Imagem de leitura: Edward Burne-Jones

18 08 2022

Princesa Sabra, a filha do rei, 1865

[Da Série: São Jorge e o dragão]

óleo sobre tela, 107 x 71 cm

Museu d’Orsay





Leituras de 2022: “A última livraria de Londres”, Madeline Martin, resenha

16 08 2022

Retrato de Simone Gentile segurando um livro, 1966

Serge Ivanoff (Rússia, 1893-1983)

óleo sobre tela, 64 x 54 cm

Quando comecei a ler A última livraria de Londres de Madeline Martin, com tradução de Simone Reisner, pensei que não fosse terminar.  Uma jovem que não tem o hábito de ler acha-se no início da Segunda Guerra Mundial com emprego numa livraria e sem entusiasmo para o trabalho.  Logo depois, um belo jovem, leitor e frequentador assíduo do local, que preenche todos os requisitos de atração, aparece na trama estabelecendo o vínculo romântico entre os dois.  Estávamos a caminho da velha trama:  moça encontra rapaz, eles se gostam, há empecilhos que parecem insuperáveis, até que moça e rapaz se redescobrem.  Raramente me dedico a histórias água com açúcar, cujos finais felizes já estão previstos desde as primeiras páginas.  Li muito nesta linha na adolescência e como jovem adulta.  Mas hoje prefiro livros com finais não formulaicos, surpresas de estilo e trama que me façam pensar e até encantar. 

Há, no entanto, um truque que pode  salvar ficção histórica como esta, solucionando uma parte da frustração com a leitura: há a procura pelos fatos, pelo que é mencionado. Foi com este ângulo que li até o fim e aprendi muito no meio do caminho. E por causa deste hábito, usei a narrativa para descobrir detalhes sobre Londres na Segunda Guerra que desconhecia, fatos aprendidos fora da ficção que busquei na internet para sedimentar a leitura.

Houve bombardeiros do exército alemão, diários, a Londres por oito meses consecutivos, de 1940 a 1941. As pessoas que se abrigavam nas estações do metrô enchiam as mesmas  além da plataforma,  dormiam sobre os trilhos. Abrigavam-se  de paletó e gravata, chapéu;  as mulheres de meias finas vestidos e chapéus às vezes.  Muitas crianças igualmente vestidas.  Mulheres logo começaram a participar da Patrulha do Ataque Antiaéreo.  Todo mundo contribuiu  para que a cidade não sucumbisse.  O governo sugeriu que os canteiros com flores fossem desmantelados nas residências particulares e que as pessoas plantassem seus próprios legumes para evitar a falta de alimentos. Todos os que trabalhavam de alguma maneira na guerra eram uniformizados para que fossem imediatamente reconhecidos pelo trabalho que faziam. E assim por diante.  Fui aos poucos adicionando informações,observando fotografias da época para conseguir mais resultados positivos. Sublinhei duas passagens: uma sobre livros que achei um pouco óbvia, mas que aqui vai como exemplo do modo narrativo.

“Foram os livros que nos uniram. O amor pelas histórias que eles contam, pelas aventuras para as quais nos levam, por sua gloriosa distração em tempos turbulentos. E um lembrete de que sempre teremos esperança.” estou sem a página porque  fiz leitura no kindle.  Posição 4715.

Madeline Martin Madeline Martin

É um livro de fácil leitura, contando a vida de uma moça do interior que sonha em ir para a capital do país tornar-se independente, e o faz. Supera obstáculos e tudo se resolve. É um livro para cima, de alto astral com doses de emoção e fatos históricos. Mostra a resiliência dos britânicos, a importância do amor ao próximo e o bem de se apreciar a leitura. Recomendo para aqueles que gostem dos temas fofos, com pano de fundo histórico e protagonistas com pureza de alma e solidariedade.

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.

Abaixo algumas fotos de Londres na Segunda Guerra Mundial.






