Canto Natalino, poesia de Ubirajara Raffo Constant

15 12 2012

São Nicolau e o Auto do Natal

Luiz Roberto da Rocha Maia (Brasil, 1947)

http://www.rochamaianaif.com

Canto Natalino


Ubirajara Raffo Constant

Dos reis magos no céu brilha
A estrela clara e viajeira;
De uma igrejita campeira
Soa ao longe a voz do sino;
Flete ao tranco sem destino,
Na solidão de um corredor,
Abre o canto um pajador
Saludando ao Deus Menino.

E todas as vozes do pago
Cantam salmos na planura
Irmanados na ternura
Do cantar do pajador;
Pedindo à Nosso Senhor,
Na humildade de seus versos,
Que só exista no universo
Fraternidade e amor.

Ubirajara Raffo Constant nasceu no Rio Grande do Sul em 1938.  Poeta  de  Uruguaiana.

Obras:

Retorno Bravo, poesia, 2003

Pampa em 23, prosa, 2004

Sepé Tiaraju, uma Farsa Em Nossa História, história, 2006





O Natal em poucas palavras — Charles M. Schulz

14 12 2012

Elfos, ajudantes de Papai Noel, ilustração sem autoria.

“ O Natal é fazer um pouco mais por alguém”

Charles M. Schulz





Natal, crônica de Menotti del Picchia

13 12 2012

Natividade, 1467-69

Fra Filippo Lippi ( Florença 1406-1469)

Afresco

Catedral de Santa Maria Assunta em Spoleto, Itália

Natal

Menotti del Picchia

Já o burrinho ruma para a manjedoura. A estrela – seria, este ano, aquele enigmático cometa com nome japonês? – fulge no céu.  Bate um pastor na porta da choça do compadre: “Olá Esdras! Acorda, camarada! Vamos para Belém!” As ovelhas balam. Toda a terra é um advento. Até flores estranhas rebentam nos cálices e as corolas atônitas perscrutam na noite um milagre. Os lírios do vale já devassaram o mistério e murmuram com seus lábios imaculados:

— Vai nascer Deus!

Aí está. Vai nascer Deus. “Fenômeno de rotina” – dirá um político despistando um repórter. “Nada demais, senhor jornalista. Todos os anos nasce Deus”. O repórter, apressado e superficial, registra a declaração numa caderneta e telefona os seus apontamentos para o redator de plantão. “O doutor Chuvisco disse que não há novidade: o nascimento de Deus é fenômeno de rotina”. O redator aceita essa explicação bocejando e gosta da palavra “rotina” aplicada ao mistério do Natal, porque a palavra está na moda. E ninguém dá pela transcendência do prodígio. Meu vizinho, Felisbino de Freitas Trancoso, excelente pai de família, saiu cedo para a fila das castanhas. D. Ordália Lopes, que é sentimental e fidelíssima, mesmo porque pesa perto de seis arrobas, comprou uma gravata de seda italiana e uns suspensórios de matéria plástica para presentear o marido. Tenho uma sensível admiradora que me mandou um cromo – sempre fui louco por cromos! – representando o presepe.  Ali tudo é lindo: Jesus, tenro e sorridente, de cabelo cacheadinho e grandes olhos azuis abertos, como se um pimpolho que nasce, geralmente tão cheio de rugas e tão feio, pudesse ter aquele tamanho e aquela cabeleira de ouro… São José é um carpinteiro alinhado de túnica e talvez tenha saído nesse instante de uma arca. Maria Santíssima é um amor.

