Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

20 05 2020

 

 

CARLOS LEÃO, Natureza morta - Óleo sobre tela - 38x46 cm - ACID 1974 (Coleção do Professor e Dr. Luiz Fernando da Costa e Silva)Natureza morta, 1974

Carlos Leão (Brasil, 1906 -1983)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm





Saber viajar, texto de Francisco de Barros Júnior

20 05 2020

 

 

AGOSTINHO BATISTA DE FREITAS (1927-1997)Maria Fumaça na Paisagem Campestre, ost,. 1992. 50 x 71 cm.Maria fumaça na paisagem campestre, 1992

Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)

acrílica sobre tela, 50 x 71 cm

 

 

“É frequente ouvirmos alguém afirmar que só viaja à noite, por ser “muito pau” aguentar dez ou doze horas a olhar pelas janelas, sentados em bancos incômodos, sem ver nada de importância, a não serem pastos, matos e morros longínquos. É que esses cavalheiros são daqueles de quem falam as escrituras: “oculos habent sed non vident“. E deles tenho pena.

Para quem sabe ver, não há paisagens monótonas. Numa campina verdejante onde pasta o gado, nos rápidos segundos que durou a visão, se soubermos ver, notaremos se os bois estão gordos, qual a raça predominante, divertimo-nos com o bezerrinho assustado pelo treme instintivamente o nosso pensamento vai para a fazenda em que passamos a infância, ou visita à estância de amigos, e à nossa memória acodem episódios relacionados com o que acabamos de ver. A paisagem é desoladora, só pedras e mato ressequido, mas tem, no alto de um barranco ou encosta empedrada cortada a prumo, um coqueiro esguio, ou elegante ipê coroado de ouro e pensamos na linda fotografia que poderíamos tomar…

Até o repugnante quadro  de uma rês morta e centenas de urubus, a se banquetearem uns, outros infartados, empoleirados nas árvores, é tema para uma série de divagações. De que teria morrido? Cobra? Erva? E figuramos o vaqueiro que, tendo visto de longe os tétricos necrófagos adejando em círculo, esporeia o cavalo para verificar, pesaroso, a perda, e depois or ao patrão dar a triste notícia nesse tom de mágoa, que conhecemos quando um vaqueiro fala da perda de uma cabeça de gado.

E enquanto a nossa fantasia trabalha, os quilômetros são vencidos e os minutos se passam sem que tenhamos tempo para nos aborrecer.  Até na monotonia das travessias marítimas temos como nos distrair e ilustrar, vendo surgir as nuvens de peixes voadores, os numerosos  golfinhos que afloram à superfície como se nadassem rolando sobre si mesmos, as gaivotas que adejam à volta do navio, ou o inesperado jato d’água de alguma baleia longínqua. E essas cenas nos ficam na memória, servindo mais tarde para tornar mais agradável a nossa conversação.

Estas considerações vieram-me de começo, quando ia dizer-lhes que a nossa viagem S. Francisco abaixo ia decorrendo sem que sentíssemos passarem os dias.”

 

Em:  Caçando e pescando por todo o Brasil, 3ª série: no planalto mineiro, no São Francisco, na Bahia, de Francisco de Barros Júnior, São Paulo, Melhoramentos: s/d, pp. 139-140.

 

Francisco Carvalho de Barros Júnior (Campinas, 14 de dezembro de 1883 — 1969) foi um escritor e naturalista brasileiro que ganhou em 1961 o Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria de literatura infanto-juvenil.

Francisco Carvalho de Barros Júnior, patrono da cadeira n° 16 da Academia Jundiaiense de Letras, colaborou em vários jornais e revistas e é o autor da série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil, um relato de viagens pelo Brasil na primeira metade do século XX, descrevendo diversos aspectos das regiões visitadas (entre outros botânica, animais e populações caboclas e indígenas).

Obras:

Série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil

Primeira série: Brasil-Sul, 1945

Segunda Série: Mato Grosso Goiás, 1947

Terceira Série: Planalto Mineiro – o São Francisco e a Bahia, 1949

Quarta Série: Norte,  Nordeste,  Marajó, Grandes Lagos, o Madeira, o Mamoré, 1950

Quinta Série: Purus e Acre, 1952

Sexta Série: Araguaia e Tocantins, 1952

Tragédias Caboclas, 1955, contos

Três Garotos em Férias no Rio Tietê, 1951, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraná, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraguai, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Aquidauana, infanto-juvenil





Nossas cidades: Recife

19 05 2020

 

 

Joel Oliveira, (Brasil, contemp)Recife em Luz, ano 2013, 90X170cm, Óleo sobre TelaRecife em Luz, 2013

Joel Oliveira, (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 90 x 170cm





O escritor no museu: Mário de Andrade

18 05 2020

 

 

 

Mario de ANdrade por Portinari, 1935, ost, 73 x 60 cm,Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros - USP (São Paulo, SP)Mario de Andrade, 1935

Cândido Portinari ( Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm

Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros

USP (São Paulo, SP)





O relógio, poema de Jorge de Lima

17 05 2020

 

 

l27horlogedesapience28theclockofwisdom29fromabout1450O relógio do saber, século XV. — L’Horloge de Sapience (Bruxelles, Bibliothèque Royale , ms. IV 111

 

O relógio…

 

Jorge de Lima

 

Relógio, meu amigo, és a Vida em Segundos…

Consulto-te: um segundo!  E quem sabe se agora,

Como eu próprio, a pensar, pensará doutros mundos

Alma que filosofa e investiga e labora?

 

Há de a morte ceifar somas de moribundos.

