Um dia de diletantismo, uma volta pelas hortas medievais…

3 04 2012

Trabalhos agrícolas nos doze meses do ano, 1459

Iluminura, Tratado de agricultura de Pietro de Crezcenzi  [ MS 340 ]

Musée Condé, coleção  em Chantilly

Hoje foi um dia de diletantismo involuntário.  Mas mesmo assim diletantismo.  Estou desenvolvendo uma série de palestras sobre as artes em contexto.  E precisava de uma demonstração das roupas usadas por peões na Idade Média, mais precisamente na época de Carlos Magno.   Eu queria poder ilustrar as descrições do excelente livro Daily life in the World of Charlemagne, de Pierre Riché [Philadelphia, Univesity of Pennsylvania: 1978] sobre esse período na história da França.  É irrelevante sabermos porque eu estava fixada nesse ponto.  Depois do dia de hoje, já não importa.  Mas fato é que não encontrei o que queria, na internet.  Não porque não haja, mas porque me distraí.  E a culpa dessa distração segue abaixo, na deliciosa ilustração de colméias em manuscrito medieval.

Theatrum Sanitatis, c. 1450-1475

de Ububchassym de Baldach

Códice 4182

Biblioteca Casanatense de Roma

Saí à cata de mais colméias, de mais abelhas…  Adoro mel, mas tenho uma facilidade tremenda para a insectofobia, sim,  não gosto de coisinhas que voam, ou não, que tenham muitas patinhas, que adoram subir pelas nossas pernas, braços, voar sem rumo em nossa direção.  Enfim, o que aconteceu foi que também não encontrei muitas abelhas, mas encontrei… hortas.  Sim, representações em iluminuras, da plantação de legumes, ervas, alimentos e me perdi.  Perdi o rumo, perdi a direção, tal qual uma abelha zunindo daqui para lá, pegando o néctar das iluminuras medievais para sabe-se lá fazer o quê com elas além de postá-las aqui e dividí-las com os leitores?  Segue um passeio pelas hortas medievais.  Espero que vocês possam sentir o cheirinho das folhas verdes e a umidade do solo, como eu fiz.

Cebolas, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Aipo, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Endro, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Espinafre, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Feijões, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Grão de bico, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Milho miúdo, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Panicum, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Cenouras, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Plantando o aipo, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)

Plantando cebolinhas, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)

Plantando endro, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)

Plantando repolhos, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)





Palavras para lembrar — Henry David Thoreau

3 04 2012

Mulher lendo, s/d

Clifford Harper ( Inglaterra, 1947)

xilogravura

“Um bom livro me ensina mais do que ler.  Tenho que logo colocá-lo de lado, e começar a viver de acordo com sua sugestão…  O que começou como leitura, acaba em ação”.

Henry David Thoreau





Poesia infantil: O vento, de Helena Pinto Vieira

3 04 2012

O vento

Helena Pinto Vieira

Eu hoje acordei feliz,

e ninguém sabe por quê;

como isto é um segredo,

vou dizer só a você,

menino que ora me escuta:

você não fica, também,

contente, muito contente,

quando o vento sopra, além?

É este, pois, meu segredo;

vou sair, vou lá pra fora,

vou soltar meu papagaio.

Que bom vento sopra agora!

No barbante, que é bem forte,

um recado vou mandar

às andorinhas que voam,

lá no alto, sem cansar.

O vento que está soprando,

menino, meu companheiro,

parece estar convidando

a brincar o dia inteiro.

Em:  O mundo da crianças, poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1975, volume 1, p. 143





Imagem de leitura — Géza Vörös

2 04 2012

Mulher com livro, 1943

Géza Vörös (Hungria, 1897-1957)

óleo sobre tela

Geza Voros nasceu em Nagydobrony, na Hungria em 1897.  Estudou na Academia de Belas Artes de Budapeste. Aos 19 anos expôs seu primeiro trabalho.  Morou em Nagybánya e Szolnok, ambas colônias de arte na Hungria. Foi nesse período que conheceu sua futura esposa, Anna, que se tornou o principal modelo para suas pinturas de figurativas. Fez bastante sucesso com as suas naturezas-mortas e  pinturas de interiores também. Em 1927, foi a Paris, a estudo.  Lá conheceu Matisse que daí por diante exerceu  grande influência sobre ele: veja os contrastes ousados de cores e os detalhes ornamentais. Morreu em Budapeste em 1957.





