Mulher jogando paciência
Louis Ritman (EUA, 1889 – 1963)
óleo sobre tela
Paula Brito
[ Fábula de Lachambeaudie]
Reina o estio. — No vale
Lânguida flor emurchece
E chama, p’ra socorrê-la
Uma nuvem, que aparece.
“Tu que do Aquilão nas asas
Vais pelo espaço a correr,
Vê que de calor me abraso,
Vem, não me deixes morrer.
“Com essas águas, que levas
A minha dor, refrigera.”
“— Tenho missão mais sagrada,
Agora não posso — espera.”
Disse e foi-se!… De abrasada
Cai e espira a flor tão bela:
Volta a nuvem e despeja
Quanta água tinha sobre ela…
Era tarde!…
MORALIDADE
Quase sempre
Quando um desditoso chora,
Rara vez no mundo encontra
Remédio ao mal que o devora;
Mas quando sucumbe ao peso
Da desgraça que o persegue,
Mudam-se as cenas — louvores
Então não há quem lhe negue.
Mas que vale esse aparato
Da verdade ou da impostura?
Nem lírios, nem goivos tiram
Os mortos da sepultura.
Em: O Espelho, revista de literatura, modas, indústria e artes, 4 de setembro de 1859, página 21.
Francisco de Paula Brito ( RJ 1809 – RJ 1861) – tipógrafo, editor, jornalista, escritor, poeta, dramaturgo, tradutor e letrista. Foi aprendiz na Tipografia Nacional. Trabalhou em seguida, em 1827 no Jornal do Comércio. Em 1831 passa a livreiro e editor com Tipografia Fluminense de Brito & Cia. Em 1833 lança o jornal O Homem de Cor, primeiro jornal brasileiro contra o preconceito racial. É na sua editora que se forma a “Sociedade Petalógica”, grupo de poetas, compositores, atores, líderes da sociedade, ministros de governo, senadores, jornalistas e médicos que “constituíam movimento romântico de 1840-60” Por outro lado, a tipografia de Paula Brito serviu também de ponto de encontro entre músicos populares [ Laurindo Rabello e Xisto Bahia, por exemplo] e poetas românticos. A combinação produziu muitas parcerias musicais, principalmente no gênero das modinhas, que serviriam de embrião para a música popular urbana, popular no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX.
Obras:
Anônimas, poesia, 1859
O triunfo dos indígenas, teatro, sd
Os sorvetes, teatro, sd
O fidalgo fanfarrão, teatro, sd
A revelação póstuma, conto, 1839
A mãe-irmã, conto, 1839
O Enjeitado, conto
A marmota na Corte, periódico humorístico, 1849
A Maxambomba, teatro
A mulher do Simplício, ou A fluminense exaltada, periódico humorístico, 1832
Ao dezenove de outubro de 1854, dia de S. Pedro de Alcântara, nome de S. M. o Sr. D. Pedro II, poesia
Biblioteca das senhoras, 1859
Elegia à morte de Evaristo Xavier da Veiga, poesia, 1837
Fábulas de Esopo para uso da mocidade, arranjadas em quadrinhas, poesia, 1857
Monumento à memória do brigadeiro Miguel de Frias Vasconcellos e de seu irmão Francisco de Paula, 1859
Norma, teatro, 1844
Oferenda aos brasileiros, sd
Os Puritanos, teatro 1845
Poesias de Francisco de Paula Brito, poesia, 1863
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Pierre Lachambeaudie (França, 1807 – 1872) foi um escritor de fábulas francês.

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Haverá edição em e-book em breve. Agradeço todos os contatos.
Livro lançado durante a pandemia do CORONA VIRUS no Rio de Janeiro. Não há como ter um volume autografado no momento. Não houve noite de autógrafos por causa das circunstâncias de saúde da cidade.
Caso precisem me contatar: ladyce@terra.com.br
GRATA!