O espaço, poema de Henrique Simas

9 02 2012

O espaço

Henrique Simas

O vento soprou depois de alguma espera

E foram expulsos de dentro todos os fantasmas

Os restos de sombra o sol desfez.

A chuva terminou de apagar as últimas letras,

Arrancando da terra as raízes inúteis.

E nada mais sobrou além do espaço

Pronto a ser ocupado pelos novos donos,

Obstinados cultivadores de esperança.

Em: Horizonte Vertical: poemas, Henrique Simas,prefácio de Alceu Amoroso Lima, Rio de Janeiro, Olímpica: 1967, p. 78.





Quadrinha do Rio de Janeiro

8 02 2012

Botafogo, vista do Morro da Viúva, 1920-30

Henrique Goldschmidt (1867-1952)

aquarela sobre papel, 19 cm diâmetro

Maravilha em resplendor,

onde Deus sempre é louvado

o Rio guarda o Senhor

no Cristo do Corcovado!

(Hilário de Soneghet)





Quadrinha sobre a poesia

6 02 2012

A verdadeira Poesia

não se prende a nenhum laço:

na tristeza, ou na alegria,

ela ocupa o mesmo espaço…

(Moysés Augusto Torres)





O primeiro dente, poesia de Bastos Tigre

2 02 2012

Ilustração Maud Towsey Fangel,  para Revista Home Arts, de Janeiro de 1936.

O primeiro dente

Bastos Tigre

A mamãe bate palmas de contente,

Do papai rejubila a alma festiva;

Cantam risos pelo ar… Que é que motiva

Essa emoção que alegra toda gente?

É que, abrindo a boquinha, sorridente,

Bebê, no róseo alvéolo da gengiva,

Deixou ver a promessa, a perspectiva,

O breve ensaio do primeiro dente.

Agora, a acampanhar-lhe o crescimento,

Dia a dia a mamãe enternecida

Terá para o dentinho o olhar atento.

Outro virá depois… outro em seguida…

E ei-lo, o Bebê, com sólido instrumento

Com que no mundo se defende a vida!

Em: Antologia Poética,, vol I, Bastos Tigre, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1982

Manoel Bastos Tigre nasceu no Recife em 1882.  Formou-se em engenheiro pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro.  Mas dedicou-se às letras.  Estreou na imprensa carioca em 1902, no Correio da Manhã, onde manteve uma coluna humorística diária: Pingos e Respingos, até a sua morte em 1957.  Foi o primeiro bibliotecário brasileiro por concurso o que lhe valeu o título e Patrono dos Bibliotecários do Brasil.

Obras:
Saguão da Posteridade, 1902.

Versos Perversos, poesia, 1905.

O Maxixe. Rio de Janeiro , 1906.

Moinhos de Vento, 1913.

O Rapadura, teatro, 1915.

Grão de Bico, 1915.

Bolhas de Sabão, 1919.

Arlequim, 1922.

Fonte da Carioca, 1922.

Ver e Amar, 1922.

Penso, logo… eis isto, 1923.

A Ceia dos Coronéis, 1924.

Meu bebê, 1924.

Poemas da Primeira Infância, 1925.

Brinquedos de Natal, 1925.

Chantez Clair, 1926.

Zig-Zag, 1926.

Carnaval: poemas em louvor ao Momo, 1932.

Poesias Humorísticas, 1933.

Entardecer, 1935.

As Parábolas de Cristo, 1937.

Getúlio Vargas, 1937.

Uma Coisa e Outra, 1937.

Li-Vi-Ouvi, 1938.

Senhorita Vitamina, 1942.

Recitália, 1943.

Martins Fontes, 1943.

Aconteceu ou Podia ter Acontecido, 1944.

Cancionário, 1946.

Conceitos e Preceitos, 1946.

Musa Gaiatal, 1949.

Sol de Inverno, 1955.





Trova do bom conselho

1 02 2012

Conselho, ilustração Blanche Wright.

