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Hora da leitura no Central Park, 1986
Harold Altman (EUA, 1924-2003)
Litografia
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“Não acredito na imortalidade; a única maneira que posso esperar ter uma versão disso é através dos meus livros”.
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Isaac Asimov
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Hora da leitura no Central Park, 1986
Harold Altman (EUA, 1924-2003)
Litografia
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Isaac Asimov
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Mulher lendo, 2009
Ana Flor Castro Perez (Cuba, contemporânea)
óleo sobre tela
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“Minha tia voltava do Sacré-Coeur pelas quatro horas e passava o resto do dia ao piano ou agarrada aos livros. Eu gostava de admirá-la entregue a esses misteres e fascinava-me a capa de uma de suas coleções de romances, parece-me que chamada Horas de Leitura, onde havia uma dorida figura de senhora lendo e destacando seu perfil agudo e o luto de sua roupa, contra a claridade de uma janela ao fundo. Parecia minha tia e comecei a amar os livros”.
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Em: Baú de Ossos: memórias, Pedro Nava, Rio de Janeiro, Sabiá: 1972, pág. 336.
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Charles Bibbs (EUA, contemporâneo)
técnica mista, 36 x 45 cm
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Charles Bibbs nasceu em Harbor City, na região de Los Angeles, na Califórnia, um de dez irmãos. Formou-se em administração depois de estudar na Faculdade Long Beach City e na Universidade do Estado da Califórnia. No entanto sempre se sentiu próximo das artes tendo procurado diversos cursos de arte enquanto se formava em administração. Inicialmente, trabalhou com imagens em preto e branco, mostrando as influências dos artistas Frank Howell e John Biggers, cujos trabalhos apreciava. Depois, amadurecendo o estilo, voltou-se para um vocabulário visual que combina as tradições americanas com africanas. Reside e trabalha em Moreno Valley, na Califórnia.
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A hora do descanso, 1913
Albert Chealier Tayler (Inglaterra, 1862-1925)
óleo sobre tela
Alfred East Gallery, Kettering Burough County
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Ursula K. Le Guin
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Lendo, s/d
Katherine Brown (EUA, 1948)
www.katherinebrownportraits.com
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Katherine Brown nasceu em Menphis no estado de Tennessee, em 1948. Começou os estudos de arte sob a direção do pintor austríaco Paul Penczner, conhecido retratista trabalhando em Menphis, com quem aprendeu desenho, perspectiva e pintura clássica. Mais tarde, aprimorou seus estudos na Academy School of Fine Arts em Nova York, onde estudou com Daniel Greene e Robert Phillips. Para mais informações clique no link acima.
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Histórias da hora de dormir, 2009
Betty B. Thurmond (EUA, 1927)
Acrílica sobre tela, 41 x 62 cm
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Beverly Cleary
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Prinsengracht, Amsterdam, 2009
Mark Christian Soetebier (Holanda, contemporâneo)
Aquarela sobre papel
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Amsterdam* é um romance centrado em dois personagens, o editor de um jornal, Vernon Halliday e o compositor Clive Linley, um verdadeiro par de personalidades que se assemelham mais do que imaginamos a principio e cujas reações se complementam, movendo a trama do romance num crescendo cantábile até um final surpreendente. Apesar de parecerem distintos, com profissões, estados civis e temperamentos diversos, esses dois amigos de longa data se completam. Conhecemos a dupla, logo na abertura da narrativa, no enterro de Molly, a amante que ambos tiveram em comum. Daí em diante começamos a compreender as diversas maneiras em que esses homens de meia idade tiveram suas vidas emaranhadas num labirinto de interconexões.
