Leitora
Frédéric Dufaux (Suíça, 1852-1943)
óleo sobre tela, 32 x 24 cm
“A arte do escritor consiste principalmente de nos fazer esquecer que ele emprega palavras.”
Henri Bergson
Leitora
Frédéric Dufaux (Suíça, 1852-1943)
óleo sobre tela, 32 x 24 cm
Henri Bergson
Figura de mulher, 1944
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
As três Ênias, 1998
Steven Warde Anderson (EUA, 1953)
Guache, caneta, lápis sobre painel de ilustração, 60 x 100 cm
Rockford Art Museum, Illinois, EUA
“Bibliotecas nunca desiludem. Um bom leitor é um eleitor mais informado e responsável; formando leitores estamos também desenvolvendo a empatia e o interesse pelo outro. A longo prazo esse esforço irá traduzir-se numa sociedade mais exigente, mais interventiva e, por extensão, numa classe política um pouco menos bruta do que a atual.”
Em: “Sobre livros e revoluções“, José Eduardo Agualusa, O GLOBO, 06/11/2017, Segundo Caderno, página 2
Rapaz lendo, 1970
Antoni Sicurezza (Itália, 1905-1979)
óleo sobre tela
Iluminada
Cláudio Dantas (Brasil, 1959)
óleo sobre tela, 70 x 100 cm
Leio hoje de Tahar Ben Jelloun , o livro Partir. Trata-se de um autor francês de origem marroquina. Dele já li O último amigo uma pequena joia literária um quase um conto. Como há tempos me interesso sobre a questão de imigração, escolhi ler Partir, publicado no Brasil em 2007 pela Bertrand Brasil, cujo tema é justamente o desejo de emigrar para lugares onde se possa viver com decência.
A situação econômica, social e política no Rio de Janeiro tem feito muitos de meus conhecidos emigrarem: Portugal, EUA, Espanha, Israel são alguns dos países de preferência. Reconheço que a ideia já passou por mim, mas acho que ainda tem jeito, que não é hora de desamarrar o barco. A decisão pode até ser mais fácil para quem, como eu, viveu a maior parte da vida adulta fora do Brasil, mas é sempre complexa. Por isso mesmo emigração, ser imigrante em terra alheia, a questão da identidade cultural são todos temas ricos e importantes para mim.
Mas eu não contava, ao ler sobre o Marrocos, de me encontrar diante de um espelho do Brasil. Já logo entre a primeiras 30 páginas, vi detalhadas cenas da realidade marroquina, que levam o personagem principal a tentar emigrar. Elas parecem descrever o Brasil. Aqui duas passagens nas páginas 23 e 24.
“Os partidos políticos lamentavelmente fracassaram, não souberam ouvir o que lhes dizia o povo.Eles passaram ao largo disso. Tenho raiva principalmente dos socialistas, que acreditaram numa mudança do governo, que jogaram o jogo do poder e nada fizeram para que a coisa mudasse.”
“É intolerável que um doente que se dirige aos hospitais do Estado seja abandonado porque o hospital está sem recursos. É por isso que intervimos concretamente nos lugares onde o Estado é falho. Nossa solidariedade não é seletiva. É preciso que este país seja salvo; está com comprometimento demais, corrupção demais, injustiça demais e desigualdades. Não pretendo resolver todos os problemas, mas não fazemos outra coisa senão ficarmos de braços cruzados esperando que o governo se ponha a serviço dos cidadãos.”
Em: Partir, Tahar Ben Jelloun, Bertrand Brasil: 2007, página, 23- 24
Não quero com isso imaginar que tenho que aceitar essa realidade porque não há solução, porque é assim em qualquer lugar do mundo. Ao contrário, conheço países em melhores condições e imagino que seria mais fácil para o Brasil chegar aos níveis de desenvolvimento que já presenciei do que o Marrocos, não querendo desmerecer o país africano.
Mas, começo a entender melhor o retrato psicológico de meus amigos que abandonaram o país, e também o retrato dos temores e incertezas que acompanharam meus antepassados, um avô e 3 bisavós ao saírem de suas terras natais, procurando melhores portos onde seus descendentes pudessem viver melhor que eles mesmos.
Esse é um dos encantos da literatura. Ela nos faz pensar. Reconhecer nossos problemas pessoais ou sociais. E é possível que até nos ajude a encontrar soluções. No momento, este livro me faz pensar sobre o futuro dos meus familiares.
Alison lendo à janela
Anthea Craigmyle (GB, 1933-2016)
óleos sobre placa, 15 x 15 cm
Ivanhoé
Camille Engel (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 50 x 40 cm
“O Prêmio Nobel a Kazuo Ishiguro destaca não apenas um romancista notável, cheio de recursos e muito lúcido, mas também uma consciência que está o tempo todo nos avisando, através da forma literária, de que há algo de muito perigoso se movimentando debaixo dos nossos olhos. Uma excelente escolha, que dá um pouco de fôlego em um tempo que parece sufocado por conservadorismos tacanhos e violentos. Ishiguro é o contrário disso: ele é excelente.”
Em: “Um pouco de fôlego num momento conservador“, Ricardo Lísias, O Globo, Segundo Caderno, página 2; 6 de outubro de 2017.
Todas as deliciosas palavras, 2010
Connie Chadwell (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 15x15cm
A carta de amor, c. 1890
Franz von Defregger (Alemanha, 1835-1921)
óleo sobre madeira, 45 x 29 cm
Menina lendo
Jahaziel Minor (EUA, contemporânea)
óleo sobre cartão