Mulher lendo com cachorro
Birbee (Holanda, contemporânea)
óleo sobre tela, 40 x 50cm
“Não é a verdade que vence, é a convicção.”
Machado de Assis
Machado de Assis (1839 – 1908)
Mulher lendo com cachorro
Birbee (Holanda, contemporânea)
óleo sobre tela, 40 x 50cm
Machado de Assis
Machado de Assis (1839 – 1908)
Autorretrato, c. 1630
Judith Leyster (Holanda, 1609-1660)
óleo sobre tela, 74 x 65 cm
National Gallery, Washington DC
Auto-retrato com gola de pele, 1940
Annie Caroline Pontifex Fernhout-Toorop conhecida como Charley Toorop
(Holanda, 1891 – 1955)
Autorretrato com símbolos de Vanitas, 1651
David Bailly (Holanda, 1584 – 1657)
óleo sobre madeira, 65 x 97 cm
Stedelijk Museum De Lakenhal, Leiden, Holanda
Retrato de mulher em amarelo lendo um livro, 1953
Georges van Houten (Belgica, 1888-1964)
Acervo da Universidade de Oxford
Tornei-me fã de Arnon Grunberg após a leitura de Tirza, que junto a O refugiado, é considerado uma de suas obras-primas, entre os mais de doze romances publicados. O Homem sem doença (2012), traduzido por Mariângela Guimarães, é bem mais recente. São duas obras diferentes em polos opostos do espectro. Elas se encontram na narrativa de suspense típica de Grunberg que faz o leitor permanecer em estado de alerta sobre o futuro dos personagens, preocupado com o que virá a acontecer. E quando eventos finalmente se concretizam têm a habilidade de retratar uma realidade muito pior do que a imaginação permitiria.
Confesso que sem meu grupo de leitura eu não teria me preocupado em escrever sobre este romance, porque não gostei. Mas não gostei do quê? E por que razão? Fui até o fim. Li, palavra por palavra. Mas me perdi no asco gerado pelas imagens vivas e em cores de selvageria e agressividade; desfiz-me imaginando torturas e vagueei pelo mundo sem saída de Samarendra Ambani, arquiteto suíço de origem indiana, que protagoniza a obra. A personalidade de Sam habita a zona limítrofe mental. O leitor entrevê, nas detalhadas ações do cotidiano, uma zona de penumbra comportamental perigosa, apoiada na instabilidade de humor, que se reflete nas relações sociais do personagem. O desconforto gerado com a leitura começa desde o primeiro parágrafo, quando descobrimos que há discrepância entre a visão que ele tem de si mesmo e o que é: “gostaria de ser visto como um viajante profissional, alguém que já esteve em quase toda parte do mundo e, portanto, também se sente em casa em qualquer lugar” [7]. Grunberg é generoso com o leitor. Logo no primeiro capítulo, dá as diretrizes do comportamento do arquiteto, mas de maneira sutil, portanto temos que pescar, nas ideias subordinadas, aquelas características que irão servir de fio de Ariadne, para o entendimento de Sam. Sabemos, por exemplo, que Sam não consegue exprimir seus sentimentos em palavras: “Que bom que você está aqui! Ele gostaria de dizer isso sem palavras e por isso não diz nada. Sentimentos e palavras não combinam. Em sua opinião a palavra mata o sentimento” [10]. Para ele o mundo deveria ser perfeito e organizado como a própria Suíça e imperfeições são difíceis de aceitar. Com a irmã doente, presa numa cadeira de rodas, ele vacila entre curá-la ou matá-la, pois um mundo imperfeito é inaceitável. Não fazendo nenhum dos dois, chega à sua definição do amor: “… não é amor quando não sabemos mais se queremos fazer desaparecer ou curar o objeto dos nossos sentimentos?” [14]. E quando se apaixona, Sam justifica: “Ela era a mulher mais civilizada que ele já havia encontrado e ele buscava civilidade no amor.”[16]. “Nina era completamente diferente de sua irmã. Não babava, era independente, podia ir sozinha ao banheiro e também não precisava de ajuda para tomar banho. A civilidade começa com o controle do próprio corpo.” [17]. Mas será que se apaixona? Será que é capaz deste sentimento?

