Imagem de leitura — Géza Vörös

2 04 2012

Mulher com livro, 1943

Géza Vörös (Hungria, 1897-1957)

óleo sobre tela

Geza Voros nasceu em Nagydobrony, na Hungria em 1897.  Estudou na Academia de Belas Artes de Budapeste. Aos 19 anos expôs seu primeiro trabalho.  Morou em Nagybánya e Szolnok, ambas colônias de arte na Hungria. Foi nesse período que conheceu sua futura esposa, Anna, que se tornou o principal modelo para suas pinturas de figurativas. Fez bastante sucesso com as suas naturezas-mortas e  pinturas de interiores também. Em 1927, foi a Paris, a estudo.  Lá conheceu Matisse que daí por diante exerceu  grande influência sobre ele: veja os contrastes ousados de cores e os detalhes ornamentais. Morreu em Budapeste em 1957.





Lima Barreto: “O destino do Chaves “, um conto ainda relevante

31 03 2012

Caricatura portuguesa sobre a política, de Alonso, 1923.

O destino do Chaves

Lima Barreto

Trouxe Chaves, quando nasceu, o nome de Felismino.  Seus padrinhos, a pedido dos pais, conservaram-lhe o nome do Santo do dia do seu nascimento; mas acrescentaram a este, o de Felicíssimo.  Veio a chamar-se, portanto, Felismino Felicíssimo Chaves da Costa.

Antes do batismo, sua mãe, senhora duplamente crente, tanto na Igreja Católica como nas práticas da adivinhação e feitiçaria, mandou chamar algumas pessoas conspícuas  e entendidas nessas últimas misteriosas coisas e pediu-lhes que dissessem o futuro da criança. A mãe de Chaves ainda estava de resguardo; e as “fadas” locais disseram a “buena-dicha” do pequeno.

Falou em primeiro lugar a Victoria, uma velha indiática, originária da raça extinta dos Caetés, aqueles indígenas sacrílegos que, logo nos primórdios da colonização do Brasil, não trepidaram em cremar as carnes do primeiro bispo do nosso país, D. Pero Fernandes Sardinha.

A velha cabocla falou em primeiro lugar e com brevidade:

— Iaiá, ele vai longe; vai ser grande coisa.

Disse isto, após ter feito algumas gatimonhas, caretas e cuspinhar nos quatro cantos do aposento, que ainda rescendia a alfazema.

Seguiu-se à velha índia, a não menos velha Maria Ângela, uma preta da raça catrinta, rainha do terreiro e respeitada por toda aquela redondeza, pelo poder de seus bruxedos e feitiços.

Era aparecer alguém com moléstia tenaz, queixar-se de atrasos de vida ou desgraças domésticas, todos aconselhavam a una você:

— Isto, D. Dadá – por exemplo – é “uma coisa feita”.  Não há que ver!  Porque a senhora não procura a tia Maria Ângela, para cortar?

Sendo assim famosa e respeitada, indo ler o horóscopo do infante Felismino, esperava ser a primeira ouvida.  Não o foi, porém; agastou-se. Contudo, não deixou cair o seu despeito.

Quando chegou a sua vez de deitar o vaticínio, preliminarmente fez uns passos de jongo, em melopeia horrível e profética:

— Sim, menino, meu anjinho: vancê será grande coisa… Mamãe é bem boa… Eu não corta... Mas vancê não será feliz naquilo que vancê e os seus quisé.

A mãe não se conteve e perguntou:

— Em que será então?

A velha negra não teve tempo de responder.

Pai Luís, um velho preto congo, também entendido nessas coisas transcendentes de adivinhar o futuro dos outros, e que viera prognosticar a vida a vir de Felismino, apressou-se, um tanto amuado, em afirmar:

— Eu não gunguria ningror; não qué botá biongo nem mangá; mas eu diz que criança sê macota no que ele não sabe.

Chaves fez-se rapazola e foi matriculado na escola militar do Ceará, porque em criança andava de chapéu armado, feito com jornal, tendo uma espada de bambu na cinta e corria pela chácara paterna, montado num cabo de vassoura. Era um bom augúrio para uma bela carreira militar…

Não acabou o curso e foi desligado por falta de pontos. Terminou mal ou bem, aos tombos os preparatórios, e foi mandado estudar medicina, na Bahia.  Foi logo reprovado em Botânica e Zoologia, no primeiro ano.  Tomou então a resolução de estudar direito. Formou-se afinal. Fez-se promotor, juiz, ganhou influência na comarca. Guindaram-no a deputado. Ele viveu, na Câmara Federal, calado e, por isso mesmo, logo foi feito senador pelo seu estado natal.