— No Natal do ano passado – diz-me a D. Celestina – meu marido me deu uma geladeira. Fico pensando dentro da noite mágica: “No Natal do ano passado…” Há perfumes no ar que vêm dos cedrinhos do Jardim América e, por causa das árvores do Natal, a gente liga o cheiro da resina ao oriente místico, à chegada daquela divina mãe grávida, morta de canseira na sua marcha ao lado do velho e santo marido, até a cocheira que serviu de berço à salvação do mundo. A imaginação trabalha. Percebe que nos palácios distantes, acordadas pelo fulgor da estrela, os reis poderosos preparam suas caravanas de mirra, ouro e incenso, para ver a criança estranha que uma vaca aquece com seu hálito e um burrinho manso humaniza com a bondade que irradia dos seus olhos…

— “Jornal da noite!” “Jornal da noite!” – berra um garoto sobraçando os últimos vespertinos. Compro uma folha. Não preciso ler pois a manchete metralha os meus olhos: “Dez mil árabes e cinco mil judeus em luta mortal na Palestina. Milhares de mortos e feridos…”

Os sinos de Natal bimbalham. “Glória a Deus na altura e paz na terra aos homens de boa vontade.”

Nasceu um Deus! Este ano nasceu outra vez um Deus!

E me ocorre, fulmineia a interrogação trágica: — mas por que nasce um Deus todos anos? Um arrepio me percorre o corpo.  O calendário salta-me à memória pontilhada de guerras, brigas, roubos, bombas atômicas, crises econômicas, manobras políticas ditadas pela cobiça e ambição. No meio dessas memórias os sinos bimbalham. “Paz!” “Paz!” – brada Cristo, o Cristo que nascendo todos os 25 de dezembro há mil novecentos e quarenta e sete anos!

Então, percebo a razão do Natal!  Dada a cruel desmemória dos homens é preciso que todos os anos nasça um Deus!

Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM Propaganda: 1978





O Natal em poucas palavras — Edna Ferber

12 12 2012

Natal, Cartão Postal.

“O Natal não é uma época. É um sentimento”.

Edna Ferber





Soneto de Natal — Machado de Assis

11 12 2012

Ó, árvore de Natal!

Hans Stubenrauch (Alemanha, 1875-1941)

óleo sobre tela, 28 x 19 cm

Leilão Christie’s South Kensington,  2012

Soneto de Natal

Machado de Assis

Um homem, — era aquela noite amiga,

Noite cristã, berço do Nazareno, —

Ao relembrar os dias de pequeno,

E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno

As sensações da sua idade antiga,

Naquela mesma velha noite amiga,

Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto… A folha branca

Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,

A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,

Só lhe saiu este pequeno verso:

“Mudaria o Natal ou mudei eu?”





O Natal em poucas palavras — Norman Vincent Peale

10 12 2012

Natal na escola, ilustração de Amos Sewell, (EUA, 1901-1982), para anúncio do Carro Pontiac.

“O Natal traz uma varinha de condão sobre esse mundo, e eis que tudo é mais delicado e belo.”

Norman Vincent Peale





Natal, soneto de Lindolfo Gomes

9 12 2012

Ano Novo, s/d

Alexandre Gulyaev (Rússia, 1917-1995)

óleo sobre tela

Natal

Lindolfo Gomes

Nas noites de Natal, da minha infância,

Tinha brinquedos nos meus sapatinhos,

Que um Anjo transformava em doces ninhos,

Iludindo-me à ingênua vigilância.

Do nosso lar na idolatrada estância,

A mesa posta, com iguaria, vinhos…

Minh’alma respirava a sã fragrância

Dessas flores silvestres dos caminhos.

Agora no Natal desta velhice,

Seguindo a vacilar por ínvios trilhos,

Arrasto os sapatões, ao léu do fado…

Mas me revejo em plena meninice,

Ao ver nos sapatinhos de meus filhos

Meus brinquedos, meus sonhos, meu passado…

Lindolfo Eduardo Gomes (SP 1875 – RJ 1953) Poeta, Jornalista, contista, ensaísta, folclorista, professor e teatrólogo.  Passou sua juventudo em Resende, no estado do  RJ, mudando-se mais tarde para Juiz de Fora, MG, onde passou grande parte da sua vida profissional tendo redigido para os jornais O Pharol, Jornal do Commercio, Diário do Povo, Diário Mercantil, revista Marília,entre outros.

