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O livro de bolso azul, 2009
Oksana Grineva (Rússia, radicada nos EUA)
óleo sobre tela, 60 x 75 cm
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“Ideias que transformam a vida, sempre chegam a mim através de livros”.
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Bell Hooks
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O livro de bolso azul, 2009
Oksana Grineva (Rússia, radicada nos EUA)
óleo sobre tela, 60 x 75 cm
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Bell Hooks
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Galo
Darel Valença Lins (Brasil, 1934)
gravura [água-forte]
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Rachel Jardim
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Chamava-se Darel porque os pais estavam acompanhando um filme em série, em que o mocinho se chamava Darel. Só que pronunciavam, é claro, Darél, e não Deirel. Também Deirel não teria lhe assentado, com aquele sotaque nordestino.
Naquela época eu andava meio solta aqui no Rio. Minhas raízes ainda estavam muito em Minas. Por aqui, vagava como alma penada, mais do que existia. (Aliás, vagar sempre foi a minha tendência. E o existir era tão dentro, que ficava imperceptível.) Conheci Cláudio Correia e Castro, menino, em Juiz de Fora. Murgel pelo lado da mãe, primo de Kalma. Por esse tempo ele pintava, ou melhor, gravava. Suas gravuras tinham um pouco da atmosfera de Van Gogh. Lembro-me nitidamente de um par de botinas. Tão solitárias!…
Num domingo, fui ao seu atelier. Ele me apresentou a Darel e também a um rapaz magro, com cara de anjo perdido, chamado Marcelo Grassman. Fisicamente, era o oposto de Darel. Este, não devia ser muito bem alimentado, mas parecia. O outro dava para ilustrar um quadro sobre a fome.
Cláudio emprestava o seu estúdio para os dois trabalharem, pois ambos, vindos de fora, estavam na fase da sobrevivência.
Darel, quando apareci, desenhava no chão. Eu olhei as gravuras e disse: ” Humilhados e Ofendidos, não é?” Ele levantou os olhos: “Você reconhece?” Claro que reconhecia. Elas estão na minha parede: “De Darel para Rachel”.
Eu tinha paixão por Goeldi. Darel sofria fortemente a sua influência. Mas ao contrário de Goeldi, fisicamente não se parecia como que desenhava (há pintores e escritores que são idênticos, na própria aparência, ao que fazem. Nada mais parecidio com Murilo Rubião do que os seus próprios personagens). Era atarracado, vital, corado, muito mais Sancho Pança do que Dom Quixote. Percebia-se logo a firme determinação de vencer, a que preço fosse. Venceu o talento, mas nunca teria perdido, mesmo sem talento.
Acho que Darel jamais me entendeu muito bem. Não há muita coisa em comum, creio, entre mineiros e nortistas. Mas ficamos amigos. Espantoso como é que naquele tempo, quando passava fome, jamais teve pinta de pobre. Marcelo Grassman parecia miserável. Darel usava sempre uma jaqueta tipo cardigan, meio gasta, que tinha sido de Cláudio, com calças de flanela cinza, também herdadas. Entraria, tranquilamente, no Country. Suas origens, entretanto, eram as mais modestas. Tinha vocação para rico e “bem”. “Bem” já era, rico ficou. (“Bem”, expressão que aprendi na Faculdade Católica da rua São Clemente. Ali todos eram. Para muitos, era a mais importante condição existencial.)
Ele me dizia coisas engraçadas: “Quando criança, chamava minhas figuras de kalungas.” (Anos mais tarde me falou: “Viu, ganhei dinheiro com os kalungas”…) Ou “Não, não gosto dessa espécie de religião sofisticada, tipo Mosteiro de São Bento. Religião, gosto mesmo, bem simplesinha, filhas de Maria, procissões ‘No céu triunfarei’, etc”… E falando de um padre conhecido: “Ele é desses tipos de padre que têm sempre, a respeito de Deus, uma frasezinha de algibeira…”
Anos depois, quando estava para me desquitar, fui falar com um padre. Disse-lhe que não acreditava em Deus. Ele respondeu:
— Mas Deus acredita na senhora… (como é que ela sabia?) Lembrei-me das frasezinhas de algibeira de Darel e comecei a rir.
Quando Darel tirou primeiro lugar na bienal de São Paulo, quando lhe deram uma sala inteira para expor, fiquei orgulhosa de ter reconhecido nos seus “kalungas” as figuras de Aliocha, Nelly e Natacha. Era fácil. Naquela época, quando eu lia Dostoiewski, sentia febre. Senti muita febre nos anos 40.
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Em: Os anos 40 (A Ficção e o Real de uma Época), de Rachel Jardim, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio: 1973.
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O Salão de Paris, 1879
Camille Léopold Cabaillot Lassalle (França, 1839- 1881 ou 1888 [data de morte incerta]
óleo sobre tela, 67 x 90 cm
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Camille Léopold Cabaillot Lassalle nasceu na França em 1839. Pintura de gênero. Data de falecimento incerta, 1881 ou 1888. [Nenhuma outra informação biográfica foi encontrada].
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John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)
óleo sobre tela, 98 x 67 cm
Royal Academy of Arts, Londres
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Manuel Bandeira
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O rei atirou
Seu anel ao mar
E disse às sereias:
— Ide-o lá buscar,
Que se não o trouxerdes,
Virareis espuma
Das ondas do mar!
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Foram as sereias,
Não tardou, voltaram
Com o perdido anel.
Maldito o capricho
De rei tão cruel!
