Eu estava conversando com um amigo que me disse que não há grande tradição na arte religiosa brasileira sobre o Natal, mas há uma forte tradição (barroca precisamente ) sobre a Paixão de Cristo. Sobre isso, faço duas perguntas:
1) É de fato pobre, a arte religiosa brasileira sobre o Natal ? ( pinturas, presépios, etc…? ), ou apenas é pouco valorizada/conhecida ?
2 ) Essa forte tradição da arte sobre a Paixão, teria a ver com o espirito brasileiro, muito identificado com a dor e o sofrimento ? Aquela canção “eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel”.não seria um exemplo desse sentimento de frustração e sofrimento nacional ? )
Eduardo,
Primeiro desculpe-me levar dois dias para responder. Tenho tido um horário de aulas puxado e esta semana em particular tive outros compromissos, que mês tiraram do sério.
Primeiro deixe-me dizer que gostei do seu conto de Natal. Você é um ótimo observador dos detalhes do dia a dia e consegue transmiti-los sem cansar o leitor. Além disso, a história é muito bonita e fomenta reflexões. Parabéns!
Sobre a pintura: seu amigo tem razão. É uma questão cultural, ibérica. Na Espanha, por exemplo, as representações da Paixão são mais comuns. Mesmo as festividades folclóricas ou as grandes procissões são mais freqüentes quando relacionadas à Semana Santa. Portugal é um pouco diferente, mas ainda assim a ênfase não está no Natal. Os portugueses não são particularmente conhecidos por sua pintura. Tem bons pintores, mas essa não é a maneira pela qual se expressam. São melhores arquitetos certamente.
As nossas influências foram muitas e é difícil falar sobre todo o país. Sei que no NE há uma grande tradição dos presépios. Aqui no Rio de Janeiro já houve maior uso de presépios inclusive daqueles de cenas múltiplas que muitas igrejas armavam. Quando eu era criança havia uma igreja que nós freqüentávamos que tinha um gigantesco presépio, com mais de 100 figuras, mas hoje ela já não tem mais… Presépios são uma das maneiras de comemorar Natal preferidas pelos italianos, até hoje. Como há muita influência italiana em alguns estados é possível que eles estejam presentes em muitos lugares.
Mas voltando ao seu amigo. Acho que ele tem razão. Todos os pintores de maior nome, pintaram a Natividade. Principalmente aqueles pintores que fizeram parte da 1ª metade do século XX. Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Djanira, todos pintaram Natividade. Mas até mesmo o termo Natividade não é tão conhecido, assim, apesar de ser o termo preferido para a representação do nascimento de Jesus.
Temos que levar em conta também que contrário ao resto do mundo, o Brasil insiste em dar espaço aos pintores abstratos. Já há muitas décadas. E assim fica difícil.
Não tenho mais a dizer, infelizmente. Concordo com seu amigo. Mesmo aqui para o blog, tenho dificuldade de achar representações nas artes visuais de Natividades por artistas brasileiros. Quando acho salvo, guardo num pen-drive especial para uso na época do Natal.
Mas vou pensar mais a respeito. Um abraço
Feliz Natal, Ladyce ! <:)}
Obrigada Ricardo, para você e os seus também!
Ladyce, boa tarde…
Eu estava conversando com um amigo que me disse que não há grande tradição na arte religiosa brasileira sobre o Natal, mas há uma forte tradição (barroca precisamente ) sobre a Paixão de Cristo. Sobre isso, faço duas perguntas:
1) É de fato pobre, a arte religiosa brasileira sobre o Natal ? ( pinturas, presépios, etc…? ), ou apenas é pouco valorizada/conhecida ?
2 ) Essa forte tradição da arte sobre a Paixão, teria a ver com o espirito brasileiro, muito identificado com a dor e o sofrimento ? Aquela canção “eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel”.não seria um exemplo desse sentimento de frustração e sofrimento nacional ? )
Eduardo,
Primeiro desculpe-me levar dois dias para responder. Tenho tido um horário de aulas puxado e esta semana em particular tive outros compromissos, que mês tiraram do sério.
Primeiro deixe-me dizer que gostei do seu conto de Natal. Você é um ótimo observador dos detalhes do dia a dia e consegue transmiti-los sem cansar o leitor. Além disso, a história é muito bonita e fomenta reflexões. Parabéns!
Sobre a pintura: seu amigo tem razão. É uma questão cultural, ibérica. Na Espanha, por exemplo, as representações da Paixão são mais comuns. Mesmo as festividades folclóricas ou as grandes procissões são mais freqüentes quando relacionadas à Semana Santa. Portugal é um pouco diferente, mas ainda assim a ênfase não está no Natal. Os portugueses não são particularmente conhecidos por sua pintura. Tem bons pintores, mas essa não é a maneira pela qual se expressam. São melhores arquitetos certamente.
As nossas influências foram muitas e é difícil falar sobre todo o país. Sei que no NE há uma grande tradição dos presépios. Aqui no Rio de Janeiro já houve maior uso de presépios inclusive daqueles de cenas múltiplas que muitas igrejas armavam. Quando eu era criança havia uma igreja que nós freqüentávamos que tinha um gigantesco presépio, com mais de 100 figuras, mas hoje ela já não tem mais… Presépios são uma das maneiras de comemorar Natal preferidas pelos italianos, até hoje. Como há muita influência italiana em alguns estados é possível que eles estejam presentes em muitos lugares.
Mas voltando ao seu amigo. Acho que ele tem razão. Todos os pintores de maior nome, pintaram a Natividade. Principalmente aqueles pintores que fizeram parte da 1ª metade do século XX. Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Djanira, todos pintaram Natividade. Mas até mesmo o termo Natividade não é tão conhecido, assim, apesar de ser o termo preferido para a representação do nascimento de Jesus.
Temos que levar em conta também que contrário ao resto do mundo, o Brasil insiste em dar espaço aos pintores abstratos. Já há muitas décadas. E assim fica difícil.
Não tenho mais a dizer, infelizmente. Concordo com seu amigo. Mesmo aqui para o blog, tenho dificuldade de achar representações nas artes visuais de Natividades por artistas brasileiros. Quando acho salvo, guardo num pen-drive especial para uso na época do Natal.
Mas vou pensar mais a respeito. Um abraço