Ilustração anônima.
Mãos em obras, em conquistas,
mãos no campo, em hospitais,
mãos em prece, mãos de artistas,
tão diversas, tão iguais…
(Orlando Brito)
Ilustração anônima.
Mãos em obras, em conquistas,
mãos no campo, em hospitais,
mãos em prece, mãos de artistas,
tão diversas, tão iguais…
(Orlando Brito)
Ilustração de Maurício de Sousa.
Para ter com quem falar
a velhinha sem ninguém
vai ao padre confessar
os pecados que não tem…
(José Carlos de L. G.)
Ilustração de John Millar Watt.
No portão os namorados
são como barcos no cais,
pelos beijos amarrados,
querem ir e ficam mais.
(Cleonice Rainho)
Ilustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.
Almir Correia
O grilo
gritou no saco
gritou no papo
do sapo
gritou no poço
gritou na cara do moço
gritou no mato
gritou no
sa
………..pato.
E de repente
pra espanto da gente
não gritou mais.
Noite no campo, ilustração de Sylvie Daigneault.
Orvalha, e da flor molhada
brota uma lágrima, e corre.
— Silêncio!, que a madrugada
pranteia a noite que morre…
(Elton Carvalho)
Cemitério de estrada, próximo a Neuve Église
George Edmund Butler (Inglaterra, 1872 – 1936)
aquarela
Manuel Bandeira
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto aqui.
Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 88-89.
–
Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)
óleo sobre placa, 29 x 39 cm
–
–
Zalina Rolim
–
Longe da estrada, à beira do riacho
que molha os pés revoltos da colina,
vejo-lhe o teto enegrecido e baixo
e a cancelinha baixa e pequenina.
–
Da chaminé desprende-se um penacho
de fumo branco… Levemente inclina
as verdes palmas sobre o louro cacho,
do coqueiro frondoso, a aragem fina…
–
Faísca o sol. Do terreirinho à frente
galinhas, patos, debicando o milho,
batem as asas preguiçosamente.
–
Nenhum rumor de pássaros palpita,
e a roceirinha, adormecendo o filho,
canta lá dentro uma canção bonita.
–
–
Em: Criança Brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1949, pp, 73-4
Cartão postal, início do século XX.
Ironia caprichosa
do tempo ao traçar caminhos:
transforma o botão em rosa
e enche a roseira de espinhos!
(Pedro Ornellas)
Cartão postal, Agnes Richardson (Inglaterra, 1885-1951)
No desejo de pescar
um pouquinho de esperança,
eu espero conquistar
um beijinho de lembrança…
(Olivaldo Júnior)
Ilustração de Anne Anderson.
Lá vai a vida, girando.
Então, giremos também,
que a vida gira, levando
os sonhos que a gente tem.
(Jesy Barbosa)
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