Rio de Janeiro, cidade olímpica!

18 11 2016

 

 

silvio-pinto-quinta-da-boa-vista-oleo-sobre-madeira-52x71cm-ass-datado-e-localizado-cid-1947-rio-obra-adquirada-em-leilao-do-copacabana-palace-colecao-particular-rosana-pocinhoQuinta da Boa Vista, 1947

Sylvio Pinto (Brasil, 1918-1997)

óleo sobre madeira, 52 x 71 cm





Rio de Janeiro, cidade olímpica!

11 11 2016

 

 

mauro-ferreira-barcos-ancorados-junto-ao-aterro-ao-flamengo-70-x-100-cm-ost-ass-cid-e-dat-2010Barcos ancorados junto ao Aterro do Flamengo, 2010

Mauro Ferreira (Brasil, 1958)

óleo sobre tela, 70 x 100 cm

 





Domingo, um passeio no campo!

9 10 2016

 

 

aavedra-david-correa-1900-paisagem-com-riacho-no-estado-do-rio-ost-98-x-130-assinado-e-datado-1962Paisagem no Estado do Rio, 1962

David Correa Saavedra (Brasil, 1901-1968)

óleo sobre tela, 98 x 130cm





Nossas cidades: Belo Horizonte

3 10 2016

 

 

mauro-ferreira-avenida-afonso-pena-final-anos-50-40-x-60-cm-osmdf-ass-cie-e-dat-2013Avenida Afonso Pena, final dos anos 50, 2013

Mauro Ferreira (Brasil, 1958)

óleo sobre madeira,

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

23 09 2015

 

 

Clóvis Pescio - Natureza Morta - Óleo sobre tela - acie - datado de 1999 - 50x70cmNatureza morta, 1999

Clóvis Péscio (Brasil, 1951)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm





Domingo, um passeio no campo!

30 08 2015

 

 

FUNCHAL GARCIA - Paisagem Interior de Floresta, pintura a óleo sobre tela, med. 55 x 66cmPaisagem no interior da floresta

Funchal Garcia (Brasil, 1889-1979)

óleo sobre tela, 55 x 66 cm





A volta, texto de Pedro Nava

22 07 2015

 

 

MANOEL SANTIAGO Paisagem com ferrovia Teresópolis O.S.T. 53 x 69 cm 1945 a.c.i.e.Paisagem com ferrovia, Teresópolis, 1945

Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)

óleo sobre tela, 53 x 69 cm

 

 

“COMO NO DIA DA MINHA CHEGADA, cinco anos antes, no meu embarque para Belo Horizonte, tive a assistência do Modesto. Levou-me à estação. Eu ia galgar o nosso Caminho Novo de noturno. Vi desfilarem os subúrbios, depois a baixada com seu ar de fogo, comecei a subir a Serra do Mar. Eu estava num momento de grande euforia. Vencera uma página da vida, flutuava dentro dum ar azul entre duas etapas. Pensava que tudo continuaria em Belo Horizonte e na Faculdade, fácil e doce como tinha sido naqueles anos de Pedro II entrecortados de férias paradisíacas.  Mal sabia eu o que ia sofrer na Rua da Bahia, no Bar-do-Ponto, na Praça da Liberdade, na Rua Guaicurus, na Rua Niquelina, na Lagoinha, Quartel e Serra: o martírio, paixão, morte e ressurreição do moço mineiro Pedro da Silva Nava ainda descuidado das lambadas, dos escárnios, das quedas e das sete chagas de sua Via Dolorosa. Eu ia aprender aos poucos, à minha custa, os búfalos nadantes e os crocodilos; as panteras e toda a casta de bestas-feras. O noturno subia para Minas Gerais. Passou estações. Parou muito tempo em Juiz de Fora e fiquei na janela do carro apreciando o Cristo Redentor todo iluminado. Foi quando dormi na madrugada mineira. Vi amanhecer no meu Estado cortado instante a instante pelas curvas do Paraopeba. A máquina puxava cada vez mais. De repente Brumadinho surgiu dentro de moitas cheias de gotas d’água dum sereno que o sol ainda não secara. Se o futuro iluminasse eu compreenderia que estava chegando ao campo de concentração e aos fornos crematórios dos meus sonhos de adolescente. As estações se sucediam. Fecho do Funil. Treblinka. Birkenau. Sarzedo. Ibirité. Ibirité. Bergen-Belsen. Auschwitz. Barreiros. Gameleira, Calafate, Belsen-Belo, Belo Belo Belo Belo. A máquina agora ia devagar, batendo sino, atravessando a cidade sob um céu rival do céu da Úmbria. Belo Horizonte, Belorizonte, Belorizonte. Desci na estação. Minha Mãe. Fomos juntos para a Serra. Pisei novamente minha Serra. Sua terra de ricos pardos começou a me penetrar. Dela respirei. Dela sujei meus sapatos. Seu colorido era tão polpa que enganava não parecia mineral, antes vegetal. Variava de cores. Tinha do castanheiro, do tojo, do ulmo, da nogueira, da tília clara e da tuia escura. Entretanto era ferro. Chão de Ferro.”

