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Ilustração de autoria desconhecida.
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Pensei fazer um feitiço
para esquecer-te, mas vi
que de tanto pensar nisso
é que penso mais em ti.
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(Lilinha Fernandes)
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Pensei fazer um feitiço
para esquecer-te, mas vi
que de tanto pensar nisso
é que penso mais em ti.
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(Lilinha Fernandes)
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Mário Quintana
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(Para Érico Veríssimo)
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Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.
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Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.
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Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até
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Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!
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Em: Canções, de Mario Quintana, Rio de Janeiro, Globo: 1946
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Eis a arte de viver
num conselho dos mais sábios:
às vezes, para vencer
basta um sorriso nos lábios…
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(J.G. de Araújo Jorge)
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Pergunta a mestra ao menino,
aluno meio confuso:
– a porca… tem masculino?
– tem, ‘fessora… o parafuso!
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(Edmar Japiassú Maia)
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Maria Helena Sleutjes
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Borboletas, como explicar?
São insetos…
Nem pensar!
São pedaços coloridos
Que voam.
Isto sim!
São as almas das flores
Visitando os jardins.
Isto sim!
Borboletas, como explicar?
São Lepidópteras…
Nem pensar!
São reflexos de anjos
Que flutuam.
Isto sim!
Borboletas
São pequenas bailarinas
São crianças dançarinas
Pedaços de serpentinas
No canto do meu olhar.
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Sei que não foge à verdade,
você também pode crer;
em amor, felicidade
é dar mais que receber.
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(Nice Nascimento)
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Da Costa e Silva
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Como uma borboleta escura e desconforme,
Suspenso pelos pés com o instintivo emprego
Das garras que o sustém, o mórbido morcego,
Tonto de sono e luz, durante o dia dorme.
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Dorme durante o dia; e à noite, ei-lo, conforme
É costume, senhor do pávido sossego,
Abrindo o membranoso e elástico refego
Das asas que-lhe dão um todo demiforme.
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Rasgando, em largo voo, a treva ampla e uniforme,
O noturno avejão guincha em desassossego,
A pupila incendida a arder na noite enorme.
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E é de ver-se, depois, em lânguido aconchego,
As asas a abanar sobre o animal que dorme,
O sanguinário egoísmo em forma de morcego.
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Em: Poesias Completas, Da Costa e Silva, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário]
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Antônio Francisco da Costa e Silva ( Brasil, [PI] 1885 — [RJ] 1950) poeta, jornalista. Advogado, cursou a Faculdade do Direito do Recife. Trabalho no Ministério da Fazenda.
Obras:
Sangue (1908),
Elegia dos Olhos, s/d
Poema da Natureza, s/d
Clepsidra, s/d
Zodíaco (1917),
Verhaeren (1917),
Pandora (1919),
Verônica (1927),
Alhambra (1925-1933), obra póstuma inacabada,
Antologia (coleção de poemas publicada em vida – 1934),
Poesias Completas (1950) (1975) (1985), coletânea póstuma.
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Reunião de bonecas, ilustração B. Midderigh Bokhorst, 1930.–
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Trinta dias tem setembro,
mais abril, junho e novembro
fevereiro, vinte oito tem;
nos bissextos, mais um lhe deem,
e os outros, que sete são,
trinta e um todos terão.
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Em: O mundo da criança: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Delta: sem data
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Décio Valente
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Sempre andando,
sem parar um segundo,
vão eles,
em monótono tique-taque,
levando o Tempo
nos finos braços,
que se enlaçam
em contínuos abraços
e marcam,
minuto a minuto,
a pontualidade
das horas tristes e alegres,
que passam…
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Em: Cantiga Simples: poesias, Décio Valente, São Paulo:1971
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Ilustração Arthur Sarnoff.–
Criança, nunca te esqueças
Que as árvores são sagradas;
Nós devemos defendê-las
Das criaturas malvadas.
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(Walter Nieble de Freitas)