“Garden-parties” antes da Primeira Guerra Mundial, texto Agatha Christie

15 08 2022

Leitura de verão

John Michael Carter (EUA, 1950)

óleo sobre tela

 

 

“Os garden-parties antes de 1914 eram algo que merecia ser recordado. Todo mundo se vestia com muita elegância, de sapatos de salto alto, vestidos de musselina com faixas, grandes chapéus de palha italiana com rosas pendentes. Os sorvetes  eram deliciosos- de morango, de baunilha, de pistache, de laranja e de framboesa, à escolha — além de várias espécies de doces e de creme de leite, sanduíches, uvas moscatel, e de uma variedade de pêssegos sem penugem.  Desses pormenores deduzo que os garden-parties eram quase sempre dados no mês de agosto.  Não me recordo de servirem morangos com creme de leite.  É claro que não era fácil chegar ao porto.  Os que não dispunham de carruagem, se eram idosos ou inválidos, alugavam uma; a gente moça, porém, caminhava uma milha e meia ou duas milhas e vinha de diferentes pontos de Torquay; alguns tinham a sorte de morar perto, outros moravam bastante afastados, porque Torquay é construída sobre sete colinas. Não há dúvida de que caminhar por uma colina em cima de saltos altos, segurando a longa saia na mão esquerda, o chapéu de sol na direita, era uma provação.  Mas valia a pena ir ao Garden party.”

 

Em: Autobiografia, Agatha Christie, tradução de Maria Helena Trigueiros,  Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1979, p. 112

 

Uma festa de jardim, na França, c. 1900




Curiosidade literária

15 08 2022

Mulher azul com livro

Alphonse Fritzner (Haiti, 1938-2006)

óleo sobre tela

Cormac McCarthy escreveu seus livros, artigos, ensaios na mesma máquina de escrever por mais de cinquenta anos.  Quando a máquina finalmente estragou, levou-a a leilão para levantar fundos para o Instituto Santa Fé, no Estado do Novo México.  A máquina foi vendida por US$ 250,000 [duzentos e cinquenta mil dólares] em 2009. O Instituto é uma organização sem lucro, dedicada à pesquisa de sistemas complexos.





Palavras para lembrar: Francis Bacon

11 08 2022

Retrato de duas crianças sentadas lendo

Marjory Mostyn (Inglaterra, 1893-1979)

óleo sobre tela, 76 x 63 cm

“A leitura faz um homem completo; a conversa ágil e a escrita precisa.”

Francis Bacon





Imagem de leitura: Edward Burne-Jones

11 08 2022

Giorgiana Burne-Jones e filhos Margaret e Philip, 1883

Edward Burne-Jones (Inglaterra, 1833-1898)

óleo sobre tela, 76 x 53 cm





“Preferível”, poesia de J. G. de Araújo Jorge

10 08 2022

Leitura, 1891

Francisco Aurélio de Figueiredo (Brasil, 1854 – 1916)

óleo sobre tela, 51 x 36 cm

Preferível

 

J. G. de Araújo Jorge

 

Por que depois

se lastimar?

 

É preferível amar

e arrepender-se,

 

que se arrepender

de não amar.

 

 





Curiosidade literária

8 08 2022

Seu livro vermelho de Ralph Miliband, 2017

Andre Mulard (GB, contemporâneo)

Óleo sobre madeira, 25 x 30 cm

Émile Zola, escritor francês, autor dos vinte romances que fazem a coleção Os Rougon-Macquart (Les Rougon-Macquart) além de outras obras, morreu em 1902, envenenado por monóxido de carbono, porque a chaminé da casa se encontrava bloqueada por falta de manutenção.  Mas até hoje há dúvidas sobre esse acontecimento.  A questão é:  teria sido acidente ou assassinato por aqueles que não gostavam de seu apoio a Alfred Dreyfus? Até hoje não se chegou a qualquer conclusão que satisfaça ambas teorias.





Sublinhando…

8 08 2022

Leitura

Louis-Emile Adan (França, 1839-1937)

óleo sobre tela, 34 x 24 cm

 

 “As cozinheiras menos jovens eram  sempre tratadas por “senhora”. As outras empregadas deveriam ter nomes apropriados, tais como Jane, Mary, Edith, etc. Nomes como Violet, Muriel, Rosamund não eram considerados próprios, e então dizia-se firmemente a essas jovens: “Enquanto você estiver a meu serviço seu nome será Mary.” As empregadas quando de certa idade eram quase sempre tratadas pelo sobrenome.”

 

Em: Autobiografia, Agatha Christiie,, tradução de Maria Helena Trigueiros, Rio de Janeiro, Nova Fronteira:1979, p.32

 





Imagem de leitura: Alejandra Hernández

6 08 2022

Astrid, 2015

Alejandra Hernández (Colômbia, 1989)

óleo sobre tela, 115 x 105 cm