Ernest Hemingway recomenda…

11 09 2024

Em 1934, depois de ler uma história de Ernest Hemingway na revista Cosmopolitan intitulada One Trip Across, mais tarde publicado no livro To have and to have not — publicado em português e traduzido por Luiz Peazê comoTer e Não ter — o jovem Arnold Samuelson, recém formado jornalista americano, viajou mais de três mil quilômetros para se encontrar com o autor do conto que tanto lhe impressionara.

Não foi um encontro fácil para o jovem viajante.  Mas valeu-lhe a espera de dois dias até ser recebido na varanda de Hemingway para um bate-papo.  Samuelson depois de conversar com o escritor por algum tempo, explicando de sua dificuldade em realizar o sonho de escrever ficção, Hemingway finalmente o aconselhou a evitar os escritores contemporâneos.  Ele deveria, no entanto.  competir, com os que já haviam morrido e se mirar nas obras que tivessem sobrevivido ao teste do tempo. Ou seja, às obras que ainda eram significativas. E  finalmente Samuelson saiu da visita em Key West, com a lista cuja fotografia vemos aqui.  Para facilitar a leitura, aqui estão os livros recomendados por Hemingway.

Stephen Crane

The Blue Hotel   [não achei tradução no Brasil]

The Open Boat  [não achei tradução no Brasil]

Gustave Flaubert

Madame Bovary

James Joyce

Dubliners  — Dublinenses (português)

Stendhal

The Red and the BlackO vermelho e o negro (português)

Somerset Maugham

Of Human Bondage Servidão humana (português)

Tolstói

Anna Karenina  — Anna Karenina (português)

War and Peace Guerra e Paz (português)

Thomas Mann

BuddenbrooksOs Buddenbrook (português)

George Moore – G. E. Moore

Hail and Farewell [não achei tradução no Brasil]

Dostoiévski

Tolstói

Anna Karenina  — Anna Karenina (português)

War and Peace Guerra e Paz (português)

Thomas Mann

BuddenbrooksOs Buddenbrook (português)

George Moore – G. E. Moore

Hail and Farewell  [não achei tradução no Brasil]

Dostoiévski

Brothers KaramazovOs irmãos Karamazov (português)

 Diversos poetas

The Oxford Book of English Verse

E. E. Cummings*

The Enormous RoomA cela enorme (português)

* Interessante que E.E.Cummings é muito mais conhecido com poeta, e Hemingway o escolhe por sua prosa.

Emily Brontë*

Wuthering HeightsO morro dos ventos uivantes (português)

* ùnica mulher. Mas afinal a lista é de Hemingway… era de se esperar…

W. H. Hudson

Far Away and Long Ago  [não achei tradução no Brasil]

Henry James

The American — [não achei tradução no Brasil]

E você, quais desses você já leu?  Concorda com Hemingway?





Curiosidade Literária

14 08 2023
Esperando o trem, ilustração de Thornton Utz, 1955.

 

Ernst Hemingway se transformou ao longo dos anos em ícone da masculinidade.  Desde criança dizia “não ter medo de nada”,  Mais tarde, jovem, fez de tudo para ir à guerra, quando se feriu gravemente.  Bebia muito, praticava o boxe e se dedicava à pescaria.  Acreditava que era necessário sempre manter boa compostura quando encarava o medo.  É surpreendente saber, no entanto, que quando pequeno, sua excêntrica mãe, que muito desejara uma gêmea para a filha mais velha Marceline, o vestia com roupinhas de menina, dando-lhe cortes de cabelo de menina e apresentava Ernst aos vizinhos, como sua filha Ernestina.

 

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Duas fontes:

Secret Lives of Great Authors: What Your Teachers Never Told You about Famous Novelists, Poets, and Playwrights, de Robert Schnakenberg, Kindle Edition, 2008

“Hemingway and Masculinity”, Mark M. Dudley e Suzanne del Guizzo, na Hemingway Review