Quadrinha da vida passando

18 10 2013

jovem lendo Joseph Christian LeyendeckerJovem lendo,ilustração de Joseph Christian Leyendecker.

Ante a investida do mar,

no seu vaivém tão constante,

penso na vida a passar,

um vai-sem vem incessante.

(Margarida Ottoni)


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3 responses

18 10 2013
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Em uma reunião, alguém comentou que, se se tornasse um livro, o blogue da mestra seria um daqueles livros de arte bem caros.

Contudo, nele algumas páginas dele teriam outro tom, de revista semanal bem editada, de anotações pessoais, de caderno de recortes.

18 10 2013
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Tem razão.

Depois do meu mestrado, quando comecei a ensinar no nível unversitário, mas dedicada ao doutoramento, fui selecionando poesias americanas e inglesas que falassem de obras de arte específicas. Tudo começou porque eu queria dar uma visão um pouco mais ecumênica da história da arte… Meus alunos gostavam, porque víamos como cada poeta interpreta o mesmo trabalho de maneira diferente… [este jogo entre a pintura e a literatura sempre fez parte da minha formação]. Depois de uns cinco anos disso, eu tinha uma coletânea maravilhosa de poemas e “suas musas” [mais de 600] (obras de arte específicas). Saí então à cata de alguém que se interessasse na publicação para cada obra de arte com alguns poemas– eu poderia fazer um pequeno ensaio, explicando algum ponto de interesse, ainda que a “grande ideia” era fazer as pessoas pensarem, meditarem sobre o que viam nas telas… Talvez vocês não saibam mas historiadores da arte — nos EUA — se dividem em estilistas — trabalham com estilo, pinceladas, cores, etc, em geral trabalham em museus com autenticações, etc — ou iconógrafos — meu caso — aqueles que se preocupam com o que está pintado, esculpido… ou seja a pessoa que pergunta: por que de todas as frutas este artista escolheu um limão justo para colocar dentro de um copo? [isto é um exemplo]. Estes historiadores partem da premissa que uma obra de arte está sempre inserida num contexto histórico-cultural da qual não se separa (mais ou menos isso). Pois, com os poetas às vezes de diferentes séculos vendo a mesma obra de arte o campo era muito rico para se fazer esse tipo de ensaio. Mas — e agora chego às suas observações — o custo dessa empreitada era enorme, porque trabalhava-se com direitos autorais de diversas origens. Naquele tempo, anterior à internet, museus levavam uma boa grana para deixar você reproduzir um quadro de suas coleções. [Só não eram cobrados direitos autorais quando as reproduções fossem para teses de mestrado e doutoramento]. Estamos falando — em meados dos anos 80 — de USD$ 500,00 — 600,00 por foto. Fora os direitos autorais dos poetas/escritores.

Hoje, os museus, em sua grande maioria já entenderam que é melhor para eles abrirem mão dessas “coletas” porque — e aqui é um ponto que os museus brasileiros ainda não entenderam — com a popularização das imagens, eles acabam vendendo muito mais do que os 500 a 600 dólares (uma vez) — em brindes, sacolas com as telas populares, cartazes, xícaras, canecos, quebra-cabeças, etc. As pessoas querem — é uma necessidade psicológica — levar um pedaço daquela beleza, daquela experiência para casa com elas. É um trunfo… É o seu gatinho trazendo a caça para a porta de casa e te oferecendo de presente, como quem diz, aqui… cacei isso lindo para você meu amo! Os museus lá fora levantam muito, mas muito mais dinheiro com esses pequenos trunfos que os turistas ou os amantes das artes levam para suas casas. E os museus só conseguem levantar essas quantias, porque deixaram que suas imagens fossem “popularizadas” ou seja reproduzidas em blogs, na internet, por aí afora. É mais ou menos o que aconteceu com a música popular. Muitos músicos venderam mais depois que deixaram que se baixasse suas músicas, do que antes… É um fenômeno muito interessante esse.

Como sempre, me expando muito mais do que deveria nas minhas respostas, porque vocês fazem observações que abrem toneladas de ideias… Sim, esse seria um livro muito, muito caro. Mesmo que os direitos autorais fossem gratuitos, porque há a questão da impressão de qualidade.

É claro que não consegui nenhuma editora interessada no projeto que morreu, principalmente depois que eu deixei o mundo universitário para “cair na real” [vamos e venhamos bastava um na família na tal torre de marfim…]

20 10 2013
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Discutimos isso ontem, na reunião de pauta. Pensamos naquela editora de arte — Tasche — que edita livros de arte mais baratos.

Ou talvez em autopublicação. Com certeza um e-book. Ou ainda o chamado livro digital, vulgo bookapp.

O que a mestra acha ?

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