Quadrinha infantil da honestidade

2 04 2012

Ilustração Maurício de Sousa.

Agora quero lembrar

Um dever da honestidade;

Nunca deixe que a mentira

Tome o lugar da verdade.

(Walter Nieble de Freitas)





Palavras para lembrar — Henry David Thoreau

2 04 2012

Praia, s/d

Yvonne van Woggelum (Holanda, 1958)

acrílica sobre tela

www.yvonnevanwoggelum.nl

“Quantos homens datam uma nova era nas suas vidas a partir da leitura de um livro”.

Henry David Thoreau





Os melhores céus na pintura, outras sugestões minhas e dos leitores…

2 04 2012

Vista de Toledo, 1596-1600

El Greco (Creta, 1541- Espanha, 1614)

óleo sobre tela, 121 x 109cm

Metropolitan Museum of Art, Nova York

A postagem na semana passada  sobre os mais belos céus na pintura trouxe muitas respostas e aqui vão, então, outros céus espetaculares, que não couberam na primeira postagem ou que foram sugeridos pelos visitantes no blog tanto aqui como na página do blog no Facebook.

Começo com El Greco que reconheço deveria estar na lista anterior… Esta vista de Toledo tem uma representação sublime (latu senso) dos céus tenebrosos da Espanha da Inquisição, não é mesmo?

Paisagem heróica com arco-íris, 1805

Casper David Friedrich (Áustria, 1774-1840)

óleo sobre tela, 118 x 113cm

Ricardo, leitor do blog e dono do blog O Último Abencerragem, mencionou  Casper David Friedrich, também na lista do jornal inglês, mas comparacendo na publicação britânica com outra obra, diferente da paisagem heróica que escolhi.  O pintor tem céus impressionantes, céus e  luminosidade.

Vista do mar e da costa com casario, barcos e figuras,

Claude Joseph Vernet ( França, 1714-1789)

óleo sobre tela

Meu ex-professor de arte do século XVIII, minha quase segunda matéria de especialização, Prof. George Levitine deve estar muito zangado comigo, percebendo, de lá da outra dimensão, que me esqueci de colocar Vernet na lista dos 10 mais.  Mas esse coração, que é por essência tropical, teve muita dificuldade de se adaptar à Idade da Razão, na pintura…  Lucrei muito com  meu extraordinário mestre, principalmente com dois seminários sobre Goya, mas acabei optando pelo barroco holandês como 2ª especialização.  Ah, sim, para quem não segue esse blog regularmente:  a primeira área de especialização foi arte moderna européia, 1868-1945; toda pesquisa feita sobre o surrealismo, onde e quando a razão definitivamente sai de foco…

A lua da collheita, s/d

George Inness (EUA, 1825-1894)

òleo sobre tel, 75 x 111cm

The Corcoran Gallery of Art, Washington DC

Tenho que confessar que em todos os anos que estudei história da arte, tanto no Brasil, quanto  nos Estados Unidos, nunca tive um semestre sequer de pintura americana.  Meus interesses estavam em outras áreas e havia muito que estudar.  Mas morando nos Estados Unidos por muitos anos fez com que aos poucos eu conseguisse adquirir uma visão bem ampla da pintura americana do século XIX.  E as paisagens de George Inness  foram uma grande descoberta e passaram desde que primeiro as vi  a estar  dentre aquelas que considero  extraordinárias.

