Ilustração de Walter M. Baumhofer.
O coração de quem ama
é misterioso e profundo:
Tem o calor de uma chama
e a imensidade de um mundo!
(José Nogueira da Costa)
Ilustração de Walter M. Baumhofer.
O coração de quem ama
é misterioso e profundo:
Tem o calor de uma chama
e a imensidade de um mundo!
(José Nogueira da Costa)
Sorria, ilustração de John Atherton, 1948, capa, Saturday Evening Post.
O sorriso é flor de sebe,
perfume de resedá.
Anima a quem o recebe,
embeleza a quem o dá.
(Nair Starling)
Tio Patinhas quer saber quanto vai ganhar, © Estúdios Disney.
Conhecida e ingênua farsa.
Quem fala mal do dinheiro,
regra geral, nem disfarça…
Corre atrás dele primeiro!
(Nair Starling)
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Menase Vaidergorn (Brasil, 1927)
óleo sobre tela, 40 x 60 cm
–
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P. Carlos e Araújo
–
–
Ginga marota
no passo do samba
aí bateria
segura a cuíca
aperta o pandeiro.
–
Corpos pulando
bamboleando na ponta do pé.
Parada no ar, meia volta,
o couro come.
–
Cabrocha assanhada
que pula pro lado
e pula pra frente
teu corpo balança
no ritmo quente.
O dia inteiro
trabalhou no tanque
mas de noite é rainha
puxa o passo na quadra,
seus pés, tão rápidos,
não se vêem.
Só poeira
mistura de ginga e suor.
O corpo quente
cabelos soltos
braços polidos
sorriso livre
avermelhado
dentadura branca
saia de chita
pompons azuis.
–
Depois, a chuva
pancada forte
vendaval
correrias
coreto vazio
cuíca no chão.
–
Em: O inimigo oculto, P. Carlos de Araújo, Rio de Janeiro, Ed. Gávea: 1988.

Envolto neste mistério,
fico, assim, me perguntando
se brincas, falando sério,
ou falas sério, brincando…
(Roberto Medeiros)

Mãos falam! … Todos entendem
o seu idioma calado
e até as feras compreendem
a doce fala do agrado.
(Heribaldo Gerbasi)

Ao sentir que a noite nasce,
fecho as cortinas, ligeiro,
pra que o luar não te abrace
sem que eu te abrace primeiro!
(Sérgio Bernardo)

“A bolsa ou a vida” – eu ouço
e retruco as ironias:
— Que leve as duas, seu moço,
pois ambas estão vazias.
(Roberto Medeiros)
Colheita
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885 – 1962)
óleo sobre tela, 29 x 38 cm
Paulo Setúbal
Lá vem o dia apontando…
Que afã! Já todos de pé!
Ruidosos, tagarelando,
Vão os colonos em bando
Para os talhões de café.
À luz do sol que amanhece,
Por montes, por barrocais,
Por toda parte esplandece,
Com sua esplêndida messe,
O verde dos cafezais.
Começa o rude trabalho.
Que faina honrada e feliz!
Inda molhados de orvalho,
Flamejam, em cada galho,
Os bagos como rubis.
Trabalham. que ardor de mouro!
Todos derriçam café.
Parece um rubro tesouro,
Que cai numa chuva de ouro,
Dos ramos de cada pé.
Ao meio-dia, aos ardores
Do alto sol canicular,
Os rudes trabalhadores,
Ao longo dos carreadores,
Põem-se todos a cantar.
Pela dormência dos ares,
Sob estes céus cor de anil,
Cantam canções populares,
Que lá, dos seus velhos lares,
Trouxeram para o Brasil.
Aqui, um forte italiano,
Queimado ao sol do equador,
Solta aos ventos, belo e ufano,
Num timbre napolitano,
A sua voz de tenor!
Há uma terna singeleza
Nas trovas que um outro diz;
Um rapagão de Veneza
Tem, no seu canto, a tristeza
Das águas do seu país.
E uma sanguínea espanhola,
De grandes olhos fatais,
Em baixa voz cantarola
Uns quebros de barcarola,
Magoados, sentimentais…
Que cantem! … Essa cantiga
Brotada do coração,
Seja a prece que bendiga
A terra que hoje os abriga,
A pátria que lhes dá pão.
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, pp. 56-57.
Ramo de violetas, 1872
Edouard Manet (França, 1832 – 1883)
óleo sobre tela, 22 x 27 cm
Coleção Particular
Raquel Naveira
Estou em perigo:
Uma angústia,
Um desejo de morrer,
Minhas pétalas murcham
Num roxo mortiço,
Perco o viço,
De amor tão intenso
Desfaleço.
Estou em perigo:
Uma felicidade,
Um deleite,
Minhas raízes sugam húmus,
Encharcam-se,
Amoleço.
Estou em perigo,
Nada no mundo me vale nesse transe;
Num jardim cheio de sombras
Permaneço.
Quando Ele me toma
Entre seus dedos de sol
E me sopra ânimo e coragem,
Fortaleço.
Sem encontrar apoio na terra,
Sem poder subir ao céu,
Vivo frágil,
Presa num caule suspenso.
Em: Casa e Castelo, Raquel Naveira, São Paulo, Escrituras: 2002, p.61