Veio a governar a República o Imperador Pechisbeque. Um belo dia, sem saber como, Felismino Felicíssimo Chaves da Costa deitou-se senador e levantou-se da cama ministro do estado dos negócios da Marinha.

Todos os horóscopos dos feiticeiros de sua terra se haviam cumprido exatamente.

15-12-1920

Em: A Nova Califórnia e outros contos, Lima Barreto, seleção e apresentação de Flávio Moreira da Costa, Rio de Janeiro, Revan: 1994.





Prima Belinha, de Ribeiro Couto: retrato de um Brasil inocente

17 10 2011

Mulher com turbante, 1930

Oscar Pereira da Silva (Brasil,1867-1939)

óleo sobre tela, 41 x 33 cm

PESP — Pinacoteca do Estado de São Paulo

Este é um romance leve, encantador, que retrata um Brasil de surpreendente inocência.  Prima Belinha foi o primeiro romance de Ribeiro Couto, escrito “quase todo em 1926” —  como o autor explica na apresentação — mas só publicado em 1940, depois que o autor já havia se tornado membro da Academia Brasileira de Letras.

O romance segue a vida de um jovem mineiro que,  praticamente deixado à porta do altar por sua prima de quem se considerava noivo desde sempre, vem para o Rio de Janeiro.  Na capital do país ele encontra uma situação política diferente daquela a que estava acostumado em S. Antonio do Mutum, onde seu pai era chefe político.  Sem rumo, sem ambição definida, José Viegas, que não tinha aptidão para coisa alguma além do bem e quieto viver no interior do país,  não consegue, como esperava um bom emprego.  A influência política de seu pai, forte no interior, não tem a importância que ele ou o pai imaginavam.  Na falta de melhor oportunidade, Viegas permanece na capital.

A simplicidade do movimento político retratado reflete a inocência de José Viegas.  Recém-chegado à capital, o jovem, por vingança de amor, se envolve numa trama para derrubar o governo que desde o início o leitor desconfia não ter respaldo.  Fadada ao insucesso, a aventura do mineiro em terras cariocas lembra o despreparo político do cidadão comum, e a inocência da sociedade brasileira da década de 1920.

Ribeiro Couto

A deliciosa prosa do autor com um estilo leve, mas preciso, esconde habilmente qualquer crítica social.  Isso ele deixa ao leitor, que nos dias de hoje, acha difícil acreditar em um mundo tão inocente quanto o representado, quer em Minas quer no Rio de Janeiro.  Vamos e venhamos, fica difícil, nos dias de hoje, imaginar, um grupo de revolucionários encontrando-se nos fundos de uma padaria do subúrbio, aonde chegam através de prosaicas viagens de bonde.  Talvez, mesmo em 1926, quando o romance foi escrito, essa realidade parecesse propositadamente inocente.  Mas com os olhos da segunda década do século XXI ela parece imensamente anacrônica.  Seria surpreendente então dizer que Prima Belinha é uma boa leitura?  Não, não é surpresa.  A prosa de Ribeiro Couto encanta.

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Você encontra neste blog um poema de Ribeiro Couto:  INSÔNIA





Imagem de leitura — Léon Kamir Kaufman

10 09 2011

Mulher lendo, 1921

Léon Kamir Kaufman ( Polônia 1872-1933)

Óleo sobre tela

Museu d’Orsay, Paris

Léon Kamir Kaufman nasceu na Polônia em 1872.  Foi educado em Varsóvia onde estudou desenho.   Depois disso foi estudar primeiro na Academia de Arte de Munique e depois foi para Paris onde estudou na Académie Julian.  Retornou à Varsóvia por um breve período e em 1902 emigrou definitivamente para a França.  Permaneceu em Paris até o final de sua vida.  Morrei em 1933.   Especializou-se em pintura de gênero, retratos e paisagem.  Ficou conhecido pelas suas cenas noturnas.





Imagem de leitura — Wojciech Weiss

5 09 2011

Renia Czytająca, 1908

Wojciech Weiss (Polonia,  1875 -1950)

óleo sobre tela

Wojciech Weiss nasceu na Polonia em 1875.  Estudou na Escola de Belas Artes de Cracau sob a orientação de J. Matejko, W. Łuszczkiewicz  e  J. Unierzyski.  Mais tarde estudou com  L.Wyczółkowski e J. Fałat.  Depois de graduado fez uma viagem a Paris e a Roma, voltando depois para Cracau onde ensinou na Academia de Belas Artes, sendo diretor dess instituição por duas vezes.   No início de sua carreira pintou dentro da escola simbolista.  Mais tarde, dedicou-se aos retratos e à pintura de gênero assim como às paisagens.  Dedicou-se também à escultura e às artes gráficas.  Morreu em Cracau em 1950.