O passo seguinte é Sam perder o controle. Projeta a primeira casa de ópera de Bagdá, construção que na vida real havia sido desenvolvida pelo arquiteto americano Frank Lloyd Wright, em 1957, sem ter sido concluída. É exatamente neste momento, em que se prepara para erigir a casa de ópera, projeto de sua autoria, vencedor de uma competição internacional, que Sam entra no mundo labiríntico iraquiano. Confinado a uma realidade Kafkaniana, onde nenhum parâmetro pode ser delineado; num mundo paralelo, onde a racionalidade não existe, e certezas têm a solidez de miragens, Sam se desconstrói emocional e fisicamente. Nem mesmo a profissão de arquiteto cujos preceitos ordenam o cotidiano serve de eixo para seu desempenho diário. E as consequências dessa aventura de mau gosto são sentidas no decorrer de seu retorno ao mundo civilizado suíço.
Como alguém se refaz de tal desmanche? Como sobreviver quando tudo em que sua vida se baseou foi destruído, despedaçado? Sobrevivente dos excessos que lhe foram impostos, do desregramento, Sam retorna diferente. E encontra um mundo também mudado. Até mesmo o bigodinho de sua namorada, que ele tanto apreciava, desapareceu nesse intervalo. Será que sua maneira de achar controle, equilíbrio também foi corrompida?
Arnon Grunberg
Já no mundo inglês o provérbio “if you can’t beat them, join them” [se você não pode vencê-los, junte-se a eles] nos dá uma ideia parcial do futuro de Sam. Como um viciado, com um dependente dos abusos que lhe foram impostos, Sam retorna ao mundo que o corrompeu. Não encontra a satisfação que esperava e em ação quase heroica, desesperada, semi-demente, se desvencilha de tudo que compôs seu mundo e dá a prova final de amor e dedicação à irmã.
Esta poderia ser a leitura mais romântica da obra. Mas há no subtexto a grande ironia das verdades humanísticas, das propostas idealizadoras da civilização; há a crítica aos lugares-comuns que alardeamos como verdades inquestionadas. Há crítica ao idealismo ocidental. E então você me pergunta, por que não gostou? Uma obra tão rica, que pode ser lida em diferentes níveis? Porque não preciso da brutalidade das imagens para entender o conteúdo. Porque há um exagero de provocação, de vitupério. Avilte, violência, barbaridade e desumanidade. Por melhor que a obra seja, não quero passar horas e horas abraçada a esses despropósitos. Acredito na meia-palavra, no signo que a imaginação do leitor preenche. Prefiro que o autor me dê o crédito de entender as evasivas, de perceber a obliquidade. Não preciso da adulação à violência, nem do barroco na crueldade. Por isso não gostei. É uma preferência minha.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Verão 2
Richard van Mensvoort, (Holanda, 1972)
óleo sobre tela, 50×40 cm
Autorretrato com símbolos de vanitas, 1651
David Bailly (Holanda, 1584 — 1657)
óleo sobre madeira, 65 x 97 cm
Stedelijk Museum De Lakenhal, Leiden
Primeiro banho
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Arthur Wardle foi uma dos mais conhecidos pintores ingleses de animais no início do século XX Retratou um grande número deles indo muito além dos animais domésticos e de sítios e fazendas, tema característicos dos pintores da época. Mas, foi um passo além, especializando-se também no retrato de animais selvagens, de habitats exóticos típicos de diferentes continentes. Usou com maestria tanto as aquarelas, óleos ou pasteis para retratá-los.
Espere e veja, 1913
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre tela, 40 x 56 cm
Lição de leitura, 1892
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre tela, 50 x 61 cm
A almofada verde
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre tela, 45 x 60 cm
Recém-chegados
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre tela, 63 x 76 cm
Senhora com corças, 1927
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre tela, 69 x 57 cm
Retrato de dois King Charles Spaniels
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre tela, 54 x 34 cm
Amigos da fazenda
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre madeira, 28 x 38 cm
Paciência
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre madeira, 60 x 85
Gansos em dia de verão
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleo sobre madeira, 28 x 37 cm

Do lado de fora
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleos sobre tela
Leopardos
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleos sobre tela, 66 x 96 cm
Elefantes
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleos sobre tela, 66 x 96 cm
Terrier orgulhoso de suas presas
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleos sobre tela, 56 x 46 cm
Com espaço para correr
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleos sobre tela, 66 x 38 cm
Um pequinês na almofada azul
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleos sobre madeira, 29 x 29 cm
A favorita
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleos sobre tela, 51 x 61 cm
Uma questão de família
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleos sobre tela, 51 x 61 cm
Leões no rio
Arthur Wardle (GB, 1864-1949)
óleos sobre madeira, 14 x 22 cm
Cão e pombos, 1898
Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)
óleo sobre tela, 51 x 76 cm
Museums Sheffield
Primeira postagem do ano da seleção de telas de pintores conhecidos por retratar animais. Aqui temos alguns dos trabalhos de Edgar Hunt, pintor inglês dos séculos XIX e XX (1876-1953). Pintou principalmente animais da fazenda, com particular interesse nos galináceos e em cenas gentis, bucólicas da vida no campo.

Esperando pelo almoço, 1898
Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)
óleo sobre tela, 61 x 45 cm
Wolverhampton Art Gallery
Uma vista melhor, 1899
Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)
óleo sobre tela
Cabo de guerra
Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)
óleo sobre madeira, 15 x 23 cm
Melhores amigos, 1918
Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)
óleo sobre madeira, 15 x 23 cm
Brincando com a morte, 1945
Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)
óleo sobre tela, 29 x 44 cm
Dover Collection
Burrico, pôneis e galináceos, 1934
Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)
óleo sobre tela, 51 x 76 cm
Na hora certa, 1903
Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)
óleo sobre tela, 50 x 68 cm
Sunderland Museum & Winter Gardens
O filho do fazendeiro, 1898
Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)
óleo sobre tela, 76 x 115 cm
Mulher com livro à janela, 1654
Gabriel Metsu (Holanda, 1629-1667)
óleo sobre tela, 104 x 90 cm
Coleção Particular