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Antigo vaso grego, aproximadamente século V aC com a imagem de Cecrops, fundador da cidade de Atenas.
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A cobra Norato
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José Countinho de Oliveira
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— Ainda no tempo colonial, veio para o Pará um português riquíssimo e, desejando aumentar seus haveres, fundou no Tocantins, perto de Mocajuba, uma fazenda para o cultivo do cacau. Além do grande pessoal que consigo trouxe, acompanhou-o um seu filho de nome Honorato, rapaz de seus quinze anos, muito bonito e dado a conquistador.
Um dia este moço desapareceu sem que pessoa alguma pudesse dele dar mais notícias. Dizia então uma velha índia que havia visto o moço Honorato andas nos dias anteriores triste, passeando pelas praias do Tocantins, atraído, sem dúvida, pela beleza de Iara e que esta o havia levado para o fundo do rio.
O que é certo é que alguns anos depois, quando há alguma grande festa, à meia noite aparece este moço, que dansa, diverte-se e às três para as quatro da madrugada, quando a aurora começa a despontar, ele some-se sem que ninguém saiba para onde vai. Muitas vezes já se tem procurado sitiá-lo, colocando vigias por todos os lados para vê-lo sair e apenas uma vez muitos rapazes o viram atirar-se n’água do alto da ribanceira.
— Mas, coronel, isto é um absurdo, uma tolice.
— Não falemos assim; há tanta coisa na natureza que nós não compreendemos, de que não sabemos a causa e, no entanto, não podemos negar.
— Mas este fato tem uma explicação natural. O Tocantins é continuamente navegado por canoas de regatões, por vapores e lanchas. Ora, não é de admirar que, uma ou outra vez, um desses viajantes apareça em uma festa e de repente se vá embora, para continuar viagem. Ninguém o conhece e a imaginação popular começa logo a criar mistérios.
— Não é assim. Ouça: há dois anos houve uma grande festa no engenho do capitão Pinheiro, no distrito de Abaeté, na véspera do Natal, e na mesma noite outra na casa do Manuel Francisco, que o senhor bem conhece, chefe político de nomeada em Bião. Pois bem, à meia noite em ponto, o Honorato aparecia no baile do Pinheiro, em Abaeté, desaparecia às duas horas, para surgir às duas e meia em casa do Manuel Francisco. Qual a canoa ou vapor, ou balão capaz de, em meia hora, percorrer a distância que vai de uma a outra casa? Nem em oito horas!
— E o senhor poderia me dizer se conhece alguma cobra grande capaz de fazer esse percurso em meia hora?
— O Honorato, porque é encantado.
Em: Criança Brasileira: admissão e 5ª série, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949.
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José Coutinho de Oliveira, (Brasil, ? – ? ) escritor, linguista e folclorista da Amazônia. Membro da Academia de Letras do Estado do Pará.
Obras:
Lendas Amazônicas, 1916
Folclore Amazônico, 1951






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