Desconheço a autoria.
Professores são abelhas
distribuindo, em seu afã,
os polens que são centelhas
das flores de um amanhã!
(João Paulo Ouverney)
Professores são abelhas
distribuindo, em seu afã,
os polens que são centelhas
das flores de um amanhã!
(João Paulo Ouverney)
Nos meus tempos de menino
tinha na palma da mão
a fieira do destino
nas voltas do meu pião!
(Antonio Claret Marques)
Quando criança eu queria
crescer dez anos num mês
e, agora, o que não daria
pra ser criança outra vez!…
(Elton Carvalho)
Casario
Antonio Ferrigno (Itália-Brasil, 1863 – 1940)
óleo sobre madeira. 35 x 27 cm
Adélia Prado
Ao entardecer no mato, a casa entre
bananeiras, pés de manjericão e cravo-santo,
aparece dourada. Dentro dela, agachados,
na porta da rua, sentados no fogão, ou aí mesmo,
rápidos como se fossem ao Êxodo, comem
feijão com arroz, taioba, ora-pro-nobis,
muitas vezes abóbora.
Depois, café na canequinha e pito.
O que um homem precisa pra falar,
entre enxada e sono: Louvado seja Deus!
Brincadeira de roda
Paulina Kaz (Brasil, 1915-2001)
óleo sobre tela, 59 x 81 cm
Com crianças tagarelas,
em meu rancho alegre e lindo,
até portas e janelas
vivem cantando e sorrindo!
(Orlando Brito)
A brisa afasta a cortina,
e uma nesga de luar,
fugindo à fria neblina,
vem aos meus pés se abrigar.
(Dorothy Jansson Moretti)
Menina lendo
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela, 65 x 90 cm
“Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma
É chuva – que faz o mar.”
Castro Alves
Nota: Esse é um sexteto do longo poema O Livro e a América
Adherbal de Carvalho
(1869-1915)
(A uma moça que me põe uma pulseira no braço)
Tenho beijado esta pulseira olente,
Cheia de amor e cheia de magia!
Aperto-a ao coração constantemente,
Como um sinal da tua simpatia!
Os elos, que se prendem nos meus braços,
Creio que têm um pouco de tua alma;
Alma subtil, voando nos espaços,
Alma de amor, que o meu delírio acalma!
Constantemente, eu a tateio a medo
E com caricia levo-a ao meu ouvido,
Afim de ver se encerra algum segredo
Que o teu amor acaso haja escondido!
E, no entanto, é tão fria, tão pacata,
Como o metal argênteo de que é feita!
Não há nada tão frio como a prata,
Ou como este aro que o meu braço enfeita.
Apesar d’isso, sei-a amar, querida,
E quero-a tanto como a ti desejo;
Pois vejo n’ela a minha e a tua vida,
O nosso amor entrelaçando um beijo!
Em: Efêmeras, Adherbal de Carvalho, 1894.
Célia de Cássia
“Escrevo-te pra dizer-te”, meu amor,
que minhas já não são as tuas cartas.
De folheá-las — velhas, já sem cor —
as minhas mãos nunca ficaram fartas!
As tuas cartas! Doces e amargas…
Luar iluminando com fulgor
a minha escura estrada! Portas largas,
abrindo pra jardins plenos de flor!
Vão publicá-las. Dei-as de presente
(perdoa, amado, essas ideias loucas
que a meu viver já deram mil escolhos…)
Quero, dando-as a ler a toda gente,
que o amor que morreu em nossas bocas
possa ressuscitar em outros olhos…
Célia de Cássia (MG, 1909-?)
Nesse exemplo se resume
um prêmio às almas bondosas:
fica sempre algum perfume
nas mãos que oferecem rosas!
(Aparício Fernandes)