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A colheita da estação,
junto aos vastos parreirais,
traz a marca e o coração
dos mais nobres ancestrais.
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(Amália Marie Gerda Bornhein)
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A colheita da estação,
junto aos vastos parreirais,
traz a marca e o coração
dos mais nobres ancestrais.
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(Amália Marie Gerda Bornhein)
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Guglielmo Zocchi (Itália, século XIX)
óleo sobre tela
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Luiz Peixoto
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Um sarau
na rua Itapiru,
em casa das Novais.
O calor
está abrasador
e tem gente demais
mas, tome polca!
No sofá
a Dona Jacintinha
faz bolas de papel
e na janela
de papelotes,
a Berenice namorica o furriel.
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A reclamar silêncio
surge o seu Fulgêncio,
um rotundo e bom comendador.
Sim, porque nessa altura
chega o padre-cura
com o corregedor.
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— Senhorita,
a honra desta dança
acaso quer me dar?
— Cavalheiro,
a honra é toda minha,
porém, já tenho par…
e tome polca!
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Dança o Souza,
que vai pisando em ovos
com as botas de verniz,
enquantoa esposa,
de olhos em alvo,
fica torcendo os cabelinhos do nariz.
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Por trás de uma cortina
vê-se a Minervina
que é mais preta que um tição,
e diz entre risadas:
— Quebra Dona Alice!
— Quebra seu Beltrão!
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— Atenção! — acordes da “Dalila”,
seu Gil vai recitar!
Fazem roda
e o moço encalistrado
começa a gaguejar…
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Vem o chá
Biscoitos de polvilho
e outros triviais
— São onze horas, apague o gás!
E assim termina o bailarico das Novais.
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968; coleção Henriqueta.
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Luiz Carlos Peixoto de Castro, ( Niterói, RJ 2/2/1889 – RJ, RJ 14/11/ 1973). Foi poeta, letrista, cenógrafo, teatrólogo, diretor de teatro, pintor, caricaturista e escultor.
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Ilustração Margret Boriss.–
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Elias José
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Banana-prata,
banana-ouro,
banana-d’água,
banana-baiana
banana-nanica
banana-são-tomé.
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O menino bananeiro
e os seus melhores amigos,
dois burrinhos vagarosos,
vão chegando à cidade.
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Queria vender bananas
muitas bananas,
gostosas e diferentes,
para todas as casas
da velha cidadezinha.
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Queria voltar pra casa
com os cestos vazios
e os bolsos bem cheios
de notas e moedas.
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Coisa melhor do mundo
é poder ajudar à mãe…
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Só que na cidade tão pequena,
há tantas bananeiras nos quintais!…
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Os cestos não vão se esvaziar.
e nos bolsos haverá poucas moedas…
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— Melhor assim do que nada! –
diz o menino bananeiro
aos seus burrinhos magricelas.
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Em: Mágica terra brasileira, Elias José, São Paulo, Saraiva:2006
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Elias José – (MG 1936 – MG 2008 ) escritor de literatura infantil e juvenil, contista, poeta, romancista e professor.
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Ilustração Blanche Wright.–
Não tenho medo de homem
Nem do ronco que ele tem;
O besouro também ronca,
Vai se ver não é ninguém
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(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)
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Antonio Rocco ( Itália, 1880- Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 76 x 50 cm
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Onestaldo de Pennafort
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Quando murmuro teu nome,
a minha voz se consome
em ternura e adoração.
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Quando teus olhos me olham,
parece eu se desfolham
as rosas de algum jardim
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Ó meu amor, se é preciso
eu direi que o teu sorriso
é doce como um olhar.
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Mas é preciso que eu diga,
ó minha suave amiga,
isso que sinto e tu vês,
–
mas é preciso que eu diga?
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Onestaldo de Pennafort Caldas (RJ-1902- 1987) jornalista, ensaísta, tradutor e funcionário público. Escreveu para diversos periódicos brasileiros, tais como Fon-Fon, Careta, Autores e Livros, Para Todos e O Malho. Faleceu no Rio de Janeiro, sua cidade natal, em 1987.
Obras
Escombros Floridos, 1921, poesia
Perfume e outros poemas, 1924, poesia
Interior e outros poemas, 1927, poesia
Espelho d’ Água: Jogos da Noite, 1931, poesia
Nuvens da tarde, 1954, poesia
Um rei da valsa, 1958, música
O festim, a dança e a degolação, 1960, crítica literária
Romanceiro, 1981, poesia
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Além de traduções do inglês e do francês.
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Jogou, perdeu, e hoje sabe,
passando um Natal sombrio,
que a consciência não cabe
num sapatinho vazio.
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(Hegel Pontes)
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Fuga para o Egito, s/d
Bartolomé Esteban Murillo (Espanha, 1618-1682)
Óleo sobre tela, 210 x 166 cm
Instituto de Arte de Detroit, EUA
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Jair Amorim
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E ainda hoje nascerás mais uma vez…
Sobre os reis Magos
a estrela-guia
os deixará ofuscados e perplexos
pela emoção
da santíssima aparição
E Tu nascerás neste e em outros anos
enquanto homens de porre
e mulheres quase nuas, ao sol,
tostadas e maquiladas
esperarão a hora mágica da noite
para exibir seus corpos luzidios
tomando chopes e comendo rabanadas.
E Tu, Senhor, nascerás mais uma vez à meia noite
pequenino e lindo
com Tua mensagem incompreendida
para os inúteis amanhãs
do dia nosso de cada vida.
E em Teu nome, Tuas palavras vãs,
nós nos empanturraremos
de vinhos
tâmaras
e avelãs…
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Em: Canto Magro de Jair Amorim, Vitória, UFES: 1995
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Jair Pedrinha de Carvalho Amorim (ES 1915 – SP 1993) poeta, compositor e jornalista.
O Natal só acontece uma vez por ano, 1896
Charles Green
Litogravura
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Bastos Tigre
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Da vasta mesa patriarcal, em torno,
A família reúne-se. Fumega
O rotundo leitão assado ao forno,
Entre vinhos velhíssimos da adega.
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Loiras batatas traçam-lhe o contorno
Finas rodelas de limão carrega;
E, assim, com todo o culinário adorno,
Aguarda, inerte, a sorte iníquia e caga.
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É noite de Natal. Festa! Alegria!
Em cada boca há um riso iluminado
Pelo amor que das almas irradia.
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Mas ninguém nota o riso resignado
De amarga, pungentíssima ironia
Dos meigos olhos do leitão assado…
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Antologia Poética, Bastos Tigre, Rio de Janeiro, Francisco Alves:1982, vol. 2
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Natal, ilustração de Roberto Innocenti.–
Vencendo o tempo e a distância
num clima de eternidade,
os natais de minha infância
permanecem na saudade.
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(Ivo dos Santos Castro)
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Natividade
Federico Barocci (Urbino, 1528 – 1612)
óleo
Museu do Prado, Madri
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Vejo a imagem de Maria
nas luzes da Catedral,
tendo Jesus entre os braços
numa noite de Natal.
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(Paulo Athayde de Freitas)