Treinando para ser escritor, texto de Paul Auster

21 01 2020

 

 

 

Merrie C. Ligon (EUA) O leitor, aquarela sobre papelO leitor

Merrie C. Ligon (EUA, contemporânea)

aquarela sobre papel

 

 

“Naqueles três anos como aluno do ensino médio nos subúrbios de Nova Jersey, Ferguson de dezesseis, dezessete e dezoito anos começou a escrever vinte e sete contos, terminou dezenove e passou não menos de uma hora por dia com o que chamava de seus cadernos de trabalho, que ia enchendo com diversos exercícios de escrita que inventava para si mesmo, a fim de manter a forma, afiar a pegada e tentar melhorar (como ele disse certa vez para Amy): descrições de objetos físicos, paisagens, céus no amanhecer, rostos humanos, animais, o efeito da luz na neve, o barulho da chuva no vidro, o cheiro de madeira queimada, a sensação de andar na neblina e ouvir o vento soprar entre os galhos das árvores; monólogos na voz de outras pessoas a fim de se transformar naquelas pessoas ou, pelo menos, tentar entendê-las melhor (o pai, a mãe, o padrasto, Amy, Noah, seus professores, seus colegas de colégio,o sr. e a sra Federman), mas também pessoas desconhecidas e mas distantes, como J. S. Bach, Franz Kafka, a garota do caixa do supermercado local, o cobrador da Companhia Ferroviária Erie Lackawanna, o mendigo barbado que lhe pediu um dólar na Grand Central Station; imitações de admirados, rigorosos, inimitáveis escritores do passado (pegue um paragrafo de Hawthorne, por exemplo, e componha algo baseado no seu modelo sintático, usando um verbo nos lugares onde ele usava um verbo, um substantivo nos lugares onde ele usava um substantivo, um adjetivo nos lugares onde ele usava um adjetivo — a fim de sentir o ritmo nos ossos, sentir como se forma a música); uma sequência curiosa de vinhetas geradas por trocadilhos, homonímias e deslocamento de uma letra: óleo/olho, luxo/luto, alma/lama; porto/morto e arroubos impetuosos de escrita automática, a fim de limpar o cérebro, toda vez que estiver se sentindo tolhido, como um jorro de escrita de quatro páginas inspirada pela palavra “nômade”, que começava assim: Não, eu não estou doido. Não estou nem zangado, mas me dê uma chance para desnortear você e num instante eu vou te deixar com os bolsos vazios. Também escreveu uma peça em um ato, que ele queimou de desgosto uma semana depois de terminar, e vinte e três poemas que estavam entre os mais nojentos que qualquer cidadão do Novo Mundo jamais viu e que ele rasgou depois de jurar para si mesmo que nunca mais ia escrever poemas. No geral, detestava o que escrevia.  No geral, achava que era burro e sem talento e que jamais conseguiria escrever nada, mesmo assim insistia, se esforçava a se dedicar àquilo todos os dias, apesar dos resultados muitas vezes decepcionantes, entendia que não haveria esperança para ele, a menos que persistisse, que para ser o escritor que almejava levaria anos, mais anos do que seu próprio corpo levaria para terminar de crescer, e toda vez que escrevia algo que parecia ligeiramente menos ruim do que o texto que tinha escrito antes, Ferguson achava que estava progredindo, ainda que o texto seguinte se revelasse uma abominação, pois a verdade era que ele não tinha opção, estava destinado a fazer aquilo ou então morrer, porque, apesar de seus esforços e de seu descontentamento com as coisas mortas que muitas vezes saíam dele, fazer aquilo lhe dava a sensação de estar vivo, mais do que qualquer outra coisa que já tinha feito na vida, e quando as palavras começavam a cantar em seus ouvidos e ele se sentava diante da escrivaninha e empunhava a caneta ou colocava os dedos nas teclas da máquina de escrever, sentia-se nu, nu e exposto ao vasto mundo que passava em disparada na sua frente, e nada dava uma sensação melhor do que isso, nada podia se equiparar à sensação de desaparecer de si mesmo e entrar no vasto mundo cantarolando, por dentro, as palavras que cantarolava, no interior de sua cabeça.”

 

Em: 4321, Paul Auster, tradução de Rubens Figueiredo, Cia das Letras: 2018, páginas 431-432

 

 





Em três dimensões: Lorenzo Quinn

20 01 2020

 

 

e6538d445eaddedb67b8fe5fe4019d7bMãos de apoio, gigantes, 2017

Lorenzo Quinn (Itália, 1966)

Escultura de apoio ao tratamento do meio-ambiente, em particular à elevação do nível do mar em Veneza.  Infelizmente essa escultura foi retirada deste local, em 2018.

