
Jovem florentina, 1827
[Filha do pintor]
Henry Howard R.A.(GB, 1769 -1847)
Óleo sobre tela
Tate Gallery, Londres

Jovem florentina, 1827
[Filha do pintor]
Henry Howard R.A.(GB, 1769 -1847)
Óleo sobre tela
Tate Gallery, Londres
Nota cor-de-rosa: a pequena novela, 1883
James Abbott McNeill Whistler (EUA, 1834 – 1903)
aquarela sobre papel
Freer Gallery, Smithsonian Institution, Washington DC
Retrato, 1936
Adelaide Giannini (Itália, 1898 – ?)
pastel

Bananas e frutas cítricas em cesto, 1946
Arthur Kaufmann (Alemanha/Brasil, 1888 -1971)
óleo sobre tela, 40 x 51 cm
Batucada, 1935
Armando Vianna (Brasil, 1897 – 1992)
óleo sobre tela, 37 x 46 cm
Wilson W. Rodrigues
Tanta brancura na pele,
tanta negrura nos olhos,
tanta risada sonora
no mundo não há
fora do colo macio,
dos olhos tão envolventes,
da boquinha tão vermelha
de dona Sinhá.
Pegar com jeito no leque,
fazer mesura na valsa,
dizer adeus com o lenço
no mundo não há
como o jeito delicado,
o sapatinho de seda,
a mãozinha tão alva
de dona Sinhá.
Rezar, na igreja, sonhando,
dizer “não”, sempre sorrindo,
prometer tanto em silêncio
no mundo não há
como a reza mais sincera,
os lábios enganadores
e as promessas escondidas
de dona Sinhá.
Fingir chilique de choro,
zombar do próprio marido
e trair o próprio amante
no mundo não há
como as lágrimas fingidas,
os carinhos mentirosos
e os amores levianos
de dona Sinhá.
Em: Bahia Flor: poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949, pp. 51-55
Wilson Woodrow Rodrigues (São Salvador, BA, 1916 – ?), poeta, jornalista, folcorista, escritor, professor.
Obras
A caveirinha do preá, s/d
Desnovelando, s/d
O galo da campina,s/d
O pintainho, s/d
Por que a onça ficou pintada, s/d
A rãzinha,s/d
Três potes, s/d
O bicho-folha,s/d
A carapuça vermelha,s/d
Bahia flor, poesia, (1949)
Folclore Coreográfico do Brasil, (1953)
Contos, s/d
Contos do Rei-sol, s/d
Contos dos caminhos, s/d
Pai João, (1952)
Sombra de Deus, s/d
Lendas do Brasil, s/d
Figura de mulher, 1929
Ismael Nery (Brasil, 1900 -1934)
óleo sobre cartão, 38 x 46 cm
Galeria Almeida e Dale
“Maria Cândida, solteira, magra, sempre de enxaqueca com rubores súbitos, vivia a passar a mão sobre a cabeça dolorida. Certos dias colava nas venezianas um papel azul, para coar o sol e criar na sala da escola uma atmosfera opalina. Mas papel azul não podia ser obstáculo a que o sol de Itaporanga ferisse com sua violência a cabeça sensível da solteirona frágil, moça velha de peito murcho nas desesperanças do celibato. Maria Cândida, professora pública não ilustrada como Sá Limpa, professora particular. Sá Limpa “puxava” pelos meninos. “Mulher não precisa saber”, dizia no tempo a maioria dos pais. Mas o meu, querendo dar a Iaiá instrução melhor, andou procurando professora; veio uma de São Cristóvão, grandalhona, muito recomendada. Abriu aula na Praça do Mercado. Meninas das melhores famílias deixaram a escola pública para se matricular na dela. Viu-se logo, porém, que a recomendação não tinha fundamento. Num exemplo escandaloso, revelou-se-lhe a impreparação. Ensaiando as meninas para um recital, não se soube por que artes do demônio obrigou a que devia recitar o “Navio Negreiro” a pronunciar “albátros” em vez de albatroz, “albatroz, albatroz, águia do oceano”, dizia o poeta; albátros queria a professora que as meninas dissessem. Passava a esse tempo por Itaporanga Baltazar Góis, literato, professor do Liceu em Aracaju. Hospedado lá em casa, soube do fato. “É maluca… e escangalhou o decassílabo!” A história propagou-se; a professora encalistrou, raspou-se sem se despedir, deixando os trastes; reintegrou São Cristóvão onde talvez não fizessem questão da pronúncia do nome da ave.”
Em: História da minha infância, Gilberto Amado, Rio de Janeiro, José Olympio:1966, 3ª edição, pp. 68-9