O relógio trabalha… E um sorri e outro chora,

Nas cavernas, no mar ou nos antros profundos

Ou no abismo que assombra e que assusta e apavora…

 

Relógio, meu amigo, és o meu companheiro,

Que aos vencidos, aos réus, aos párias e ao morfético

Tem posturas de algoz e gestos de coveiro…

 

Relógio, meu amigo, as blasfêmias e a prece,

Tudo encerra o segundo, insólito — sintético:

A volúpia do beijo e a mágoa que enlouquece!

 

[A Instrução, Maceió, 1907]

 

Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. I, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974.p. 45





Minutos de sabedoria: Machado de Assis

17 05 2020

 

 

 

Birbee (Holanda, contemporânea)Mulher lendo com cachorroost, 40 x 50cm,wwwbirbee.nl.Mulher lendo com cachorro

Birbee (Holanda, contemporânea)

óleo sobre tela, 40 x 50cm

www. birbee.nl

 

“Não é a verdade que vence, é a convicção.”

Machado de Assis

 

 

Machado de AssisMachado de Assis (1839 – 1908)

 

 





Flores para um sábado perfeito!

16 05 2020

 

 

Sidney Mariano (Brasil, 1944) Vaso de Flores, Óleo e colagem sobre tela, 40x30cm , 1995Vaso de flores, 1995

Sidney Mariano (Brasil, 1944)

óleo e colagem sobre tela, 40x30cm





Rio de Janeiro, um parque à beira-mar

15 05 2020

 

 

WAMBACH, Georges (1902 - 1965) Alto da Boavista, o.s.t. - 60 x 110 cm. Ass. e dat 1947Alto da Boavista, 1947

Georges Wambach (Bélgica- Brasil, 1901 – 1965)

óleo sobre tela, 60 x 110 cm





O caminho do sertão, Hercules Florence, 1826

14 05 2020

 

 

Aurélio Zimmermann (Alemanha, 1854–1920)Bênção dos canhoões (Porto Feliz) Museu Paulista da USP, 1920, Óleo sobre tela, 101 x 134 cm Museu PaulistaBênção dos canoões (Porto Feliz), 1920

Aurélio Zimmermann (Alemanha, 1854–1920)

óleo sobre tela, 101 x 134 cm

Museu Paulista da USP

 

 

“Porto Feliz é uma cidadezinha assente na margem esquerda do Tietê, em terreno elevado e desigual. As casas são térreas e as ruas tortas, e não como as de Itu e Jundiaí. Estão tão mal calçadas que à noite é impossível das um passo sem muita cautela. A classe dos habitantes agrícolas a mais numerosa sem dúvida, não concorre a ela senão aos domingos e dias santos, de modo que só nessas ocasiões é que se vê alguma gente nas ruas.

Com o auxílio do cirurgião-mor pude sem demora achar os mestres construtores e operários de que precisava. Em três meses, pois, duas grandes canoas ficaram prontas. Em três meses, pois, duas grandes canoas ficaram prontas. Tinham cinco pés de çargo sobre cinquenta de comprimento e três e meio de profundidade, feitas de um tronco só de árvore, cavado e trabalhado por fora, de fundo chato e com pouca curvatura.  Esse fundo era de duas e meia polegadas de espessura, à qual ia diminuindo até à borda, onde não tinha mais de uma polegada. Uma larga faixa de madeira, pregada solidamente, guarnecia as duas bordas e bancos deixados no interior das canoas aumentavam-lhes a solidez, além de duas grandes travessas que concorriam para o mesmo fim. Estas embarcações, assim construídas, são muito pesadas: entretanto, embora fortes, não podem comumente resistir ao choque nos baixios, quando impelidas pela rapidez das águas.

Além de uma canoinha, de uso para caçadas e pescarias, arranjei um batelão que, como as duas canoas grandes, lavava uma barraca de pano verde armada à popa.

Não tive grande trabalho em contratar gente para as tripulações. Consegui um guia, e seu substituto, um piloto e dois ajudantes, três proeiros (homens que vigiam à proa) e dezoito remadores.

…………….

Acompanhados de Francisco Álvares, sua família, o capitão-mor e o juiz, dirigimo-nos para o porto, onde achamos o viário paramentado com suas vestes sacerdotais, a fim de abençoar a viagem, como é costume, e rodeado de grande número de pessoas que viera assistir ao nosso embarque. Os parentes e amigos se abraçavam, despedido-se uns dos outros.  Dissemos adeus à mulher e filha de Francisco Álvares e, como este amigo que quisera vir conosco até os últimos lugares povoados da margem do rio, tomamos lugar nas canoas.  Romperam então da cidade salvas de mosquetaria correspondidas pelos nossos remadores e, ao som desse alegre estampido, deixamos as praias, onde tive a felicidade de conhecer um amigo, de conviver com gente boa e afável e de passar vida simples e tranquila.”

 

Em: O caminho do sertão (Descendo o Tietê- 1826),  texto de Hércules Florence incluído no livro O planalto e os cafezais: São Paulo, seleção, introdução e notas de Ernani Silva Bruno, Organização de Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp-74-75.

 

NOTA: Hércules Florence, (França, 1804 – Brasil, 1879) participou como desenhista da expedição do Barão de Langsdorff, através das províncias de São Paulo, Mato Grosso e Pará, de 1825 a 1829.  O diário de Florence foi publicado, em português,  com o título de “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas”.

 





Trova dos livros

14 05 2020

 

 

stack of books, Diana LynnIlustração de Diana Lynn.

 

 

Os livros, bons companheiros,

eu bem sei, desde menino,

que são gurus verdadeiros,

decretando o meu destino.

 

(Marília Conceição S. Oliveira)