Xilogravura poli-cromada japonesa. Ignoro a autoria.
Morro de inveja do mar,
felizardo, vagabundo,
que não se cansa em beijar
as praias de todo o mundo!
(Cesídio Ambroggi)
Morro de inveja do mar,
felizardo, vagabundo,
que não se cansa em beijar
as praias de todo o mundo!
(Cesídio Ambroggi)
Todo “barbeiro” sustenta
que a batida foi assim:
– Veio um poste a mais de oitenta,
na contra-mão, contra mim!…
(Izo Goldman)
Sou jardineiro imperfeito,
pois, no jardim da amizade,
quando planto um amor-perfeito,
nasce sempre uma saudade…
(Adelmar Tavares)
Professores são abelhas
distribuindo, em seu afã,
os polens que são centelhas
das flores de um amanhã!
(João Paulo Ouverney)
Bicicleta de Paraty, 2008
Arluce Gurjão, (Brasil, 1968)
óleo sobre tela, 30 x 40 cm
Manoel de Barros
Coração preto gravado no muro amarelo.
A chuva fina pingando… pingando das árvores…
Um regador de bruços no canteiro.
Barquinhos de papel na água suja das sarjetas…
Baú de folha-de-flandres da avó no quarto de dormir.
Réstias de luz no capote preto do pai.
Maçã verde no prato.
Um peixe de azebre morrendo… morrendo, em
dezembro.
E a tarde exibindo os seus
Girassóis, aos bois.
Nos meus tempos de menino
tinha na palma da mão
a fieira do destino
nas voltas do meu pião!
(Antonio Claret Marques)
Quando criança eu queria
crescer dez anos num mês
e, agora, o que não daria
pra ser criança outra vez!…
(Elton Carvalho)
Brincadeira de roda
Paulina Kaz (Brasil, 1915-2001)
óleo sobre tela, 59 x 81 cm
Com crianças tagarelas,
em meu rancho alegre e lindo,
até portas e janelas
vivem cantando e sorrindo!
(Orlando Brito)
A brisa afasta a cortina,
e uma nesga de luar,
fugindo à fria neblina,
vem aos meus pés se abrigar.
(Dorothy Jansson Moretti)
Adherbal de Carvalho
(1869-1915)
(A uma moça que me põe uma pulseira no braço)
Tenho beijado esta pulseira olente,
Cheia de amor e cheia de magia!
Aperto-a ao coração constantemente,
Como um sinal da tua simpatia!
Os elos, que se prendem nos meus braços,
Creio que têm um pouco de tua alma;
Alma subtil, voando nos espaços,
Alma de amor, que o meu delírio acalma!
Constantemente, eu a tateio a medo
E com caricia levo-a ao meu ouvido,
Afim de ver se encerra algum segredo
Que o teu amor acaso haja escondido!
E, no entanto, é tão fria, tão pacata,
Como o metal argênteo de que é feita!
Não há nada tão frio como a prata,
Ou como este aro que o meu braço enfeita.
Apesar d’isso, sei-a amar, querida,
E quero-a tanto como a ti desejo;
Pois vejo n’ela a minha e a tua vida,
O nosso amor entrelaçando um beijo!
Em: Efêmeras, Adherbal de Carvalho, 1894.