 

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São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro

20 01 2020

 

 

 

Djanira São Sebastião, ost, 1966, 73 x 59 cmSão Sebastião, 1966

Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)

óleo sobre tela, 73 x 59 cm

 

 

20 de janeiro, dia de São Sebastião: a cidade em festa!




Domingo, um passeio no campo!

19 01 2020

 

 

Antônio do Rosário - Carro de Boi - 40 x 60 cm - OST - Ass. CID e Dat. 2006Carro de boi, 2006

Antônio do Rosário (Brasil,)

óleo sobre tela, 40 x 60 cm





Palavras para lembrar: Imperador Juliano

18 01 2020

 

 

 

Agnolo Bronzino, Portrait of a Young Man with a Book. .Christie's Images Ltd 2012Retrato de jovem com livro

Agnolo Bronzino (Itália, 1503 – 1572)

[Il Bronzino]

óleo sobre madeira,  94 x 78 cm

 

 

“Uns gostam de cavalos, outros de animais selvagens: eu, desde a infância, fui tomado por um prodigioso desejo de comprar, de possuir livros.”

 

Imperador Juliano (330 – 363)





Flores para um sábado perfeito!

18 01 2020

 

 

 

Raquel Taraborelli (Brasil, 1957) Bouquet na janela, 1999, ost, 80x80cmBouquet na janela, 1999

Raquel Taraborelli (Brasil, 1957)

óleo sobre tela, 80 x 80cm





Rio de Janeiro, um parque à beira-mar

17 01 2020

 

 

 

Yvonne Visconti Cavalleiro, Paisagem,Óleo sobre tela,Assinado inferior esquerdo,61 X 46 cmPraça do Bairro do Peixoto ao fundo pedra do Inhangá Copacabana, década de 1950

Yvonne Visconti Cavalleiro (Brasil, 1901 – 1965)

óleo sobre tela, 61 x 53 cm





Cuidado, quebra! Frasco de peregrino

16 01 2020

 

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Frasco de peregrino, c. 1480-1489

Vidro Veneziano

31, 8 cm altura, 17,8 cm diâmetro, 11 cm corpo, 8,6 cm pé

Corning Museum of Glass,  Corning, Nova York

 

Este frasco (cantil) tem em seu corpo, esmaltado, o brasão de Albertino della Rovere, Bispo de Pesaro.





Gemas da arquitetura carioca: Palácio do Itamaraty

16 01 2020

 

 

11-4Espelho d’água do Palácio do Itamaraty, Rio de Janeiro

 

Construído entre 1851 e 1855 para residência de Francisco José da Rocha Leão, Conde de Itamaraty foi obra, no estilo ne0-clássico, do brasileiro José Maria Jacinto Rebelo, discípulo de Grandjean de Montigny e um dos principais arquitetos deste período.

Sua famosa imagem com um espelho d’água rodeado de palmeiras reais, abrigo de conhecido par de cisnes, é na verdade os fundos da construção oitocentista.

 

Palácio-do-Itamaraty-Rio-de-Janeiro-por-FulviubsasEntrada principal do Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

 

A fachada principal do prédio, localizado no centro da cidade, está na Avenida Marechal Floriano 196, na época chamada rua Larga de São Joaquim. O palacete abrigou originalmente a família do abastado comerciante de café e de pedras preciosas, Francisco José da Rocha (1806-1883), agraciado com título de Conde, filho do barão de Itamaraty. A construção, que é conhecida pela cor rosa clara com detalhes em branco, foi vendida ao governo republicano, tornando-se sede da Presidência da República 1889 a 1898.  Antes da virada do século passou a ser sede do Ministério das Relações Exteriores. Por sete décadas a diplomacia brasileira e o Palácio do Itamaraty foram associados em uma única imagem, por isso o termo Itamaraty s tornou-se  cognome oficial desse ministério.

 

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Tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional [IPHAN] em 1938 o palácio, hoje, é sede de representação do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro.  Também abriga  grandes acervos do Museu Histórico e Diplomático, do Arquivo Histórico e da Mapoteca.

 

 





Imagem de leitura — Carmo Soá

16 01 2020

 

 

 

Carmo Soá - Apaixonada Por Manet Óleo s tela - 81 x 65 cm - 2010.Apaixonada por Manet, 2010

Carmo Soá (Brasil, 1962)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm