Marés, poesia de Luís Pimentel

22 08 2013

Mar, ilustração de George Barbier.

Marés

Luís Pimentel

A vida dá muitas voltas

e volta sempre ao começo.

Nos mostrando em cada volta

seus passos e seus tropeços.

A vida é maré revolta.

A morte é que vem de berço.

Em: O calcanhar de Aquiles, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004





Quadrinha da sabedoria

18 08 2013

pensando, Jonathan Greene, distant-thoughtsIlustração, “Pensamentos distantes”, Jonathan Green. www.jonathangreenstudios.com

Há tempo de flor… de espinho…
Tempo de ouvir… de falar…
Tempo de dar um tempinho…
Tempo.. de o tempo matar!

(Dirce Davenia Guayato)





Quadrinha do pássaro na gaiola

10 08 2013

Capa da revista Fruit & Garden, década 1910.

Um pássaro engaiolado

qualquer maldade suplanta.

Pois ele foi condenado,

simplesmente porque canta!

(Hildemar de Araújo Costa)





Quadrinha para o Dia dos Pais

8 08 2013

papai e filhinha

Dia dos Pais,  eu  desejo

que seja um dia de brilhos,

que a brisa leve o meu beijo

a  cada  pai  e  seus filhos!

(Delcy Canalles)





Quadrinha do bom pintor

5 08 2013

pintor, patetaPateta vira pintor, ilustração Walt Disney.

O bom pintor, quando pinta

para dar vida à aquarela,

põe mais amor do que tinta

no sentimento da tela.

(José Lucas de Barros)





A chuva, poesia infantil de Bastos Tigre

2 08 2013

Chuva, guarda-chuva, vento, acidente, margret borissCartão postal com ilustração de Margret Boriss.

A chuva

Bastos Tigre

— Mamãe! Que chuvinha enjoada!

Me deixou toda molhada,

Sapato, roupa e chapéu!

Não serve mesmo pra nada

Esta água que cai do céu…

— Não digas tal, minha filha:

A chuva é uma maravilha

Pois ela molhando o chão,

Faz crescer a couve, a ervilha,

O arroz, o milho, o feijão.

A chuva, molhando a terra,

Cobre de flores a serra,

Amadurece o pomar,

E a semente que se enterra

A chuva é que faz brotar.

Por isso é que a chuva é boa

E a terra seca a abençoa…

— Sim, Mamãe, compreendo bem.

Mas por que é que a chuva, à toa,

Cai nas calçadas também?

Em: Antologia Poética de Bastos TigreBastos Tigre, 2 volumes, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1982, 1º volume, p. 241.





Quadrinha do criminoso

29 07 2013

Ladrão, batendo no ladrãoMonica faz justiça, ilustração de Maurício de Sousa.

Neste mundo de cobiça,

o criminoso se esquece

que embora falhe a justiça,

sempre a verdade aparece.

(Simeão Cohen)





Recém-nascido, poema de Stella Leonardos

27 07 2013

Aurélio D´Alincourt (1919-1990) carinho maternal, ose, 46 x 38Carinho Maternal,s/d

Aurélio d’Alincourt (Brasil, 1919-1990)

óleo sobre  madeira,  46 x 38 cm

Recém-nascido

Stella Leonardos

Penugem de ave pequena.

No corpo fruta macia.

Na pele fresca açucena.

Na vida raiar do dia.

Raio de luz, ilumina.

E sendo pássaro e planta

É inocência que germina,

É madrugada que canta.

Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.11

 

 





Quadrinha da lágrima

21 07 2013

chorando 2Ilustração Girls’ Romances, Publicado por Arleigh Publishing (DC). Agradeço à leitora Luiza por ter me mandado a identificação desse desenho, como mostra o comentário nessa postagem.

A lágrima comovida,  

que vem de dentro de nós,

é uma palavra sofrida

que chega aos olhos sem voz.

(Hegel Pontes)





Harmonicórdio, poesia de Fagundes Varela

19 07 2013

ROSINA BECKER DO VALLE (1914 - 2000)Floresta com animais, o.s.t. - 60 x 73. Assinado cie e datado 1966A Floresta, 1966

Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914-2000)

óleo sobre tela,  60 x 73 cm

Coleção Particular

Harmonicórdio

Fagundes Varela

O homem fala e a mulher cochicha,

O papagaio palra, o corvo grasna,

Cacareja a galinha, a rã coaxa,

Gorjeia o sabiá, chilra a cigarra;

Late o cão, mia o gato e grunhe o porco,

A raposa regouga, o touro muge,

Arrulha a linda pomba, zurra o asno,

Assobia o macaco e berra a cabra;

Ruge o leão, mas o corcel relincha,

Silva a serpente e o fradalhão se esgoela,

compõe o mestre belas harmonias,

— Só o poeta as compreende e canta!

Em: Poesias Completas de Fagundes Varela, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: 1965, p. 166