Imagem de leitura: Dominic Chambers

2 05 2024

Kevin em verde, 2020

Dominic Chambers (EUA, 1993)

óleo sobre tela, 132 x 127 cm





Resenha, “Não é um rio” de Selva Almada

29 04 2024

Josien

Arjan van Gent (Holanda 1970)

óleo sobre  tela, 50 x 65 cm

 

 

 

Meu grupo de leitura Ao Pé da Letra, já havia escolhido Não é um rio, de Selva Almada, com tradução de Samuel Titan, Jr, como leitura para o mês de abril, antes mesmo do livro ter sido anunciado como finalista do prêmio Booker Internacional deste ano.  Há, além disso,  a curiosidade deste livro estar competindo com o livro Torto Arado do escritor brasileiro Itamar Vieira Júnior, também finalista para o mesmo prêmio. O grupo leu o livro brasileiro em fevereiro de 2021. Ainda brincamos, no nosso encontro de sábado, que mais uma vez estamos diante de uma competição Brasil x Argentina, já que a autora é natural da Argentina. Mas dessa vez  a rixa não é no futebol.

Todos do grupo gostaram do livro.  Ainda que alguns sentissem a necessidade de mais conteúdo de alguns personagens, mais complexidade na trama. O livro é pequeno, há aproximadas cem páginas de texto, e características de alguns personagens poderiam ser aprofundadas, fazendo o texto mais rico,  mais tridimensional.  Há personagens fortes e herméticos.   As personagens mulheres parecem tão enigmáticas quanto o olhar masculino as julga.

 

 

 

 

 

 

Confesso que gostei do livro como está.  Sem necessidade de aprofundamento dos personagens.  Gosto de textos curtos, impactantes, que marcam pela elipse, por tudo que não dizem.  É uma maneira de engajar o leitor que dá de si ao preencher as lacunas, ao entender o que foi sugerido.  Selva Almada tem uma maneira de escrever lacônica.  Não há uma palavra extra, nenhuma palavra extra para ênfase.  A narrativa mistura passado e presente, e por isso requer atenção. Há muitos personagens.  Há os personagens humanos e há pelo menos dois personagens não humanos: a floresta tropical, e o rio.  Há um tantinho de realismo mágico, na dose certa. Para mim, fiz algumas notas para manter cada personagem no seu lugar, com sua história, algo raro em texto tão curto.  Mas talvez isso tenha sido porque não li o livro de uma só vez, ainda que ele possa ser lido em duas horas. 

 

 

 

Selva Almada

 

 

Mas há uma característica dessa narrativa que me cativou e a colocou à frente de muitos livros;  Esta é uma história que mostra a violência de pessoas comuns.  Exibe o desprezo de muitos pela vida.  A vida é algo barato.  Dispensável,  Todos morremos e sofremos.  E revela o lugar deprimente das mulheres nesse enclave a que somos apresentados. É o retrato da bestialidade humana, das atrocidades cometidas no cotidiano de um grupo que se reserva um mínimo civilizatório.  Apesar disso, a narrativa é tão precisa, tão pontual e hábil que aceitamos tudo sem espanto, sem choque.  Nesse aspecto, Selva Almada se mostra uma mestre, sem igual.  Não me surpreende que hoje seja conhecida como uma das grandes escritoras argentinas. Recomendo a leitura.





Imagem de leitura: Dennis William Dring

27 04 2024

Melissa e os meninos, 1969

Dennis William Dring (Inglaterra, 1904-1990)

pastel, 51 x 41 cm





Imagem de leitura: Catherine Denvir

25 04 2024

Os leitores, 2020

Catherine Denvir (Inglaterra, 1953)

óleo sobre tela, 80 x 80 cm

 





Imagem de leitura: Willard Metcalf

20 04 2024

Verão em Redlyme, 1914

Willard Leroy Metcalf (EUA, 1858-1925)

óleo sobre tela

Florence Grimswold Museum, Old Lyme, CT





Imagem de leitura: Jess Allen

17 04 2024

A passagem do tempo, 2023

Jess Allen (Inglaterra, 1966)

óleo sobre tela, 128 x 148 cm





Imagem de leitura: Adilson Santos

15 04 2024

Mulher Lendo e Natureza Morta,1997

[Série Júlia]

Adilson Santos (Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 81X 65 cm

 





Imagem de leitura: Ladislaus Bakalowicz

11 04 2024

Escolhendo um livro

Ladislaus Bakalowicz (Polônia, 1833-1904)

óleo sobre madeira, 55 x 40 cm





Imagem de leitura: Gwen Meyerson

6 04 2024

Café da manhã na cama

Gwen Meyerson (EUA, contemporânea)





Saudade, poesia de Januário dos Santos Sabino

28 03 2024

Leitora no jardim, final da década de 1960

Cesare Peruzzi (Itália, 1894-1995)

óleo sobre tela, 33 x42 cm

 

 

Saudade

 

Januário dos Santos Sabino

 

Quando o sol já no poente

Perde o brilho, a cor desmaia

E louca vaga gemente

Se desenrola na praia;

 

Quando alegre o coleirinho,

No galho da pitangueira,

Trina à beira do seu ninho

Doce canção feiticeira;

 

Quando a flor n’haste pendida,

Mais grato perfume exala,

E a natureza sentida

Como que, cantando fala:

 

Eu sinto, minha alma então

Divagar na imensidade

Dos cismares da paixão,

Levada pela saudade;

 

Lembra-me o tempo encantado,

Que eu a teu lado passei…

Ah!… com então enlevado,

No teu amor me inspirei!

 

Minha vida que então era,

Arruinado jardim,

Transformou-se em primavera,

Teve rosas e jasmim;

 

E as ondas procelosas,

Do mar de minha existência,

Se acalmaram bonançosas,

Ao teu sorrir de inocência;

 

Mas agora, — ave sem ninho,

A doudejar no deserto,

Cego em busca do caminho,

Com passo tardio e incerto;

 

Lembrando esse momento,

De tão venturosa idade,

Só encontro um sentimento,

Uma palavra – saudade!

 

Revista O Cysne, ano I, nª 1, 1864

 

Januário dos Santos Sabino (Brasil, 1836?- 1900)