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O rei atirou
Grãos de arroz ao mar
E disse às sereias:
— Ide-os buscar,
Que se não os trouxerdes,
Virareis espuma
Das ondas do mar!
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Foram as sereias,
Não tardou voltaram,
Não faltava um grão.
Maldito o capricho
Do mau coração!
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O rei atirou
Sua filha ao mar
E disse às sereias:
— Ide-a lá buscar
Que se a não trouxerdes,
Virareis espuma
Das ondas do mar!
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Foram as sereias…
Quem as viu voltar?…
Não voltaram nunca!
Viraram espuma
Das ondas do mar.
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Em: Poesias reunidas da vida inteira, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio: 1979: 7ª edição
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Historiadora da arte: Ladyce West
www.peregrinacultural.wordpress.com
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De 1º de agosto a 3 de outubro- Quartas-feiras às 15 horas
Clube dos Marimbás Pça. Cel. Eugênio Franco, 2 – Posto 6 –
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ – CEP: 22070-020
Inscrições, lugares limitados.
Tels.: (21) 2267-5151 | (21) 2267-5152 | (21) 2227-1115
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Moça de blusa listrada, s/d
Juan Ardohain (Argentina, 1963)
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Juan Ardohain nasceu em 1963 em Buenos Aires na Argentina. Por volta de 1982, começou seus estudos de veterinária da Universidade Nacional de La Plata. Em, 1990 mudou-se para São Vicente, onde passou a exercer sua profissão, na qual se mantém até hoje. Em 1992, começou a pintar, autodidata., desde 1994 expõe seus trabalhos nas galerias locais e do resto do país. Trabalha em sua pintura todos os dias em um pequeno estúdio localizado na parte de trás do seu consultório de veterinária em São Vicente.
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Ilustração, autoria desconhecida.–
Padece a Nação inteira
e explodem forças armadas,
quando a Sorte põe, arteira,
o poder em mãos erradas! …
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(Heloísa Zanconato Pinto)
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Moça lendo o jornal
Cayetano Arquer Buigas (Espanha, 1932)
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Louisa May Alcott
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O pôr-do-sol no horizonte,
com seus raios, me seduz
e eu vejo por trás do monte
uma cascata de luz.
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(Hélio Pedro Souza)
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Hotel Kandalama, em Sri Lanka (antigo Ceilão em português).–
Projetado pelo mais famoso arquiteto do país, Geoffrey Bawa, o edifício representou na época em que foi construído, 1991-1994, sua maneira de balancear o mundo natural com a interferência humana de maneira harmoniosa, com grande sensibilidade. O hotel não se distingue da natureza que o cerca. Com paisagismo de Aitken Spende, o hotel consegue dar a impressão ao visitante que o edifício simplesmente é coberto pela extensão da vegetação à sua volta, sem ser ofuscado pela pedra Sigiriya Rock. Ao contrário, o prédio foi construído um pouco mais longe, abraçando a parte mais baixa de um morro, aos pés do qual é construído, como se fosse sua própria continuação.
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A entrada do hotel fica num nível mais abaixo do que a construção propriamente dita. E acesso ao edifício é feito através de um corredor que leva até o saguão principal. A ideia por trás de toda a construção é oferecer uma varanda para a natureza que o cerca e não chamar atenção para a construção propriamente dita.
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O arquiteto convenceu seu cliente a escolher um local alternativo, cerca de 15 km ao sul do plano original sobre terreno rochoso. O que Geoffrey Bawa conseguiu prever: as características marcantes naturais, que eram um desafio do projeto acabaram por permitir que houvesse um menor impacto da construção no local. Nenhuma máquina de terraplenagem foi utilizada, e as formações rochosas foram mantidas e utilizadas como um elemento importante no projeto final.
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Outros elementos importantes do projeto incluem a sua localização, ao longo dos cumes existentes, de passarelas externas ao longo da face do penhasco e treliças de madeira com vegetação trepadeira. Esses elementos ajudam a emendar o edifício ao local, criando uma relação simbiótica de seu entorno com o prédio. Desta maneira ele apaga a distinção entre o natural e o artificial. A localização, a ambiguidade espacial e articulação da fachada combinam para criar uma experiência única para quem ali se instala.
Os 28.110 m² de hotel foram construídos sobre palafitas para manter o fluxo de água da chuva natural. O paisagismo foi restaurado até os alicerces da coluna, e 80 por cento dos telhados são plantados com horticultura indígena. O edifício foi planejado ao longo de um pano de fundo de uma formação de rocha para fornecer maior grau de resfriamento passivo, o que reduziu a carga de resfriamento global.
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Toda a água é reciclada e reutilizada. Ela vem de poços profundos do próprio local e é tratada, antes de circular no edifício. Depois passa por duas estações de tratamento e, em seguida, utilizada para o paisagismo. A água excedente é devolvida ao aquífero. Todas as necessidades de água e esgoto do edifício são satisfeitas a partir de recursos locais, sem conexões com o serviço público.
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Os telhados planos (inclinação de 1%) e as colunas verticais finas, combinadas com os telhados verdes e fachadas, dão sensação de autossuficiência e conforto para os visitantes.
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A proximidade a um edifício que interfira pouco no meio ambiente em que está localizado ainda é mais acentuada pelo uso das árvore Gliricidia sepium nativas do local, de tamanho médio, chegam a 10 -12 metros de altura. Elas produzem flores entre o rosa e o lilás dando cor a paisagem na época de inflorescência.
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