Quadrinha do meu feitiço

13 10 2012

Ilustração de autoria desconhecida.

Pensei fazer um feitiço

para esquecer-te, mas vi

que de tanto pensar nisso

é que penso mais em ti.

(Lilinha Fernandes)





Primavera, Mário Quintana

7 10 2012

Primavera, Ilustração Marie Cramer.

Canção da Primavera

Mário Quintana

(Para Érico Veríssimo)

 –

Primavera cruza o rio

Cruza o sonho que tu sonhas.

Na cidade adormecida

Primavera vem chegando.

 –

Catavento enloqueceu,

Ficou girando, girando.

Em torno do catavento

Dancemos todos em bando.

 –

Dancemos todos, dancemos,

Amadas, Mortos, Amigos,

Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…

Até que as paineiras tenham

Por sobre os muros florido!

Em: Canções, de Mario Quintana, Rio de Janeiro, Globo: 1946





Quadrinha da arte de bem viver

5 10 2012

Ilustração de revista americana do anos 40 do século XX, sem indicação de autoria.

Eis a arte  de viver

num conselho dos mais sábios:

às vezes, para vencer

basta um sorriso nos lábios…

(J.G. de Araújo Jorge)





Quadrinha do aluno confuso

3 10 2012

Pergunta a mestra ao menino,
aluno meio confuso:
– a porca… tem masculino?
– tem, ‘fessora… o parafuso!

(Edmar Japiassú Maia)





Borboletas são? poema de Maria Helena Sleutjes

2 10 2012

Borboletas, ilustração de Brita Barlow, para capa da revista americana Better Homes & Garden, de setembro de 1933.

Borboletas são?

Maria Helena Sleutjes

Borboletas, como explicar?

São insetos…

Nem pensar!

São pedaços coloridos

Que voam.

Isto sim!

São as almas das flores

Visitando os jardins.

Isto sim!

Borboletas, como explicar?

São Lepidópteras…

Nem pensar!

São reflexos de anjos

Que flutuam.

Isto sim!

Borboletas

São pequenas bailarinas

São crianças dançarinas

Pedaços de serpentinas

No canto do meu olhar.

 –





Quadrinha do segredo da felicidade

1 10 2012

Cascão dá flores para Mônica, ilustração de Maurício de Sousa.

Sei que não foge à verdade,
você também pode crer;
em amor, felicidade
é dar mais que receber.


(Nice Nascimento)





O morcego, soneto de Da Costa e Silva

30 09 2012

Morcego, ilustração sem autoria da década de 1920.

O morcego

Da Costa e Silva

Como uma borboleta escura e desconforme,

Suspenso pelos pés com o instintivo emprego

Das garras que o sustém, o mórbido morcego,

Tonto de sono e luz, durante o dia dorme.

Dorme durante o dia; e à noite, ei-lo, conforme

É costume, senhor do pávido sossego,

Abrindo o membranoso e elástico refego

Das asas que-lhe dão um todo demiforme.

Rasgando, em largo voo, a treva ampla e uniforme,

O noturno avejão guincha em desassossego,

A pupila incendida a arder na noite enorme.

E é de ver-se, depois, em lânguido aconchego,

As asas a abanar sobre o animal que dorme,

O sanguinário egoísmo em forma de morcego.

Em: Poesias Completas, Da Costa e Silva, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário]

Antônio Francisco da Costa e Silva ( Brasil, [PI] 1885 — [RJ] 1950) poeta, jornalista.  Advogado, cursou a  Faculdade do Direito do Recife. Trabalho no Ministério da Fazenda.

Obras:

Sangue (1908),

 Elegia dos Olhos, s/d

Poema da Natureza, s/d

Clepsidra, s/d

 Zodíaco (1917),

 Verhaeren (1917),

Pandora (1919),

Verônica (1927),

Alhambra (1925-1933), obra póstuma inacabada,

 Antologia (coleção de poemas publicada em vida – 1934),

Poesias Completas (1950) (1975) (1985), coletânea póstuma.





Quantos Dias — poesia tradicional brasileira

28 09 2012

Reunião de bonecas, ilustração B. Midderigh Bokhorst, 1930.

Quantos dias

Trinta dias tem setembro,

mais abril, junho e novembro

fevereiro, vinte oito tem;

nos bissextos, mais um lhe deem,

e os outros, que sete são,

trinta e um todos terão.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Delta:  sem data





Os relógios, poema de Décio Valente

26 09 2012

Ilustração Kaili.

Os relógios

Décio Valente

Sempre andando,

sem parar um segundo,

vão eles,

em monótono tique-taque,

levando o Tempo

nos finos braços,

que se enlaçam

em contínuos abraços

e marcam,

minuto a minuto,

a pontualidade

das horas tristes e alegres,

que passam…

Em: Cantiga Simples: poesias, Décio Valente, São Paulo:1971





Quadrinha da árvore pelo DIA DA ÁRVORE — 21 de setembro!

21 09 2012

Ilustração Arthur Sarnoff.

Criança, nunca te esqueças

Que as árvores são sagradas;

Nós devemos defendê-las

Das criaturas malvadas.

(Walter Nieble de Freitas)