Montanhas, pintura de Mick McGinty (EUA, contemporâneo).
Montanhas, pintura de Mick McGinty (EUA, contemporâneo).
Moça com passarinho, de Jocelyne Pache, 1969.
Não mais te quero esperar,
Que esperar é sofrimento…
Vou, desde já, começar
A esperar o esquecimento!…
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Moça com chapéu de palha, Ilustração de Harrison Fisher.
Na vida que vou vivendo,
Muitas coisas aprendi;
E, afinal, fiquei sabendo:
Não posso passar sem ti.
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Ilustração de Fabius Lorenzi.
Existem coisas na vida
Que não posso compreender:
— Como é que sendo esquecida,
Não te consigo esquecer!
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Antônio Poteiro (Brasil, 1925)
acrílica sobre tela, 990 x 140 cm
Eduardo Frieiro
“Chegara o dia dezesseis de julho. Nesse dia realizavam-se no Carmo grandes festividades religiosas e profanas em honra da padroeira da Vila. Salvas de arcabusaria e roqueiras anunciaram o alvorecer. Às nove horas, missa oficiada a dois coros de música. Depois, procissão. Logo era esperar pelo melhor da festa: as cavalhadas, em que se imitavam torneios entre Cristãos e Mouros, com o sabor das histórias de Carlos Magno e os doze pares da Princesa Floripes.
Numa larga praia do ribeirão, construíra-se a praça para as cavalhadas, rodeada de palanques de pau roliço, enfeitados de colchas, bandeirolas e folhagens. Às duas da tarde já todos os lugares estavam tomados pelos moradores da vila e pela muita gente que viera dos arredores convidada pela fama dos festejos. O Governador, que presidia à justas figurando o Imperador Carlos Magno, com seus doze pares de França, ocupava o palanque principal, ornamentado com especial aparato, como convinha à pessoa de tão grande senhor. No lado oposto, erguia-se o palácio do Almirante Balão, encarnado na pessoa de José Gomes Vilarinho. Violante era a bela Floripes, destinada a ser raptada por um paladino cristão.
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As cavalhadas começavam pelo jogo das canas, exercício cavalheiresco em que se usavam adargas e lanças sem ponta, de pau frágil, que nos embates se partiam facilmente. Dezesseis cavaleiros, entre Cristãos e Mouros, vestidos os primeiros de azul e os outros de vermelhos, formavam as quadrilhas que participavam do combate simulado. Entravam às duas de cada vez, a um sinal de lenço dos padrinhos. Depois de correrem em parelhas encontradas, os cavaleiros divertiam-se a brandir as espadas, caracoleando e fazendo caprichosas evoluções com suas montarias vistosamente ajaezadas. Agrupados depois em dois bandos, um em cada metade da praça, frente a frente, tomavam as canas e disparavam a galope, tomavam as canas e disparavam a galope atirando-as ao ar um para o outro. Faziam a volta da arena e retomavam seus lugares. Ao passar o bando que galopava pelo outro, este carregava a rédea solta e atirava as canas, que se deviam esquivar sempre com a adarga.
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Dava remate às cavalhadas o rapto da Princesa Floripes. Simulado um breve recontro entre os soldados do Almirante Balão e os paladinos de Carlos Magno, invadiam estes o alcácer do infiel e traziam de lá a peregrina donzela que achara graça aos olhos dum bravo par de França.”
Em: O mameluco Boaventura, de Eduardo Frieiro, São Paulo, Edições Saraiva, s/d, Coleção Saraiva, volume 166, 3ª edição, páginas 98- 102.
Pato Donald sonha em como gastar o dinheiro da loteria, ilustração Walt Disney.
Edy Gomes Carollo (Brasil, 1921-2000)
óleo sobre tela, 73 x 60 cm
“A casa era uma dessas belas construções do fim do século passado, com jarrões na cimalha, florões, monograma, cinco janelaços de fachada, com gradis prateados onde dragões simétricos ficavam frente a frente, ladeando o ornamento central; jardim de gramado liso, duas palmeiras imperiais e a fonte de pedra que escorria seu fio de prata sobre limos e peixes vermelhos; portão com pilastras de granito; o clássico caramanchão de cimento imitando bambu e o colmo de palha e todo trançado de trepadeiras. O prédio de D. Adelaide era de porão habitável (cujo pé-direito era mais alto que os dos apartamentos de hoje) e de andar superior luxuoso, cheio de ornatos esculpidos nos tetos, vidraças biseautées, vastos salões, lustres com pingentes de cristal; um sem-número de quartos; portas almofadadas com maçanetas lapidadas; pias, bidês e latrinas de louça ramalhetada; vastas banheiras de mármore onde a água chegava pelo bico aberto de dois cisnes de pescoço encurvado e feitos de metal amarelo sempre reluzentes do sapólio. Bela casa, na segunda etapa de sua existência. Porque a primeira e inaugural era sempre a residência de grande do Império ou figurão da República. A segunda, pensão familiar. A terceira, casa de cômodos. Depois cabeça-de-porco — substituída pelos arranha-céus de hoje. Lá está o atual, com os apartamentos que encimam a Casa Cabanas e a Papelaria Dery. Mesmo número: 252.”
Em: Balão Cativo:memórias/2, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio: 1973, p. 188.
Coelhinho Lino e a borboleta, ilustração MWEditores.