Fantasias, conto infantil de Wilson W. Rodrigues

12 05 2015

 

 

ursinho equilibrista

 

Fantasias

 

Os dois Ursos haviam se convertido na atração máxima do grande baile de Carnaval do Teatro Municipal.

Um deles, entre risos dos foliões, acabara, havia pouco, com todas as frutas que ornamentavam as mesas, devorara um enorme peixe e a mais volumosa bandeja de salada russa. Nem por isso parecia saciado, pois se atirara à geleia e ao creme com a volúpia de um menino. Bebeu dúzias e dúzias de cervejas geladinhas; comeu dezenas de camarões recheados, coxinhas de galinha, ovos, uma quantidade assombrosa de comida e doces sem conta.

Perto da meia-noite, os alto-falantes convocaram os foliões para o famoso desfile do Concurso de Fantasias.

Todos aplaudiram:

— Os Ursos! Os Ursos!

O primeiro deles levantou-se e apontou a passarela:

— Vamos, seremos os Reis do Baile.

— Eu não, resmungou o outro.

— Não vai participar do desfile?

— Não.

— Sem você … que será de mim?

E numa confissão melancólica:

— Um casal de Ursos não é a mesma coisa que um Urso solitário. Perderei o prêmio.

— Não vou, nem devo ir… já é muito tarde.

— Mas a festa mal começou!

— Por isso mesmo, não quero estragar a alegria de ninguém. À meia noite, todos terão de arrancar as máscaras.

— E que tem isso?

— Acontece que eu não uso máscara. Eu sou um Urso mesmo.

 

***

Em:Contos dos caminhos, Wilson W. Rodrigues, Torre Editora, Estado da Guanabara, s/d, pp: 31-34





Imagem de leitura — Albert Fitzberger

11 05 2015

Mulher recostada lendo, A.Fitzberger (alemanha, 1853-1915)ostMulher recostada lendo

Albert Fitzberger (Alemanha, 1853-1915)

óleo sobre tela, 74 x 100 cm





Nossas cidades — Embu das Artes

11 05 2015

Ottone Zorlini - Embu - Aquarela - 18 x 24,5 cm - 1953Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Embu, SP, 1953

[Hoje museu da cidade]

Ottone Zorlini (Itália/Brasil, 1891-1967)

Aquarela sobre papel, 18 x 24 cm





Imagem de leitura — Robert Lewis Reid

10 05 2015

 

 

robert reidRetrato de menina, 1919

Robert Lewis Reid (EUA, 1862-1929)

óleo sobre tela, 111 x 90 cm

Coleção Particular





Domingo, um passeio no campo!

10 05 2015

 

 

Manoel Martins Menacho - Óleo sobre tela sobre placa 40x50 cm - 2002 - Assinado no canto inferior direitoPaisagem, 2002

Manoel Martins Menacho (Brasil, 1926-2011)

óleo sobre tela colado em placa, 40 x 50 cm





Imagem de leitura — Frank Weston Benson

9 05 2015

 

 

Afternoon_in_September_oil_1913_Frank_Weston_BensonUma tarde em setembro, 1913

Frank Weston Benson (EUA, 1862-1951)

óleo sobre tela, 64 x 76 cm

Museu de História Natural de Los Angeles





Trova do sabiá

9 05 2015

 

 

mapa-passaro Jason LaFerrera,Ilustração de Jason La Ferrera, colagem de antigos mapas.

 

 

Sabiá põe em seu canto
tal ternura que ao cantar,
mais parece um acalanto
para a alma cochilar.

 

(Amália Max)





Flores para um sábado perfeito!

9 05 2015

 

 

NADIA BRAGA - Flores, ost, 30x40cm, assinadoFlores

Nádia Braga (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 30 x 40 cm

 

 





Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

8 05 2015

 

 

TELLES, Sérgio,Rua do Catete,óleo s tela, ass. inf. dir.(década de 1990)73 x 116 cmRua do Catete, década 1990

Sérgio Telles (Brasil, 1936)

óleo sobre tela, 73 x 116 cm





Joan Miró, anotações de Murilo Mendes

8 05 2015

harlequins-carnivalO Carnaval do Arlequim, 1925

Joan Miró (Espanha, 1893-1983)

óleo sobre tela, 66 x 90 cm

Albright-Knox Art Gallery, Buffalo

 

 

Joan Miró

 

 

♦ Miró declara que não pode separar a poesia da pintura. Rompe a linha convencional do discurso realista, criando a sigla, o número plástico, a alusão.

 

♦ Exorciza o lado mecânico do nosso tempo. Organizando a infância futura, consegue, em todos os casos, conciliar sonho e disciplina racional.

 

♦ Sacrifica a quantidade da informação à qualidade lírica, a espessura à sutileza.

 

♦ Nem surrealista, nem abstrato ortodoxo, escapa às etiquetas.

 

♦ Sabe que o mundo através de seus sistemas gastos impede por exemplo o pássaro de telegrafar à pedra; impede as estrelas de jogarem aos dados; a formiga de pedir a palavra; um cachorro de puxar aquela moça por um cordel.

 

♦ Encontrei Miró em Paris, Barcelona, Palma de Maiorca, Roma. Vi-o, artesão refinado, atento à transposição da forma, ao limite do objeto. Traduz a cenografia do mar, decifra o enigma da bola, do peixe, do triângulo. Põe o cosmo no bolso. Calígrafo, criador de signos, invencível inventor.

 

♦ Miró extrai o maravilhoso da coisa imediata, visível; transforma em realidade a faixa onírica.

1973

 

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,pp. 224-25.