Trova da saudade

23 07 2014

 

 

 

varanda,FruitGardenAndHome1924-06Capa da revista Fruit, Garden & Home, junho de 1924 [EUA].

 

Mandei a ilusão embora.

A saudade quis entrar.

Há tanto espaço lá fora

mas ela insiste em ficar.

 

(Zeni de Barros Lana)

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Trova do uniforme

20 07 2014

 

 

???????????????????????????????Irmão Metralha consulta um atlas à procura do tesouro do tio Patinhas, ilustração Walt Disney.

 

Que elegante está você!

Este pijama é perfeito!

Só não entendo porque

tantos números no peito!???

 

 

(José Ouverney)





Trova de uma resposta

15 07 2014

 

amorosoAutoria desconhecida.

 

– Oh! Que demora sem fim

para tua decisão!

Chegou tão tarde o teu sim,

que já parecia um não!

 

 

(José Lucas de Barros)





A mochila, poesia de Reynaldo Valinho Alvarez

30 06 2014

 

 

elizabeth beckerIlustração de Elizabeth Becker.

 

 

A mochila

Reynaldo Valinho Alvarez

 

Carrego na mochila, entre outros trastes,

três ou quatro verdades importantes.

O resto é de mentiras. São contrastes

que entrego às outras partes contrastantes.

A lira não me vale. São desastres

o que encontro nos outros caminhantes.

Na terra devastada, erguem-se as hastes

das lanças e dos canos fumegantes.

A mochila me pesa. As três verdades

ou quatro, já não sei, não pesam tanto,

mude-se o tempo e mudem-se as vontades.

O que me dói ou pesa, ou o que é um espanto

é que um modesto grama de inverdades

valha um tonel de torpe desengano.

 

 

Em: Galope do tempo, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 55





Milagres, poesia de Domingos Pellegrini

27 06 2014

Natureza morta, 2008

Florêncio [Carlos José dos Santos] (Brasil, 1947)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

Milagres

Domingos Pellegrini

O milagre da uva

virar vinho

e o vinho virar

vinagre

O milagre da flor

virar semente

e a semente virar

uma baita árvore

O milagre das pedras

sua lenta vida

rocha virando areia

E o milagre dos astros

o universo tecido

de órbitas e estrelas.

Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





Alguns favoritos do desafio de escrita, Dia 6— #PHpoemaday

6 06 2014

 

 

Mark Spain THE LOVE LETTER, Great Britain, Contemp.

A carta de amor

Mark Spain (Inglaterra, 1962)

óleo

 

Tema: Azul

 

Eu sei de cor

 

Silvia Nice

 

Eu sei de cor
Mar, luar, firmamento,
presentes já no paraíso,
cor primária e cor-pigmento
Adão e Eva já sabiam disso?
É cor de menino, é a cor de planetas,
está na bandeira, mas uso em caneta
é bebê, é petróleo, é turquesa, é marinho,
é safira, é viagra, é até ararinha
Se nos olhos, beleza
No sangue, nobreza
Dos quadrinhos pras lentes
é a cor mais quente
Na TV fez sucesso
mas já deu, tô de boa,
meu humor se perdeu
naquela tal Lagoa
Figurando no cine
pintou os sets
quis se destacar
com legenda, foi Jasmine
coloriu a Smurfette
e em 3D foi Avatar
Escravos libertos do plantio do algodão
aliviavam a dor de seus corpos nus
clamavam com a voz do coração
o olhar divino cantando Blues
Estimula mesmo a criatividade
olha só o pinguinho de tinta
no papel da Aquarela
Mas não posso negar a verdade
das sete cores do arco
eu prefiro a amarela.

 

Cores se igualam a amores

Nathalya Delgado

 

Cores se igualam a amores.
Cores se incluem a lugares.
Cores se espalham pelos mares.
Cores que alegram os lares.
Uma cor decora meus amores.
Uma cor se integra aos meus lugares
Uma cor encanta os meus mares.
Uma cor se destaca nos meus lares.





