
Elegantes na praia
Edouard Gelhay (França, 1856-1939)
óleo sobre tela, 23 x 44cm

Elegantes na praia
Edouard Gelhay (França, 1856-1939)
óleo sobre tela, 23 x 44cm
A sesta em Saint Tropez, com Moise e Renée, 1916
Moise Kisling (Polônia, 1891-1953)
óleo sobre tela

Memórias de São Luís do Maranhão, s/d
Fernando Castelo Branco (Brasil, contemporâneo)
http://casteloartes.blogspot.com.br/
Martins D’Alvarez
“Minha terra tem palmeira
onde canta o sabiá…
isso é lirismo do poeta,
a gente pensa de cá!
Mas, ao penetrar-se, em barcos,
na baía de São Marcos,
vemos que há mesmo palmeiras
e muitas palmeiras lá.
E, emoldurando as palmeiras,
há jardins verdes, floridos,
ruas que sobem ladeiras,
azulejos e vitrais…
Poesia dos tempos idos:
— chafarizes esquecidos,
romances adormecidos
em solares coloniais.
E na fronde das palmeiras,
há mesmo alados cantores
— enlevo dos sonhadores,
— ternura dos namorados…
Dos platônicos mancebos
que se ficam nas calçadas
a acenar para as donzelas
nas janelas dos sobrados.
“Minha terra tem primores
que tais não encontrou eu cá…
“Velhos fortins dos franceses,
igrejinhas seculares:
Carmo, Remédios, a Sé
— mãe das primeiras Missões!…
Se cujo púlpito, Vieira,
plantou a fé brasileira,
com a augusta sementeira
de seus famosos sermões.
Tem recantos encantados,
de um bucolismo sem-par:
— Sacavém, Ponta da Areia,
São João de Ribamar…
O velho Farol de Alcântara,
o Bumba-meu-boi de Anil…
E outras relíquias da História
pitoresca do Brasil.
Tem aquela preta velha
da Rua dos Afogados
que foi preada na Angola,
deu bom preço nos mercados…
Foi tudo para os Senhores…
Amargou de mão em mão…
E traz na pele, gravado,
o drama da escravidão.
Tem o português dos “secos”
e o português dos “molhados”…
Tem o turco dos “retalhos”
ë o turco dos “atacados”…
Tem a “pipira morena”,
lá da Rua do Alecrim,
que aos domingos, toda chique,
vai fazer seu piquenique
e à noite, em Campos de Ourique,
quem paga tudo é o Joaquim!
“Nosso céu tem mais estrelas”
“na noite calma e deserta…
— Infinita porta aberta
para um mundo de poesias!
“nossas várzeas têm mais flores”,
além das rosas-meninas
que florescem nas esquinas
da Praça Gonçalves Dias!
“Nossos bosques têm mais vida”
na magia feiticeira
dessa Atenas Brasileira
de artistas e pensadores.
Graças à luz expendida
por esta estirpe luzida,
“nossos bosques têm mais vida,
nossa vida mais amores”.
“Em cismar sozinho à noite
mais prazer encontro eu lá”,
pela Praça João Lisboa,
recitando o “Marabá”…
Ao longo da Praia Grande…
No botequim da Sinhá,
tirando o gosto da pinga
com refresco de cajá…
Ouvindo, ao luar de prata,
acordes de serenata,
com trovador e com flauta
com violão e ganzá.
“Não permita Deus que eu morra
sem que eu volte para lá…
“Sem que carregue, contrito,
o andor de São Benedito,
na bênção que ao povo aflito,
em procissão, ele dá…
Sem que inda prove pequi,
cupuaçu, bacuri,
cambica de murici
e um bom arroz de cuchá!…
Quero morrer, na verdade,
na minha velha cidade,
namorando a antiguidade,
numa rede de algodão…
Dando um adeus ao passado,
um viva a Pedro II
na melhor terra do mundo:
— São Luís do Maranhão!

Um momento de reflexão, 1880
William Oliver (GB, 1823-1901)
óleo sobre tela, 60 x 45 cm
Leitura
Vicente Romero (Espanha, 1956)
Pastel, 69 x 80 cm
Julián Fuks em A resistência, São Paulo, Companhia das Letras:2015, página 9, primeiro capítulo, primeira página.
Pato Donald evita o teste de matemática , © Estúdio Walt Disney
“Penso que todo mundo já chegou a ter essa sensação: quando você se dá conta de que irá morrer algum dia e que não vai dar tempo de ver aquele total de séries e filmes que gostaria. Ou, pior, quando você faz as contas do número de livros que é possível ler em uma vida inteira. Caso você leia pelo menos um livro por semana — o que é muito —, você faz 48 leituras por ano. Considerando que você viva até os 90 anos, mas tenha começado a ler semanalmente aos 15, a estimativa é que consiga ler somente 3.500 livros antes de morrer. Três mil e quinhentos! É angustiante. Não bastassem todos os clássicos do cinema e da literatura que vale a pena conhecer, novos filmes, livros e séries são lançados aos montes a cada ano.”
Em: “FOMO”, Raphael Montes, O Globo, 6/03/2017, 2º caderno, página 6.

Sonhando acordada, 1895
Csók István (Hungria, 1865 – 1961)
óleo sobre tela, 73 × 78 cm.

Um parágrafo interessante
Haynes King (GB, 1834-1901)
óleo sobre tela, 35 x 45 cm
Leeds Arte Gallery, Leeds Museums and Galleries

Sem título, 2014
Anna Marzotta (GB, 1970)
óleo sobre tela, 120 x 150cm

Noite Clara, 2007
Anatoly Purlik (Rússia, 1956)
óleo sobre tela, 80 х 100 cm