 

Pela vida me foi dado
um conselho em que me alerto:
“Antes rir desafinado
que soluçar em tom certo”.


(Miguel Russowsky)





Quadrinha do guarda-chuva

30 01 2012

Capa da revista Country Home, abril de 1936

O meu guarda-chuva tem

este mistério tamanho:

— se o levo, a chuva não vem,

mas se o deixo… tomo um banho!

(Heraldo Lisboa)





Avezinha, poema de Heitor Moreira

22 01 2012

Menina liberou pássaro, ilustração de autor desconhecido.

Avezinha

Heitor Moreira

Avezinha que passa — de passagem!…

Fê-la Deus da bondade e da ternura,

Deu-lhe o silvo tristonho da amargura,

No seu canto de pássaro selvagem.

Deu-lhe o esplendor das cores, e a paisagem

Da serra azul nas selvas da fartura;

Deu-lhe o farto sossego da ventura

No agasalho sombria da ramagem.

No balanço das vagas desregradas,

Em cascatas de rendas crepitantes

Chia o rio nas duras caminhadas…

E rebelado e em tristes murmuríos

Perdendo-se no azul dos horizontes,

Leva consigo o choro de outros rios.

Em: Ritmos e Rimas, Heitor Moreira, Rio de Janeiro, Ed. do autor: 1950

 

Heitor Moreira

Obras:

Templos de Sonhos, poesia

Ritmos e Rimas, poesia, 1950

 

 





Quadrinha sobre o sucesso

19 01 2012

Professor Pardal tenta ser artista, ilustração Walt Disney.

Artista, não se envaideça;

tudo na vida é fugaz…

Se a glória sobe à cabeça,

muita amargura nos traz!

(Armando Aranda)





O mosquito escreve, poesia infantil de Cecília Meireles

17 01 2012

Mosquito, ilustração Maurício de Sousa.

O mosquito escreve

Cecília Meireles

O mosquito pernilongo

trança as pernas, faz um M,

depois treme, treme, treme,

faz um O bastante oblongo,

faz um S.

O mosquito sobe e desce.

Com artes que ninguém vê,

faz um Q,

faz um U, e faz um I.

Este mosquito esquisito

cruza as patas, faz um T.

E aí,

se arredonda e faz outro O,

mais bonito.

Oh!

Já não é analfabeto,

esse inseto,

pois sabe escrever seu nome.

Mas depois vai procurar

alguém que possa picar,

pois escrever cansa,

não é, criança?

E ele está com muita fome.

Em: Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 2002.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.

Obras:

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa





Tecedeira, poesia infantil de Manoel Pereira Reis Júnior

16 01 2012

Tecedeira

Manoel Pereira Reis Júnior

Aranha:

ela tece o aranhol

com fios de prata

que tem no novelo do palpo…

Ela se emaranha toda

na volúpia de tecer um tapete

de filigranas de luz para dormir…

Dorme e sonha . . .

na faina de viver fiando

a vida inteira…

E a aranha, bailarina sonâmbula,

fiandeira da prata que produz,

descreve em todos os lugares

a giratória, girante das giradas,

que são fios de prata que reluz.

Reviravolteia, sobe, desce,

na augústia de dar a forma

ao fio que ela tece. . .

– Aranha! que sorte bonita é a tua,

de construir um aranhol,

que a noite se tinge de lua,

e de dia se veste de sol! …

Manoel Pereira Reis Júnior ( Catu, BA, 1911 — RJ, RJ 1975) Poeta biógrafo, professor, jornalista, historiador, prêmi ABL (1944 e 1973).

Obras

As Últimas do outono, 1973

Canções do infinito, 1943

Cantigas da mata, 1936

Delírio de Pã, 1938

Epopéia heróica, 1941

Iocaloa, 1932

Maria da Graça, 1931

Ronda luminosa, 1934

Teia de aranha, 1930