma Elaine R. Hedges, no posfácio à presente edição, seja “um dos raros textos literários de uma autora do século XIX que confrontam diretamente a política sexual das relações homem–mulher, marido–esposa”. Talvez seja esse o motivo pelo qual o texto original tenha sido rejeitado por alguns editores até sua publicação na New England Magazine .

O fato é que a autora, grande intelectual feminista e professora, que atinge seu ápice literário neste conto, foi responsável por uma produção extremamente relevante de textos não ficcionais sobre a condição da mulher em seu tempo. Por ter vivido sob depressão durante um período e haver recebido tratamento psicológico duvidoso, é possível perceber elementos autobiográficos na história que temos em mãos. Quando nos aproximamos da personagem feminina de O papel de parede amarelo , uma mulher deprimida e submetida a um tratamento impositivo e infantilizador, percebemos que a incômoda estranheza sentida por ela tem suas causas em algo além da casa e das aberrantes visões despertadas pelo papel de parede amarelo. E o estranho, como observou Freud, é aquilo que nos é mais familiar.

 

2 – A casa de papel, Carlos Maria Dominguez, Editora Francis, 104 páginas

Na primavera de 1998, Bluma Lennon, uma professora de Cambridge, está lendo um livro de poemas de Emily Dickinson quando é atropelada. Após a sua morte, um colega e ex-amante recebe um exemplar de A linha da sombra, de Joseph Conrad, em que Bluma escrevera uma misteriosa dedicatória e que lhe era agora devolvido. Intrigado, ele parte numa busca que o leva a Buenos Aires com o objetivo de procurar pistas sobre a identidade e o destino de um obscuro, mas dedicado bibliófilo e a sua intrigante ligação com Bluma. A casa de papel é uma fábula sedutora sobre o amor desmesurado pelas bibliotecas e pela literatura. Uma envolvente intriga policial e metafísica que envolve o leitor numa viagem de descoberta e deslumbramento perante os estranhos vínculos entre a realidade e a ficção.

3 – O fuzil de caça, Yasushi Inoue, Editora Estação Liberdade, 112 páginas

No Japão, o período do pós-guerra trouxe definitivamente à tona toda sorte de questões que mantiveram caráter de tabu durante tanto tempo, numa tradição secular de silêncio e discrição. Isso faz com que o enredo de O fuzil de caça, cujos personagens estão enleados em um caso de amor extraconjugal, não constitua por si só uma novidade ou um fator de estranhamento. É também na forma, e não apenas em sua temática, que a obra se consolida como fundamental no panorama da literatura japonesa contemporânea.

Lançando mão da tradição do romance epistolar, convida o leitor à posição de voyeur de uma comunicação unilateral e inusitada entre um caçador, Josuke Misugi, e um escritor. Três cartas, endereçadas a um mesmo homem por três mulheres diferentes, imprimem uma textura trágica à trama.

O jogo de narradores; as cartas como único veículo para a torrente de alta tensão emocional que se revela ao leitor; o exercício constante da concisão e o lirismo que transpira de uma prosa que se mantém sempre vizinha do território poético: a estética e o conteúdo se entrelaçam, e o entrecho se apresenta belo como uma trilha na neve. Ao mesmo tempo, o equilíbrio entre o que é dito e o que é velado mantém o mundo da solidão presente em cada linha e constante em todos os personagens. Permeiam estas páginas o isolamento e a carência de franqueza nas relações humanas, que as cartas reveladas por Misugi tentam romper e atravessar.

