Retrato do Sr. X, 1906
[Retrato de Pierre Loti]
Henri Rousseau (França, 1844-1910)
óleo sobre tela, 61 x 50 cm
Kunsthaus, Zurique
Retrato do Sr. X, 1906
[Retrato de Pierre Loti]
Henri Rousseau (França, 1844-1910)
óleo sobre tela, 61 x 50 cm
Kunsthaus, Zurique
O gato sábio, 1904
Henriëtte Ronner-Knip (Holanda, 1821-1909)
óleo sobre madeira, 28 x 36 cm
Coleção Particular
De manhã, quando a gente chegava à nossa baia, tinha sempre um gato branco deitado na mesa de P. O encarregado da limpeza disse que podia dar um jeito nele, Tá tranquilo, o bichinho não faz mal pra ninguém. No começo era o gato do hangar. Depois virou o gato da nossa ilha. Até que chegamos um dia pela manhã e o bicho parecia meio morto. Nunca vi alguém tão desesperado pela vida de um animal que sequer lhe pertencia. Foi aí que ele virou o gato da P.
Penélope segurou o gato, que mais parecia um tigre-de-bengala em seu colo, e correu com dificuldade em direção ao pátio. Pediu ao seu Geraldo, o motorista, que o levasse ao veterinário mais próximo, e rápido. A lamúria da P. durou uma semana, o tempo da internação. Penélope foi visitá-lo todos os dias e voltava com boletins não solicitados da evolução do quadro. Eu não aguentava mais aquela ladainha toda. Quando ela voltou com o bicho recém-operado dentro da caixa de transporte, seu Geraldo despontou atrás com sacolas enormes, trazendo o enxoval completo comprado no pet shop. Penélope depositou a caixa cuidadosamente no canto da sua mesa. Dava para ver um colchãozinho xadrez. Não tem gato? Então, não tem. É uma gata. Penélope mostrou a plaquinha de identificação como nome Lady Gata e o número do celular dela. É isso, agora a gata mora aqui com a gente. Alguém tem alergia? Bateu uma caixa de Fenergan em cima da mesa. Sem protestos.
Em: Virgínia mordida, Jeovanna Vieira, Companhia das Letras: 2024
Gato caçando pássaro, 1939
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela, 100 x 81 cm
Museu Picasso, Paris
Gato com caranguejo , 1965
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Guggenheim Museum, NY
Gato com lagosta, 1965
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Guggenheim Museum
Gato comendo um pássaro, 1939
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela, 81 x 100 cm
Museu Picasso, Paris
Natureza morta com gato e peixe, 1962
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Museu Picasso, Barcelona
Gato, 1955
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
aquarela sobre papel
Dora Maar com gato, 1941
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Jacqueline sentada com seu gato, 1964
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Musée des Beaux Arts, Montréal
Nu reclinado com gato, 1964
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Nu reclinado com gato, 1964
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Museu Picasso, Málaga
NOTA: em todas as telas que conheço de Picasso, e nem todas estão aqui, porque não tenho detalhes ou confirmação de onde estão, os gatos para Picasso não são todos fofinhos e deliciosos de se ter no colo. São muito agressivos. O que vocês acham?
O gato
Sonya Grassmann (Bulgária-Brasil, 1933-1997)
[Anne Marie Elisabeth Graesse]
acrílica sobre madeira, 30 cm x 32 cm
A curiosidade de Offenbach não tem limites animais: basta que alguém de nós pare diante das janelas que dão para rua, para ver Offenbach, atrás e abaixo, tentando olhar o que olhamos, por todos os meios, chegando a miar para que o carreguem ou suba ao televisor e, espichando o pescoço, olhar também o que olhamos.
Um dia chegou em casa a bela G. Ch., numa visita breve, e Offenbach, talvez reconhecendo-a, caprichou seu caminhar à Dietrich para atravessar a sala em direção ao estúdio e para inspirar a simpatia eterna à visita: a mesma coisa acontece com qualquer visitante receptivo aos gatos.
. . . . . . . . . . . .
Ver Offenbach comer ou tomar água é outro deleite: não pode haver maior finura em atos tão animais. Sua língua sobe e desce na água com uma regularidade metronômica, e, ao comer, morde gentilmente a carne e a engole pouco a pouco, à medida que é mastigada por seus débeis dentes.
Offenbach é um espetáculo de ver até dormindo, sobretudo dormindo. Nos dias de sol ele se regala com a luz e o calor, estirando uma pata à frente enquanto coloca sobre ela a cabeça à maneira de almofada. Nos dias frios se recolhe como uma galinha chocando, perto de um dos radiadores, convertendo-se numa verdadeira bola de pelos, apenas a cabeça saindo de dentro do abrigo natural. Outras vezes usa como travesseiro os objetos mais diferentes: o cabo do telefone, a perna de um radiador, o próprio chão, enquanto seu corpo descansa num coxim. Outras vezes… mas basta.
Em: Offenbach, conto de Guillermo Cabrera Infante (1929-2005), em Os melhores contos de cães e gatos, org. Flávio Moreira da Costa, Rio de Janeiro, Ediouro: 2007
Retrato de mulher com gato, c. 1890
Nikolai Yaroshenko (Ucrânia, 1846-1898)
óleo sobre tela, 79 x 81 cm
“O som do relógio, que expulsara o silêncio, morria em vibrações cada vez mais ténues e distantes. Depois de apagar todas as luzes, Justina foi sentar-se numa cadeira, perto da janela que dava para a rua. Gostava de ali estar, imóvel, desocupada, as mãos abandonadas no regaço, os olhos abertos para a escuridão, à espera nem ela sabia de quê. A seus pés veio enroscar-se o gato, seu único companheiro de serões. Era um animal tranquilo, de olhos interrogadores e andar sinuoso, que parecia ter perdido a faculdade de miar. Aprendera com a dona o silêncio e, como ela, a ele se abandonava.”
Em: Claraboia, José Saramago, Cia das Letras. Original de 1953, publicação póstuma em nova edição.
Gato
Carlos Anesi (Argentina-Brasil, 1943-2010)
óleo sobre tela, 90 x 130 cm
“E os olhos do escuro se amarelaram. E se viram escorrer, enxofrinhas, duas lagriminhas amarelas em fundo preto.
O escuro ainda chorava:
– Sou feio. Não há quem goste de mim.
– Mentira, você é lindo. Tanto como os outros.
– Então porque não figuro nem no arco-íris?
– Você figura no meu arco-íris.
– Os meninos têm medo de mim. Todos têm medo do escuro.
– Os meninos não sabem que o escuro só existe é dentro de nós.
– Não entendo, Dona Gata.
– Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro só mora quem lá inventamos. Agora me entende?
– Não estou claro, Dona Gata.
– Não é você que mete medo. Somos nós que enchemos o escuro com nosso medos.”
Mia Couto, em O gato e o escuro; Cia das Letrinhas: 2008
Paulo Mendes Campos
O gato pensa um bocado!
Pensa de frente e de lado!
Esticado ou enrolado!
Satisfeito ou chateado!
Brincalhão ou preocupado!
Sem jantar ou já jantado!
Com saúde ou constipado!
O gato pensa um bocado!
Pensa no império chinês!…
Pensa no irmão siamês!…
Mas um gato sem talento
só tem um pensamento:
CAMUNDONGO! CAMUNDONGO!
Se te pego, te viro assim: OGANODNUMAC!…