Natal Antigo — poema de Bastos Tigres

18 12 2011

O Natal só acontece uma vez por ano,  1896

Charles Green

Litogravura

Natal Antigo

Bastos Tigre

Da vasta mesa patriarcal, em torno,

A família reúne-se.  Fumega

O rotundo leitão assado ao forno,

Entre vinhos velhíssimos da adega.

Loiras batatas traçam-lhe o contorno

Finas rodelas de limão carrega;

E, assim, com todo o culinário adorno,

Aguarda, inerte, a sorte iníquia e caga.

É noite de Natal.  Festa!  Alegria!

Em cada boca há um riso iluminado

Pelo amor que das almas irradia.

Mas ninguém nota o riso resignado

De amarga, pungentíssima ironia

Dos meigos olhos do leitão assado…

Antologia Poética, Bastos Tigre, Rio de Janeiro, Francisco Alves:1982, vol. 2





Quadrinha dos Natais da infância

17 12 2011

Natal, ilustração de Roberto Innocenti.

Vencendo o tempo e a distância

num clima de eternidade,

os natais de minha infância

permanecem na saudade.

(Ivo dos Santos Castro)





Quadrinha da catedral

16 12 2011

Natividade

Federico Barocci (Urbino, 1528 – 1612)

óleo

Museu do Prado, Madri

Vejo a imagem de Maria
nas luzes da Catedral,
tendo Jesus entre os braços
numa noite de Natal. 

(Paulo Athayde de Freitas)





Quadrinha de pedido a Papai Noel

14 12 2011
Papai Noel se diverte com o pianinho, ilustração Lello.

Papai Noel, por favor,

do Natal afasta os medos,

e coloca mais amor

no meio dos teus brinquedos!

(Delcy Canalles)





Quadrinha de Natal, noite de festa e de luz

13 12 2011

Cartão de Natal da Europa Oriental, inicio do século XX.

É Natal — Noite de Festas,

De regozijos, de luz …

Fogem as sombras funestas:

No mundo nasceu Jesus!

(José Lara)





Versos de Natal — poema de Manuel Bandeira

11 12 2011

Moça diante do espelho, 1932

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela,  162x 130cm

Museu de Arte Moderna de Nova York

Versos de Natal

Manuel Bandeira

Espelho, amigo verdadeiro,

Tu refletes as minhas rugas,

Os meus cabelos brancos,

Os meus olhos míopes e cansados.

Espelho, amigo verdadeiro,

Mestre do realismo  exato e minucioso,

Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,

Penetrarias até o fundo desse homem triste,

Descobririas o menino que sustenta esse homem,

O menino que não quer morrer,

Que não morrerá senão comigo,

O menino que todos os anos na véspera do Natal

Pensa ainda em por seus chinelinhos atrás da porta.

1939

Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Sabiá: 1961, 5ª edição





Papai Noel, soneto de Ciro Vieira da Cunha

10 12 2011

Ilustração dos anos 50 do século XX: Papai Noel.

Papai Noel

Ciro Vieira da Cunha

Natal… Natal… meus tempos de menino,

Tempos felizes que não voltam mais…

Missa do galo… repicar do sino…

E a casa pobre dos meus velhos pais…

Natal … a mocidade, o desatino,

Loucos amores, ternos madrigais…

Mulheres que dobraram meu destino

Com seus beijos marcantes e fatais…

Papai Noel! atende ao meu pedido,

Nesta noite de paz e de bonança,

Atende, pelo muito que hei sofrido.

E em meus sapatos põe a caridade

De um pedaço bonito de esperança,

De um farrapo esquecido de saudade…

Em: 232 poetas paulistanos – antologia — Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968

Ciro Vieira da Cunha, nasceu em São Paulo, SP em 1897.  Usou também o pseudônimo João da Ilha professor, poeta, biógrafo, cronista, jornalista e médico brasileiro.  Faleceu no Rio de Janeiro em 1976.

Obras:

Pontos de Química Fisiológica (com Alberto Moreira), 1918

Contra o alcoolismo, 1920

De como se deve combater o alcoolismo no Brasil, 1922

O Dialeto Brasileiro (tese), 1933

Espera Inútil, poesia, 1933

Oração de Paraninfo, 1937

De Pé, pelo Brasil, 1941

Trovas, 1942

Alguma Poesia, poesia, 1942

Chuva de Rosas, poesia, 1947

No tempo de Paula Nei, prosa, 1959

    O cadete 308, prosa, 1956

No tempo de Patrocínio (2 v.),prosa, 1960

Memórias de um médico da roça, 1965

Arte de colar, 1970

Guia de civismo (com Terezinha Saraiva), 1972





Quadrinha da ceia de Natal

9 12 2011
Natal em família, Pato Donald, Margarida, Huguinho, Luizinho, Zezinho e Tio Patinhas, ilustração Walt Disney.

Festejar é natural,

mas a cristandade anseia

por ver ceia de Natal

com mais Natal… menos ceia!

(Arlindo Tadeu Hagen)





Quadrinha de um pedido de Natal

7 12 2011

Cartão postal, 1878

   É Natal… Com humildade

   faço um pedido, em segredo:

  que eu ganhe a felicidade

  nem que seja de brinquedo!

(J. G. de Araújo Jorge)





Quadrinha do Papai Noel e a paz

6 12 2011

Papai Noel brasileiro, ilustração Luís Saguar, 2007.

Papai Noel vê se faz

do Natal, um baluarte:

— Erga a Bandeira da Paz,

Gravando AMOR, no Estandarte!

(Ivone Taglialegna Prado)