4 – Não é um rio, Selva Almada, Editora Todavia, 96 páginas

Com sua prosa precisa e econômica, a argentina Selva Almada é uma das vozes mais originais da literatura de língua espanhola contemporânea. Seu universo também é peculiar: a autora não fala da cosmopolita Buenos Aires. Seu ambiente é o mundo interiorano, onde vilarejos quase esquecidos no mapa abundam em histórias em que a violência, os laços familiares e velhos costumes ainda são decisivos. É o caso deste novo romance, um livro que trata da amizade e seus segredos. Durante uma pescaria entre três homens, a complexidade com que se forjam os afetos é revelada como o próprio curso de um rio. Enero Rey e Negro levam Tilo, o filho adolescente de Eusébio (o amigo morto dos dois), para pescar. Enquanto bebem vinho, cozinham, falam e dançam, eles lutam com os fantasmas do passado e do presente. Esse momento íntimo e peculiar que conecta a trajetória desses três homens também os liga à vida dos habitantes locais nesse ambiente cercado de água e regido por suas próprias leis. Há perdas e mortes prematuras. Mas há também a teimosa vitalidade da natureza: um matagal coberto de árvores centenárias, animais, pássaros; o rio trazendo vida nas suas entranhas; as gentes nascidas e criadas nessa paisagem que a protegem com unhas e dentes contra os intrusos. Humano, mas ao mesmo tempo animal e vegetal, este romance flui como uma conversa entre seres que se amam.

5 – Todas as manhãs do mundo, Pascal Quignard, Editora Zain, 96 páginas

Século XVII, à época do rei Luís XIV, um aclamado mestre da viola da gamba, o senhor de Sainte Colombe, vive para a música. Homem de poucas palavras, de constantes ataques de cólera, dedica-se incansavelmente ao seu instrumento, isolado em sua cabana. Desde a morte da esposa, para quem compusera em homenagem o Túmulo dos lamentos, vivia sozinho com as duas filhas, a quem ensinara a música desde muito cedo. Recebe, certo dia, a visita de um jovem músico de dezessete anos, o senhor Marin Marais, que deseja estudar com o mestre e aprender os segredos da viola da gamba. Estes dois músicos com visões opostas de mundo refletem sobre a vida e a arte em uma trama brilhante na qual ficção e realidade se misturam neste que é um dos mais conhecidos livros de Pascal Quignard.

6 – O último amigo, Tahar Ben Jelloun, Editora Bertrand, 128 páginas

Escrito em estilo direto e claro, O Último Amigo é também um retrato cruel do Marrocos dos anos de repressão e das desilusões que se seguiram. Além dessa paisagem humana e política, e até a reviravolta final, O Último Amigo deixa entrever uma sociedade complexa e contraditória, arcaica e moderna. Mesmo quando se é exilado do Marrocos, volta-se lá para morrer.

7 –  O Carrasco que era santo, Josué Montello, Editora Nova Fronteira, 102 páginas

Com a morte do carrasco, o rei ordena que Ludgero assuma o cargo. Inconformado com a pena de morte, ele e seu amigo Libório armam um plano de fuga para os condenados. Lenda medieval narrada por uma contadora de histórias, que diverte e ao mesmo tempo provoca sérias reflexões.

Já estou me preparando para postagens o ano inteiro sobre livros pequenos.  Aguardem.





Trabalhando em todas as frentes…

12 12 2024
Escritora Lenah Oswaldo Cruz, eu, Ladyce West, advogada Jairene Camilo, escritora Nancy de Souza, leitora e jornalista Thereza Pessanha e escritora Nadyr Carvalho.  Ausente, escritora Tana Moreano.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

11 12 2024

Natureza morta

Roberto Burle Marx (Brasil,1909 -1994)

óleo sobre tela 43 x 50 cm

Natureza morta,1969

Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)

aquarela sobre papel, 33 x 25 cm.

 
 
Nota

Ocasionalmente recebo um email com pedidos para descrições dos quadros que coloco aqui.  Vou ver se consigo, de vez em quando, colocar uma notinha.  Nem sempre tenho tempo.  Essas coisas requerem muita atenção.  Comecei a fazer pares das Naturezas Mortas, (duas obras por dia) tanto de flores quanto de legumes e frutos, porque tenho uma enorme quantidade de fotografias dessas obras e por mais que eu me dedicasse ao blog eu jamais conseguiria usar tudo que tenho.

Minhas escolhas são do momento.  Como me sinto naquele dia, naquela hora. Mas quando coloco duas obras juntas como essas de hoje, tenho alguns parâmetros para a escolha. 

O primeiro parâmetro é meu gosto.  Sou fã incondicional desses dois pintores brasileiros: Aldo Bonadei e Roberto Burle Marx.  Herdeiros diretos do cubismo sincrético, tiveram tempo, coragem e habilidade de usar a multi perspectiva do cubismo para desenvolverem um estilo próprio, único, reconhecível a dez quilômetros de distância.  Às vezes a gente encontra uma obra do início de carreira que ainda não chegou ao que mais tarde associamos ao estilo de cada um, mas invariavelmente há algo que já os destaca do resto.