Obras:

Folclore e Tradições do Brasil, 1915

Contos Populares Brasileiros, 1918

Nihil novi, 1927





O Natal em poucas palavras — Calvin Coolidge

8 12 2012

Cartão postal, Escandinávia.

“O Natal não é uma época do ano, mas um estado de espírito”.

Calvin Coolidge





“Presentes? Telefone para Papai Noel” — os cartões de Natal do passado

7 12 2012

telefone -- leather-santa-medCartão de Natal em couro, de uma companhia de couro, primeira década do século XX.

Como vocês sabem– por causa das postagens que fiz sobre Papai Noel em anos passados [ Papai Noel viaja de carro! — cartões postais de NatalO transporte de Papai Noel Alguns cartões de Natal da antiga União Soviética  ] Papai Noel é um cara que não fica parado no tempo.  Ele se utiliza de todos os meios possíveis para chegar até nós.  Desde o tradicional trenó, até o foguete interespacial, passando é claro pelo tapete mágico.  Adepto do mais diversos aparelhos para poder localizar quem foi bonzinho o ano inteiro e merece brinquedos e quem não foi, Papai Noel não poupa esforços para atualizar suas encomendas.

Assim que o telefone ficou um pouquinho mais popular… Papai Noel adquiriu um. E passou a falar ao telefone, conversar com todo mundo que precisava deixar um recadinho para ele.  Vejam só Papai Noel ao telefone, através dos tempos.

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TELEFONE 12Post811DS.1L

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TELEFONE ANTIGO, PAPAI NOEL, LIVRO DE ENDEREÇOS. CARTÃO FRANCÊS

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telefone antigo cartão postal com jovem, azevinho e papai noel , 1912

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Telefone, papai noel e menino de camisola,

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TELEFONE cartão alemão, tambor

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telefone, papai noel, data 24

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TELEFONE papai noel no telefone, brinqudos

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TELEFONE PRETO E PAPAI NOEL

TELEFONE CARTÃO RUSSO  ded_moroz

TELEFONE CATTÃO RUSSO  hny0393

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Não bastasse Papai Noel usar o telefone, as crianças tambem telefonam para ele com pedidos e votos de um Feliz Natal.  O telefone foi uma das grandes invenções que  entraram definitivamente para a iconografia do Natal.

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telefone menina, natal

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TELEFONE NATAL

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TELEFONE, 1950-60, natal

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Os presentes de Natal, texto de Marques Rebelo

7 12 2012

brinquedos 2, blanche wrightIlustração de Blanche Fisher Wright.

27 de dezembro [1936]

O presente mais lindo não é o mais caro, é o mais frágil – a caixa de cubos com os quais as mãozinhas inexpertas poderão formar um prado florido, dois cachorrinhos brincando, a galinha branca, orgulhosa dos pintainhos.

Há ainda a bola de sete cores como um arco-íris de borracha, a piorra cantadeira e o pelotão de chumbo pregado no papelão.

Paro um instante comovido – ah, a roda da vida, roda da vida rangente ou azeitada! Quando acordei, acordei general  – trinta e seis soldadinhos me esperavam ao pé da cama, túnica azul, calça vermelha, baionetas em riste. As trincheiras foram abertas debaixo das begônias, as roseiras deixavam cair as pétalas sobre os herois, todo o jardim sofreu com as batalhas delirantes, enquanto Madalena fazia comidinhas para a nova boneca e Emanuel folheava, no alpendre, o livro de gravuras de Rabier.

Deposito o último brinquedo com cuidado, não fosse despertá-las. Porejadas  de suor, as crianças dormem. Na parede, como prego, dorme também o pernilongo, pesado de sangue que também é um pouco meu, apesar da incredulidade rancorosa de Mariquinhas”.

***

Em: O trapicheiro, Marques Rebelo, 1º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1959, 1ª edição, numerada,  p. 166.