 

 

 

Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio:1976, 2ª edição, p. 273-4





Uma chácara no Engenho Velho, texto de Pedro Nava

20 04 2015

CAROLLO, Edy Gomes (1921) Casario, o.s.m. - 33 x 40Casario

Edy Gomes Carollo (Brasil, 1921- 2000)

óleo sobre madeira, 33 x 40 cm

 

 

“A chácara da Prima Zezé descia de platô em platô até o nível da rua. Era só comparável à de minha avó materna, em Juiz de Fora. Só que nela predominavam as mangueiras de densa sombra e os jambeiros esgalhados. Prima Zezé gostava descer com o farrancho para o meio das árvores. Palestrar chupando fruta. Vamos seu Marote! Vamos seu Pedro! Vamos subir nessas árvores e apanhar uns jambos pra gente. Ou eram mangas. Ou eram abios. Ou eram sapotis. Subíamos: alto de ver os trens passando longe, na linha da Central e na outra direção, mais longe ainda, os da Leopoldina e os minaretes de Manguinhos. Lembro da queimadura que peguei no dorso da mão só de roçar casulos vazios em que a taturana deixara o pelo venenoso depois de virar frágil borboleta. A tarde descia e subíamos para jantar sob a lâmpada amiga do lustre baixo, baixo, sobre a mesa da sala de jantar. Foi aí nessa ocasião, que ouvi Prima Zezé fazer o inventário das joias da Inhá Luísa e dizer a minha Mãe que ela fora prejudicada na partilha. Minha Mãe que não! Zezé, fora tudo muito justo… Mas Prima Zezé que absolutamente! de jeito nenhum… E enumerava os adereços, as montagens, as rivières, os sautoirs, os berloques, os oiros, as pérolas, os diamantes, as marcassitas, as pedrarias. Mudavam de assunto, passavam Juiz de Fora num crivo. Às vezes baixavam a voz, riam muito.  Filhos do marido nada, Dibança! Filhíssimos do Seu Nanal da Tartaria. Isso. Esse mesmo, primo do Saninho Castro. Gente mais conhecida em Oliveira… A grande lâmpada acesa. Como calhaus, os besouros abatiam-se na brancura da toalha ou batiam no vidro do abajur. As mariposas faziam nuvem vinda da mata. A Amair trazia uma larga bacia cheia d’água onde os bichinhos se precipitavam vendo na lâmina líquida a reflexão das lâmpadas. de vez em quando um pio de mocho, tescunjuro! ou um silvo raro de locomotiva…”

 

 

Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio:1976, 2ª edição, pp. 164-165.

 





Luca Bastos, você fará falta

9 03 2015

 

 

11025775_10153095080115937_7759736406572558142_nLuca Bastos [Luiz Arnaldo de Gusmão Bastos, RJ, 22-5-1945 — SP, 8-3-2015]

 

 

Em uma família temos gerações definidas independente de idade: avós, tios, primos, filhos e sobrinhos, e netos. Não importa a diferença de idades entre eles. São grupos, camadas, que se sobrepõem umas às outras, que se tornam mais perceptíveis nas grandes reuniões familiares dos natais, dos casamentos, das festas de formatura, aniversários, bodas, quando a família inteira se encontra. Nesse momento os grupos se descobrem e acham um cantinho para a roda das conversas. Só aí temos maior noção de quem é mais velho e de quem é o pirralho. Na minha família, os encontros eram frequentes. Parte da família morava no mesmo bairro e não era raro sairmos primos e tios para um passeio juntos no Jardim Botânico ou para um sorvete de frutas no Morais, em Ipanema, em noites de verão. Os laços se estreitavam e nem percebíamos.