Dia 6: Azul, desafio da escrita, #PHpoemaday

6 06 2014

 

 

Old_guitarist_chicagoO velho violeiro, 1904

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela, 122 x 82 cm

The Art Institute, Chicago

 

Tema: Azul

 

Azul o quê?

Não sou fã da cor azul.
Só no céu.
De preferência como pano de fundo
De uma frondosa bananeira,
De uma grande mangueira,
De pitangueiras e jabuticabeiras.
Por trás de uma montanha,
Enquadrando a paisagem bucólica,
Ou contrastando com um flamboyant.
Não há rosas azuis. Nem tulipas.
Nem comidas, nem bebidas.
Fruta tropical não se passa por azul.
Nem o mirtilo que é roxo e europeu.
A baleia azul, não o é…
Tampouco é o “blue cheese”.
Azul para mim é uma cor triste.
Não sou a única.
Picasso triste é azul.
No Irã é a cor do luto.
É a cor do nada, na televisão…
Indefinível, precisa de companhia para existir:
Azul-bebê, azul- turquesa, azul-marinho, azul-celeste, azul-anil,
Azul cobalto, azul-ardósia, azul-petróleo, azul-aço, azul-cadete,
Azul-pólvora, azul meia-noite, azul-furtivo, azul da Pérsia.
Em inglês, significa tristeza.
Are you feeling blue?
Não. Não estou deprimida”, respondo.
Estou verde e amarela…

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014

 

 

 





Dia 5: Pela sua janela hoje, desafio da escrita, #PHpoemaday

5 06 2014

 

 

Burle-Marx2

Sem título, 1941
Roberto Burle Marx (Brasil, 1909-1994)
óleo sobre tela
Coleção Roberto Marinho

 

Tema de hoje: Pela sua janela hoje

 

Por minha janela hoje

Por minha janela hoje vejo o mundo passar.
Por ela, entrou a pena branca de um pássaro em voo,
e a brisa fria que me esfriou as orelhas.
Da minha janela ouço o soluço da araponga na mata;
o zumbido de um jato nos céus; e no buriti, a arruaça dos maracanãs inquietos.
O mangueiral em flor anuncia um verão saboroso,
enquanto a névoa no horizonte lembra os dias curtos de inverno.
Por minha janela, hoje, entrou a réstia de sol com que esquentei minhas mãos,
e o perfume do jasmim que plantamos juntos no portão.
Por ela, vejo que as abelhas continuam na lida,
e os colibris dançam com as flores mais vistosas.
A relva orvalhada me colore de esperança.
No beiral, as lagartixas tomam banho de sol.
Hoje, por minha janela, espero.
Espero por você que não mandou notícias.
Espero por você, enquanto vejo o mundo passar.

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014.





Dia 4: Sua paixão, desafio da escrita, #PHpoemaday

4 06 2014

 

 

 

1754277

 

Sua paixão

 

Sua paixão eram os relógios-cuco.
Tinha mais de oitenta espalhados pela casa.
Cantavam todos em coral ao meio dia.
Quando morreu levou consigo
a voz da passarada.

©Ladyce West, Rio de Janeiro:2014





Alguns favoritos do desafio de escrita, Dia 3 — #PHpoemaday

4 06 2014

 

 

estelles-bartual-rafael (Espanha)Minha filha Amparo, lendo, 1953

Rafael Estelles Bartual (Espanha, 1900-1985)

óleo sobre tela, 100 x 80 cm

www.estellesbartual.es

 

 

 

Tema: ESPELHO

 

Espelho

Victória Albuquerque

Mão direita,
Esquerda mão.
Cabeça nas nuvens,
Pé no chão.
Versificar,
Ver se está bem.
Cicatriz fina,
Aqui também.
Olhar brilhando,
As duas têm.
E o desconhecido
Habita o lado de cá também.

 

 

O Espelho

Ana Carolina Souza


Tantos espelhos
Um em cada canto
Tinha medo de perder
De perder-se
E perdeu
Tantos espelhos
Um em cada canto
Tinha medo de ser esquecida
De esquecer-se
E esqueceu
Esqueceu que era bela
Que era ela
Que era única…

 

 

De Enrique Coimbra outro tipo de contribuição:

 

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