Por vezes escolho as telas pelos tons usados, pelos objetos retratados. 

Minha ideia original neste blog foi dar mais abertura à arte brasileira;  não sou contra a arte abstrata como muitos imaginam, não sou não.  Mas há dezesseis anos quando comecei este blog, sempre postando arte brasileira, a intenção era de trazer ao conhecimento de quem aqui entrasse da tradição em que mesmo uma obra abstrata se apoia.  Eu ia a galerias de arte e só encontrava arte abstrata.  As obras figurativas eram pobres e repetitivas.  Muita ênfase no naïf. Fiquei, verdadeiramente abismada, de saber, lá há vinte anos atrás,  que a arte figurativa não era nem ensinada em algumas escolas de belas artes.  Como assim? 

Enfim, por causa de minhas preferências, e todos nós temos nossas preferências, tenho que ter muito cuidado em não repetir sempre os mesmos artistas.  Hoje aqui ficam dois dos meu favoritos do século XX;





Resenha: Kentukis, de Samanta Schweblin

11 12 2024

Brinquedos de férias

Valentina Valevskaya (Ucrânia, contemporânea)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

 

 

Cheguei à escritora argentina Samanta Schweblin por Kentukis, tradução de Guilherme Pires, [ed. Fósforo] por este livro ter sido incluído na primeira seleção de finalistas do Booker Internacional, em 2020.  Mais tarde descobri que a obra também havia sido nomeada como melhor ficção científica de 2020, por diversos críticos internacionais, como relata o início da sinopse da Amazon:  A Guardian & Observer Best Fiction Book of 2020 * A Sunday Times Best Science Fiction Book of the Year * The Times Best Science Fiction Books of the Year * NPR Best Books of the Year.  Com toda essa retumbante aprovação, muitos diriam que eu estava pronta para ser desapontada.  Não exatamente.  Mas tenho alguns problemas com a narrativa. A proposta é astuta, o tema é interessante e do momento.  Combina avanços tecnológicos em robótica com o uso das redes sociais. E em sua narrativa retrata o imediatismo e falta de continuidade a que nos habituamos com os clipes nos diversos portais de interação pessoal.

A história gira em torno de robôs comandados à distância, disfarçados de animaizinhos de pelúcia que se tornam companheiros de quem os compra.  Seus olhos são câmeras e por intermédio de pessoas que os dirigem, a milhares de quilômetros de distância, como se dirige um drone, eles podem se relacionar com seus mestres (donos).  Podem servir de companheiros, semelhantes a um animal de estimação. mas que precisam de recarga na bateria.  Eles podem causar problemas inesperados também aos seus donos.  Chamados kentukis, ele são vendidos como companheiros-brinquedos e rapidamente fazem sucesso no mundo inteiro.

Agora existiam aqueles aparelhos por todos os lados, tantos que até seu pai parecia começar a entender do que se tratava. Estavam frequentemente no noticiário, retratados em reportagens de comportamento ou em histórias de fraudes, roubos e extorsões. Os usuários compartilhavam vídeos em todas as redes sociais, com suas invenções caseiras de kentukis presos a drones, montados em patinetes ou passando o aspirador pela casa. Tutoriais decorativos, conselhos pessoais, milagres de sobrevivência diante de acidentes insólitos. Um kentuki panda assustando um gato e fazendo-o saltar pelo ar. Um kentuki coruja com gorro natalino batendo em sete taças com a ponta do nariz e fazendo soar uma canção de Natal.