Nos Estados Unidos é comum as famílias fazerem um esforço especial para se encontrarem pelo menos uma vez por ano. Pode ser no feriado de Ação de Graças, [Thanksgiving] mas há outras soluções. Na vida americana pessoas se mudam com frequência. Isso provoca um distanciamento físico grande. No passado, anterior às comunicações digitais, era mais difícil manter a comunicação. Na família de meu marido havia uma tradição: todos os irmãos do pai dele se encontravam numa cidade praiana (a mesma todos os anos) no estado de Delaware, onde a família em gerações passadas tinha tido uma casa de veraneio. Encontravam-se para um reencontro familiar. Cada núcleo dos oito irmãos alugava uma casa e os encontros diários por uma semana entre irmãos e primos se faziam à beira-mar. Era sempre a mesma semana e a mesma cidade, todos os anos. Os familiares contavam com isso e faziam planos durante o ano. Dessa forma meu marido se criou conhecendo os primos quaisquer que fossem as idades ou estados em que moravam.

Crescer no Rio de Janeiro foi diferente, meu contato com tios e primos e tios de meus primos e primos de meus primos, foi muito maior. Até a geração de meus pais todos que nasciam aqui, por aqui ficavam, casavam, tinham filhos e comemoravam juntos as datas de grande ou pequena importância. Além dos aniversários, fim de ano, das férias, não faltava ocasião para nos reunirmos, pois também nos encontrávamos para os jogos da Copa do Mundo, para o Carnaval e assim por diante. Tínhamos a certeza da amizade duradoura não importando as características sociais e políticas que nos diferenciavam, os bons e maus alunos, os levados, os santinhos. Sim, havia brigas, discussões enérgicas, depois que crescemos, principalmente a respeito de política, mas havia pazes também, porque afinal o próximo aniversário do tio tal chegava logo, ou um primo se formava, ou nos víamos quando uma prima ia ao palco para uma dança na escola primária.

Os tempos mudaram para a minha geração. Eu mesma saí Rio de Janeiro para São Paulo, para depois sair do Brasil, meus dois irmãos também saíram do Rio. Um morou em Curitiba e depois São Paulo, o outro também acabou indo morar em São Paulo. Mais tarde retornaram ambos ao Rio de Janeiro. Tive um primo, Luiz Arnaldo, mais conhecido como Luca, que foi para São Paulo e ficou. Por lá criou raízes e a filha. Por isso mesmo nos encontramos menos vezes. Nos natais, principalmente. Mas a cada Natal passado juntos, na tradição familiar da festa celebrada na casa de nossa tia Maria-Emília e depois na casa de seu filho, Murilo, o conforto de conversar com ele reaparecia com ecos da infância, da adolescência, das incontáveis vezes que conversamos no passado. Havia aquele bem-estar da familiaridade que só se consegue através de muitos anos e de muito papear. Sempre o admirei. Mesmo sabendo que nossas visões políticas eram muito diferentes. Luca era uma das pessoas mais criativas que conheci, saindo-se tão bem na informática quanto na poesia, um engenheiro que amava Fernando Pessoa. E ele escrevia também. Mostrou recentemente seu grande senso de humor em uma série de contos em uma competição na internet da qual também participei. Suas narrativas ficcionais lhe garantiram grande popularidade no núcleo bem jovem de futuros escritores. Era um homem de grande senso de humor, apaixonado pelo mar, por veleiros, romântico num sentido mais largo da palavra, atleta, aventureiro e muito carinhoso. Reinventou-se muitas vezes, a cada virada trazendo para o presente as diversas experiências passadas. Acabou como um palestrante, e era muito bom nisso porque ajudava sua plateia a se questionar: “Ser rico para quê? Cuidado com objetivos medíocres” ; “A vida é muito curta para aturar chatos” ou “Não trabalhe no que não gosta. Pra que? Ir atrás de dinheiro para fazer o que gosta no futuro? E se não houver futuro?” Deixava sempre algo para que pensássemos no que fazíamos. Ontem, para ele, já não haverá futuro entre nós. Deixa saudades porque tocou a todos nós com sua experiência e carinho. Faleceu jovem demais, ainda tinha muito para dar.

E assim volto a pensar nas gerações da família. Quando crescemos dentro de cada grupo sabemos que há uma ordem: alguns mais velhos, outros mais jovens do que nós. Deste lado da família estou bem no centro da geração dos primos. Mas isso, como aprendi, não conta. Isso não quer dizer nada. Não se morre na ordem de chegada. ELA, a morte, nos surpreende, mesmo quando se anuncia no horizonte, em seu cavalo branco e foice ceifadora em mãos. Estarrecidos, nos olhamos com amargura. A sensação de abandono se instala.  A vida nos parece injusta. E é.





Domingo, um passeio no campo!

8 02 2015

Diva Grassmann (Brasil, 1928) Caminhada, 1980, ost, Pinacoteca Prefeitura de São Bernardo do Campo, SPCaminhada, 1980

Diva Grassmann (Brasil, 1928)

óleo sobre tela

Pinacoteca da Prefeitura de São Bernardo do Campo