Imagem de leitura — Genrikh Brzhzovski

4 06 2011

 

 

Mulher lendo, 1969

Genrikh Brzhzovski ( Belorússia, 1912-2008)

óleo sobre madeira, 18 x35 cm

Genrikh Brzhzovski (Belorússia, 1912) Se graduou na Vitebsk escola de arte.  Em seguida estudou no ateliê do pintor  F. Modorov.

 





Imagem de leitura — Tavik Frantisek Simon

26 05 2011

Vilma lendo um livro, c. 1912

Tavik Frantisek Simon ( República Checa, 1877-1942)

óleo sobre tela

www.tfsimon.com

Tavik Frantisek Simon nasceu em 1877, na Boêmia, quando esta ainda era  parte do império austríaco.  Demonstrou aptidão e gosto pela pintura desde cedo e aos 17 anos entrou para a Academia de Arte de Praga.  Formou-se em 1900, não sem antes ter viajado pelos países da costa do Mediterrâneo:  Dalmácia, Bósnia.  Depois de formado, tendo ganho duas bolsas de estudo, foi primeiro para a Itália e depois para Paris.  Ampliou seus conhecimentos e técnica de trabalho nesses dois países e começou a se dedicar à gravura.  Tornou-se um ilustrador de nome, requisitadíssimo e um dos maiores nomes da pintura checa. Faleceu em 1942, na República Checa.





Imagem de leitura — Francisc Sirato

25 03 2011

Mulher sentada lendo, 1932

Francisc Sirato ( Romênia 1877 -1955)

óleo sobre tela,  60 x 50 cm

Museu Municipal de Bucarest

Francisc Sirato ( Romênia 1877 – 1955) Nascido em Craiova, na Romênia ele foi pintor , desenhista e ilustrador —  além de ter se tornado uma das principais personalidades da arte romena da primeira metade do século XX .  Fazia parte do chamado, “Grupo Quatro”, ao lado de Nicholas Tonitza , Dimitrescu Stephen e Han Oscar .   Ainda estudante trabalhou fazendo  cartazes e ilustrações para revistas.  Estudou primeiro em Düsseldorf (1898), em uma oficina de  litografia. Foi em seguida, para a Escola de Belas Artes de Bucareste (1900-1905), colaborando com algumas revistas da época, com desenhos que mostram o seu espírito de crítica.  Em 1917, tornou-se curador do Museu nacional de Arte Folclórica;  em 1933 tornou-se professor na Academia de Belas Artes.   Morreu em Bucareste em 1955,





Imagem de leitura — Édouard Manet

28 01 2011

Senhora lendo, 1879-80

Édouard Manet ( França, 1832-1883)

Óleo sobre tela, 61 x 51cm

Instituto de Arte de Chicago

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Édouard Manet (França, 1832 — 1883) Pintor e artista gráfico, foi de grande importância no desenvolvimento do estilo impressionista, por seus seguidores, tornando-se um dos mais importantes artistas plásticos do século XIX.  Revolucionário não só nas técnicas de pintura mas também pelos temas que escolheu retratar. Um dos pais da arte moderna do século XX.





Imagem de leitura — Franz Becker-Tempelburg

22 01 2010

Leitora no jardim, 1920

Franz Becker-Tempelburg (Alemanha, 1876 — ?)

óleo sobre tela, 61 x 61 cm

Coleção Particular

Franz Becker-Tempelburg nasceu em Berlim em 1876.  Sua vida profissional começou com estudos na Academia de Arte de Berlim, sob a tutela de Emil Döpler.  Estudou também com Max Seliger e L. Meyn.  Pouco se sabe de sua vida ou até mesmo de sua morte.  Ele aparece em todos os catálogos de importância de arte alemã, inclusive o famoso Vollmer e tem algumas obras em museus em Berlim.  Só agora, no final do século XX , quando muitos de seus trabalhos começaram a aflorar no mercado de arte, vindos ao público de coleções particulares, que estamos tendo uma melhor idéia da excelência de sua pintura..  Mas não sabemos nem a data de sua morte.  Possivelmente morreu durante a Segunda Guerra Mundial.