Usando desse artífice Ian McEwan consegue em meras 184 páginas fazer um verdadeiro ensaio na forma de ficção sobre alguns problemas éticos que nos afligem. A que custo devemos perseguir o sucesso profissional? Quando a ambição passa dos limites? Temos direito à censura antecipada? O que separa a vida privada da vida pública? Testemunhar uma tentativa de crime incorre em obrigações sociais? A eutanásia pode ser encomendada? Esses e outros assuntos estão constantemente nos assediando. Enquanto escrevo essa resenha acompanho no rádio o caso do ex-diretor do CIA que pediu demissão por uma traição amorosa, enquanto o jornal da manhã mostrava a diretoria da BBC embaraçada com os escândalos de pedofilia. E na semana passada o Congresso brasileiro passou a lei Carolina Dieckmann de proteção à privacidade de pessoas públicas na internet. Esses são assuntos de hoje, do dia a dia, que já estavam na pauta de Ian McEwan em 1998, quando esse romance foi publicado.
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Toda a tensão nesse romance tem como base o pequeno número de personagens. Em primeiro plano aparecem as conturbadas emoções manifestadas pelos desejos de Vernon e Clive. É grande a ambição de ambos, que já chegaram ao ápice de suas carreiras e podem olhar para o futuro ocaso de suas vidas com o sentimento de dever cumprido. Mas a morte de Molly, ainda jovem, os desestabiliza. São obrigados a incluir em seus horizontes seus próprios fins. Vemos também se imiscuir entre eles recalques e desejos deixados de lado e agora relembrados nessa amizade. Em comum eles têm não só a mesma amante mas a traição, já que ambos conheciam e eram amigos do marido de Molly.
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Ian McEwan
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Esta é uma amizade repleta de inveja, raiva, fidelidade, ódio, culpa; de uma gama enorme de sentimentos contraditórios e complementares. Essas emoções que os unem, inicialmente aparecem em cores brandas, se intensificando à medida que o romance se desenvolve. Mas é a competitividade entre eles, já existente desde os tempos de Molly, que eventualmente os arma e prova até o último momento o quanto esses dois amigos se assemelham. Amsterdam é um excelente ensaio sobre as emoções que afligem o ser humano de hoje, homens complexos e destemidos, ambiciosos e egoístas. É uma janela na alma humana corroída pela liberação de antigas regras éticas.
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* Os dicionários nos dizem que a forma Amsterdam – com a letra “m” no final não existe em português. O correto seria Amsterdã, no Brasil, ou Amsterdão em Portugal. Essa grafia é um anglicismo inútil, porque não adiciona nenhuma outra conotação para uma palavra muito bem grafada em português, e fica a pergunta: por que um livro editado no Brasil a usa? Depois reclamamos que as pessoas não sabem mais escrever … é por essas e outras.
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Mulher lendo, s/d
Elena Drobychevskaja (Belarússia, 1963)
Técnica mista, 50 x 70 cm
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Bell Hooks
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Menina com livro, s/d
Murman Kuchava (Georgia, 1962)
óleo sobre tela
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Arthur Phelps
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A bibioteca da Filadélfia, 1875
George Bacon Wood ( EUA, 1832-1910)
óleo sobre tela
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Como anda a sua biblioteca particular? Geraldine Brooks publicou uma pequena crônica no The Global Mail, titulada People of the Bookshelf [Gente da Prateleira de Livros] muito engraçada sobre os hábitos das pessoas ao guardarem livros. Assumindo que a maioria de nós não é profissional de biblioteca, não trabalha com catalogação, que normas devemos seguir? Há aqueles que os guardam em ordem por autor, — último nome sendo o normal nos países de língua inglesa — e aqueles que os guardam por título. E quando se trata de biografias? Vamos por biografado ou pelo autor?
Parece uma questão supérflua, mas acho que a organização de livros demonstra parcialmente o que eles representam para nós. As minhas estantes estão organizadas só por assunto: História Antiga, Medieval, Surrealismo, Renascença, Romances. Depois dentro de cada uma dessas há subdivisões. Literatura sempre foi divida pelos países de origem e pelas línguas… E biografias são organizadas de acordo com o biografado e não com o autor… Depois de notar esses detalhes, sobre os quais nunca havia pensado, concluo: organizo tudo pelo assunto.
E vocês?