Ilustração de Pierre Brissaud.
Guardar
Antonio Cícero
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.
por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
Por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
Em: Guardar: poemas escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2008, página 11
Natureza morta
Catedral de Belém, século XIX
Menina lendo
Raminou e jarro com flores, 1932
L’arbi e la Misse, 1927
Gato acomodado em frente a um buquê de flores, 1919
Vaca deitada no estábulo, 1921
Louson e Raminou, 1920
Minha honrada aos quatro anos,
Gato numa mesa
O cachorro, 1908
Estudo para um gato, 1918
Dois gatos, 1918
Jovem com gato, 1919
André Utter e seu cão, 1932
Raminou sentado na almofada azul
Jovem com caneta vermelha, 1993
Flor Bengala Doce Sorrel (
Paisagem com figuras
Latona e seus filhos: Apolo e Diana, 1870 esta versão, 1874
Floral