 

 

 

O projeto de Samanta Schweblin é ambicioso. Em sua narrativa seguimos diversos kentukis, comprados com diferentes propósitos, vivendo em várias partes do mundo, dirigidos por pouquíssimas pessoas. Para nos dar a ideia desta imensa variedade de experiências dos kentukis e da profusão de personalidades de seus donos, a sequência narrativa é picada, em stacatto, não tem continuidade. Temos uma colcha de retalhos, flashes de vidas cujos personagens não conhecemos e só iremos conhecer aos poucos. São pequenos contos inacabados, que mais tarde, ao acaso, voltamos a visitar.  Essa técnica engenhosa nos ajuda na compreensão da multiplicidade de aventuras dos robô-drones e no entendimento da variada localização desses brinquedos – da Alemanha à Amazonia, por exemplo. Mas torna difícil para o leitor seguir as ‘aventuras’ sem ter que voltar atrás algumas páginas para se conectar uma vez mais com os personagens: daquela casa, daquela cidade, daquele país.  Esses relatos das vidas dos kentukis e a sequência de aventuras independentes espelha os pequenos vídeos, pedaços das vidas de pessoas que não conhecemos, em situações que podem ou não ser comprometedoras, que podem ou não ser agradáveis, qua aparecem em um feed de qualquer das populares redes sociais.

Além de retratar a multiplicidade de realidades encontradas pelos kentukis, Samanta Schweblin insere observações de alerta sobre o perigo de abrirmos nossas vidas a esses dispositivos de conexão social.  Logo no início um dos personagens reflete: Não se podia contar com o bom senso das pessoas, e ter um kentuki circulando por aí era a mesma coisa que dar as chaves da sua casa a um desconhecido.” E sobre a necessidade de haver alguma regulamentação das novas engenhocas que vieram fazer parte do nosso cotidiano.

 

 

 

Samanta Schweblin

Por se tratar de literatura, sinto que a interação dos personagens com os kentukis poderia ser um tantinho mais desenvolvida.  Mas, no todo, o livro cobre a vida das pessoas comuns e a imensa necessidade humana de companheirismo.  Esses personagens que observamos pelos olhos dos kentukis são solitários: mal conhecem seus amantes, amigos ou familiares.  Isso não escapa ao leitor.  Acompanhamos, as preocupações da autora quando percebemos que vivemos num período de transição entre uma vida com privacidade e a, atual, quase sem ela, onde podemos ser reconhecidos por câmeras de segurança nas ruas de qualquer região urbana, identificados entrando e saindo de aeroportos, edifícios, estacionamentos, shoppings, calçadas movimentadas, elevadores comerciais, transportes coletivos.   E mais, o livro aborda a imensa curiosidade humana sobe a vida alheia, que sempre existiu, mas que hoje tem a aprovação de todos.  Essa história aborda também necessidade de muitos de exibirem aquilo que os rodeia ou faz parte de suas vidas.  Essa aceitação à vigilância sobre o outro, que tomou conta das televisões abertas no mundo inteiro, desde a virada do século vinte e um, é a essência dessa obra.  Atrás de cada kentuki há um ser humano atraído por alguém, qualquer alguém, porque ele não escolhe quem o compra,  que então observa, sem a expectativa de interferir naquela realidade.  Isso nem sempre acontece, mas quando acontece os resultados são imprevistos.   Kentukis é um livro que retrata exatamente  essa “descoberta” do século: a sedução que temos pela vida alheia:”O que era aquela estúpida ideia dos kentukis? O que fazia toda aquela gente circulando por pisos de casas alheias, olhando como a outra metade da humanidade escovava os dentes?”   A descoberta de que a vida cotidiana, sem nada extraordinário, banal é chocante: “Por que as histórias eram tão pequenas, tão minuciosamente íntimas, mesquinhas e previsíveis? Tão desesperadamente humanas.

Kentukis coloca esse espelho à nossa frente para vermos o que como sociedade estamos desenvolvendo, as regras que deixamos para trás e permitimos o novo, sem regulamentação. O mundo anda depressa.  Será que sabemos nos comportar quando há tanta coisa nova? Há um personagem nessa história que diz: ou você se moderniza ou a vida te atropela”.  É um bom sumário do espírito dos tempos.

Se você gosta de ficção científica com crítica social, na tradição de Huxley ou Orwell, bem leve, este livro lhe agradará.  Recomendo.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Flash!

10 12 2024
Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana.





Trova de Natal

10 12 2024

Que na Árvore de Natal
viceje a fraternidade,
e cada enfeite, afinal
seja um fruto de amizade!

 

(Arthur Francisco Baptista)