Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

25 05 2022

Cesto com romãs

Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867-1939)

óleo sobre tela, 28 x 36 cm





A enxadinha, poesia infantil de Faria Neto

24 05 2022
Ilustração de Rudolf Koivu (Finlândia, 1890–1946)



A enxadinha

Faria Neto

Minha enxadinha

trabalha bem;

corta matinhos

num vai-e-vem.

Minha enxadinha

vai descansar

para amanhã

recomeçar.

Adeus, rocinha!

Adeus, trabalho!

A vós, plantinhas

o doce orvalho.





Curiosidade literária

23 05 2022

Garotos lendo, 2006

Sue Lynn Cotton (EUA, contemporânea)

O primeiro livro de ficção totalmente escrito numa máquina de escrever, foi As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, publicado em 1876.

Fonte:  Autobiografia,  Mark Twain, 1904.





Em casa: Catherine Nolin

22 05 2022

Album de fotografias

Catherine Nolin (EUA, contemporânea)

gravura





Domingo, um passeio no campo!

22 05 2022

Paisagem com rio

Georges Wambach (Bélgica – Brasil, 1901 – 1965)

óleo sobre tela, 50 x 65 cm





Meus favoritos: Edmond Jean de Pury

21 05 2022

No poço, 1911

Edmond Jean de Pury (Suíça, 1845-1911)

óleo sobre tela, 128 x 74 cm





Flores para um sábado perfeito!

21 05 2022

Vaso com rosas, 1960

Oscar Crusius (Brasil, 1906 – 1991)

óleo sobre placa, 50 x 60 cm





Sublinhando…

20 05 2022

Moça lendo, 1970

Cecil Crosley Bell (EUA, 1906-1970)

óleo sobre madeira, 35 x 25 cm

“Podemos viver num erro contínuo, crer que temos uma vida compreensível, estável e apreensível, e descobrimos que tudo é inseguro, pantanoso, sem direção, sem pé em terra firme; ou tudo é uma representação, como se nos achássemos no teatro, convencidos de estarmos na realidade e nos déssemos conta de que se apagavam as luzes e se levantava a cortina e de que, além disso, estávamos no palco, e não em cima nem embaixo entre os espectadores, ou na tela de um  cinema sem podermos sair, aprisionados no filme e obrigados a nos repetir a cada projeção, convertidos em celuloide e sem capacidade para alterar os fatos, o argumento, o projeto, nem o ponto de vista, nem a  luz, a história que alguém decidiu que fosse será sua para sempre como é.”

Em: Berta Isla, Javier Marías, Tradução Eduardo Brandão, São Paulo, Companhia das Letras: 2020, p. 206





Giovanni Sercambi

19 05 2022
Fac-símile do manuscrito de Giovanni Sercambi (1348-1424) contando a história de Luca.

 

Na postagem anterior mencionei o manuscrito de Sercambi.  Duas pessoas  me perguntaram sobre este autor.  Giovanni Sercambi era um apotecário, hoje mais comumente chamado farmacêutico, nascido no século XIV em Luca na Itália, cidade hoje talvez mais conhecida por ser o  berço de grandes compositores: Puccini, Boccherini e Catalani; quem não se lembra de La Wally de Catalani, cantada por Wilhelmenia Wiggins Fernandez, no filme Diva (1981)? 

Sercambi é conhecido principalmente por dois livros, mas  sabemos que se dedicou a outras obras, antes de falecer em 1424.  Contou a história da cidade de Luca, na Toscana, no manuscrito iluminado Crônicas da Cidade de Luca, que escreveu entre os anos de 1368 e 1424 quando morreu vítima da peste.

Foi autor também de um manuscrito inacabado contendo cento e cinquenta e cinco histórias, titulado Novelas. Neste livro demonstra ter sido bastante influenciado pelo Decamerão de Boccaccio, pois as histórias são contadas por pessoas que fugiram da peste. Pela similaridade, A novela de Astolfo, parece ter sido inspirada na história do Rei Shahriyar e de seu irmão Shah Zaman, encontrada nas Mil e uma noites.

Além disso tudo indica que o mestre dos contos medievais ingleses, Chaucer, autor dos Contos da Cantuária [Canterbury Tales] tivesse tido acesso pelo menos a uma versão inicial da obra de Sercambi.

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De roupas e identidade…

18 05 2022

Banho público, c. 1470                    

Facta et dicta memorabilia de Valerius Maximus (f. 244)

Staatsbibliothek, Berlín-Preussischer Kulturbesitz

 

 

“Uma das novelas de Sercambi põe em cena um peleteiro de Luca que,tendo-se dirigido ao banho público e se despojado de suas roupas, foi subitamente tomado de pânico à ideia de perder sua identidade na multidão anônima dos corpos. Coloca então sobre seu ombro direito uma cruz de palha e agarra-se a esse sinal como a uma boia; mas a cruz se desprende e desliza sobre seu vizinho, que dela se apodera: “Eu é que sou tu; desaparece, estás morto!” e o peleteiro decididamente desnorteado, está convencido de seu próprio trespasse.

O humor negro é uma constante de todas as épocas, como o homem sem qualidades, que a lógica do verbo basta para matar.  Mas  a fábula toscana tem sobretudo a virtude de lembrar a fragilidade das definições profissionais e do orgulho social num terreno e num meio em que o sucesso individual era exaltado de todas as maneiras. A identidade se perde com o  traje, porque o homem social é um homem vestido.”

 

Em: História da vida privada, 2: da Europa feudal à Renascença, organização de Georges Duby, tradução de Maria Lúcia Machado, São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p.560