Você nem sabe a ventura
que me traz seu bem-querer:
se é paixão ou se é loucura,
eu não quero nem saber!
(Ana Maria Motta)
Você nem sabe a ventura
que me traz seu bem-querer:
se é paixão ou se é loucura,
eu não quero nem saber!
(Ana Maria Motta)
Planejo a carta e o maldoso
orgulho logo desponta
E caneta de orgulhoso
não tem tinta e não tem ponta!
(Ana Maria Motta)
O pato teve um ataque
quando a casca se partiu;
ansioso, esperava um “Quac!”
e o que escutou foi um – “Piu”!
(Pedro Ornellas)
Passam crianças depressa,
levando livros nos braços…
É o futuro que começa
a dar os primeiros, passos.
(Durval Mendonça)
— Viste que broche ofuscante
traz ela preso ao vestido?
Muito lindo! É diamante?…
— Não, meu bem, é do marido.
(Albércio Vieira Machado)
Bordam, soltos, seus cabelos,
caracóis negros na fronha,
e eu, insone, horas a vê-los,
fico a sonhar com quem sonha…
(Edgard Barcellos Cerqueira)
Uma vez tu me beijaste
e eu fiquei pobrezinha,
porque num beijo levaste
todos os beijos que eu tinha.
(Alda Pereira Pinto)
Que seria deste mundo,
não fosse o livro existir?
Seria treva o passado,
um sol sem brilho o porvir.
(Elpídio Reis)
O vento, com pé macio,
passou pelo meu jardim,
e como guri vadio,
nas minhas rosas deu fim.
(Carlos Ribeiro Rocha)
Reynaldo Valinho Alvarez
um domingo uma tarde um menino na rua
e à frente como um sol uma bola de cor
enquanto acima o sol real se espreguiçando
cai sobre o tempo morno e absorto do passado
em lentas gotas rubras num solene rio
um domingo uma tarde uma árvore frondosa
irrompendo na rua como um cone verde
enquanto as aves chamam o parceiro ausente
e os muros alvacentos gritam sob a luz
o prazer de brilhar na mornidão tranquila.
como pedir ao tempo
escasso e errante pingo
que fixe para sempre
a tarde de domingo?
Em: A faca pelo fio: poemas reunidos, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Imago: 1999, p.12