Moisés vendo a Terra Prometida, 1846

Frederic Edwin Church ( EUA, 1814-1900)

óleo sobre madeira,  32 x 25

Coleção Particular

Frederic  Edwin Church foi lembrado por meu marido que, especialista em literatura americana, vê em Church, e eu concordo, um paralelo na pintura aos movimentos literários do século XIX nos Estados Unidos.  Os céus de Church são muito expressivos, traduzindo em parte o espírito do transcendentalismo característico da época em que viveu.

Pescadores ao mar, 1796

J. M. W. Turner ( Inglaterra, 1775-1851)

óleo sobre tela, 91 x 122cm

Tate Gallery, Londres

É quase injusto colocar aqui uma pintura a óleo de Turner, que foi um dos maiores aquarelistas já conhecidos,com céus belissimamente retratados.  No entanto, este talvez seja o seu quadro mais conhecido.  Centenas, milhares talvez de reproduções dessa tela existem no mundo inteiro desde estampas, jogos americanos para a cozinha, reverso de cartas de baralho…  O mundo todo conhece este quadro.

Paisagem com ruínas de castelo em Egmond, 1650-1653

Jacob van Ruysdael (Holanda, 1628-1682)

óleo sobre tela, 95 x 125 cm

The Art Institute of Chicago

Sou parcial à toda pintura barroca do século XVII ao norte da Europa, simultaneamente, não tenho muita afinidade com o Barroco Italiano, coisas de temperamento.  A arte flamenga, que na época abrangia tanto a Holanda quanto a Bélgica de hoje, foi uma das minhas áreas de especialização e uma coisa é certa: quanto mais se conhece de um assunto, mais difícil é acharmos um nome, uma pintura, um quadro que possa representar aquele período ou aquele pintor.  Jacob van Ruysdael foi um dos grandes paisagistas da época e todas as suas paisagens têm céus surpreendentes.

Fico por aqui.  Continuo interessada em saber quais são outras paisagens com céus maravilhosos, ou paisagistas…  Mas vou mudar um pouquinho a minha busca:

Alguém dentre os pintores brasileiros se destaca?





Imagem de leitura — Caroline von der Embde

1 04 2012

Menina lendo à janela, 1850-1855

Caroline von der Embde (Alemanha, 1812-1867)

óleo sobre tela, 52 x 40 cm

Caroline Von der Embde nasceu em Kassel, na Alemanha em 1812.  Filha mais velha e aluna do pintor Augusto der Embde, trabalhou como pintora desde 1850 em Dusseldorf.  Entre 1852 e 1860 participou de exposições em Munique, Dresden e em Colônia.  Trabalhando sempre com  seu pai, ela se dedicou principalmente à pintura de gênero e ao retrato, áreas em que seu pai atuava. Como Caroline assumiu a pintura de alguns temas preferidos que seu pai pintava  e também concluiu alguns quadros dele, é frequentemente  difícil separar a obra dos dois. Em 1854 ela se casou  com o jurista Augusto Klauhold e mudou-se para Bremen, depois para Hamburgo. Faleceu em 1867 provavelmente em Hamburgo.





Poesia infantil: Canção de junto do berço, de Mário Quintana

1 04 2012

Bebê dormindo, Ilustração de Bessie Pease Gutmann.

Canção de junto do berço

Mário Quintana

 –

 =

Não te movas, dorme, dorme

O teu soninho tranquilo.

Não te movas (diz-lhe a Noite)

Que ainda está cantando um grilo…

 –

Abre os teus olhinhos de ouro

(O Dia lhe diz baixinho).

É tempo de levantares

Que já canta um passarinho…

 –

Sozinho, que pode um grilo

Quando já tudo é revoada?

E o Dia rouba o menino

No manto da madrugada…





Palavras para lembrar — William Ewart Gladstone

1 04 2012

A praia em Villers sobre o mar, 1921

Lucien Hector Jonas (França 1880-1947)

Óleo sobre tela, 54 x 73 cm

Southeby’s UK — 2007

“Os livros formam uma deliciosa sociedade.  Se você vai a um cômodo e o encontra cheio de livros – mesmo sem tirá-los das prateleiras eles parecem se comunicar com você, desejar-lhe boas-vindas”.

William Ewart Gladstone