Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

18 09 2024

Natureza morta, 1952

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)

óleo sobre tela, 37 x 46 cm

 

 

 

Jarro, planta e frutas, 1962

Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)

óleo sobre tela, 60 x 72 cm

 





Imagem de leitura: Harold Knight

18 09 2024

A mesa do café da manhã, 1927

Harold Knight (Inglaterra, 1874-1961)

óleo sobre tela,  46 x 46 cm





Trova do Don Juan

17 09 2024
Ilustração Arthur Sanoff.

 

 

“Don Juan” de última laia,

o meu amigo Amaral

namora até minissaia

pendurada no varal…

 

 

(Calixto de Magalhães)





Nossas cidades: Curitiba

17 09 2024

Parque Barigui, Curitiba, 1981

Celso Coppio (Brasil,1952)

óleo sobre eucatex, 40 x 50cm





Soneto LXXII, de Paula Brito

16 09 2024
Ilustração de Walter Crane, 1878

 

 

Soneto LXXII

 

Paula Brito

 

“Quem pode ver-te sem querer amar-te!
Quem pode amar-te sem morrer de amores!…
(Maciel Monteiro)

 

 

Amo-te… e de te amar não me arrependo,

Bem que seja este amor, amor perdido!

Oh! se nunca te houve conhecido,

No fogo, em que ardo, não vivera ardendo!

 

Vejo o que fazes, e estou nisso vendo

Rasgos de amor de um coração ferido!

Também amei, também tenho sofrido,

Amo também,  também estou sofrendo!…

 

Não me queixo de ti, não, certamente;

O teu futuro, por teu mal, te obriga

Ao penoso martírio do presente!

 

Aqui tens a razão que a ti me liga:

“Se te sigo, me pedes que me ausente;

Se me ausento, me pedes que te siga!…”

 

 

Em: Poesias, Francisco de Paula Brito, Rio de Janeiro, 1863, edição digitalizada, Biblioteca Nacional.

PS: atualizei ao máximo a ortografia que já mudou muito nestes últimos 150 anos.





Voltando para casa de ônibus, texto de Oscar Nakasato

16 09 2024
Anúncio dos pneus GoodYear Airfoam, 1944.

 

 

 

“No ônibus, Satoshi tentava esvaziar a mente para buscar o sono. Quando percebeu que não conseguiria dormir, retornou a poltrona para uma posição com menor inclinação, abriu uma fresta da cortina e passou quase todo o trajeto , de pouco mais de nove horas, observando o que era possível na madrugada de quase lua cheia. Com a cabeça reclinada no encosto da poltrona, via a paisagem noturna obliquamente. Os morros distantes eram manchas escuras, e deles se viam apenas os contornos delineados em função do firmamento clareado pela lua. As árvores mais próximas surgiam e desapareciam na velocidade controlada pelo pé do motorista. As imagens imediatas eram mais visíveis, mas a cada instante eram consumidas pelo movimento do ônibus e do tempo, enquanto a paisagem distante, teimava em suas retinas insistindo em ficar.” […]

 

 

Em: Ojiichan, Oscar Nakasato, São Paulo: Fósforo, 2024.





Em casa: Fernando Botero

15 09 2024

Mulher bebendo, 1999

Fernando Botero (Colômbia, 1932-2023)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

 





Imagem de leitura: Alexandra Djokic

15 09 2024

Jovem com livro

Alexandra Djokic (Sérvia, 1970)

acrílica sobre papel, 42 x 30 cm





Flores para um sábado perfeito!

14 09 2024

Flores, 2022

João Bernardi (Brasil, 1953)

aquarela sobre papel

 

 

 

Vaso com flores, 1990

Milan Horvat (Sérbia-Brasil, 1946)

óleo sobre tela, 73 x 50 cm





Branca de Neve, poesia de Guilherme de Almeida

14 09 2024
Branca de Neve, ilustração de Nancy Ekholm Burkett

 

 

Branca de Neve

 

Guilherme de Almeida

 

Eu te guardo no fundo da memória,
como guardo, num livro, aquela flor
que marca a tua delicada história,
Branca de Neve, meu primeiro amor.

Amei-te… E amei-te, figurinha aluada,
porque nunca exististe e porque sei
que o sonho é tudo — e tudo mais é nada…
E és o primeiro sonho que sonhei.

Hoje ainda beijo, comovido e tonto,
a velha mão que um dia me mostrou
aquela estampa do teu lindo conto,
princesinha encantada de Perrault!

Que fui eu afinal? — Um pobre louco
que andou, na vida, procurando em vão
sua Branca de Neve que era um pouco
do sonho e um pouco de recordação…

Procurei-a. Meus olhos esperaram
vê-la passar com flores e galões,
tal qual passaste quando te levaram,
no ataúde de vidro, os sete anões.

E encontrei a Saudade: ia alva e leve
na urna do passado que, afinal,
é como o teu caixão, Branca de Neve:
é um ataúde todo de cristal.

E parecia morta: mas vivia.
Corado do meu beijo que a roçou,
despertei-a do sono em que dormia,
como o Príncipe Azul te despertou.

Sinto-me agora mais criança ainda
do que naqueles tempos em que li
a tua história mentirosa e linda;
pois quase chego a acreditar em ti.

É que o meu caso (estranha extravagância!)
é a tua história sem tirar nem pôr…
E esta velhice é uma segunda infância,
Branca de Neve, meu primeiro amor.


Em: Encantamento, Guilherme de Almeida,  São Paulo, Editora Nacional:1952