O inesperado sempre acontece…

17 12 2025
Madame Mim não quer bagunça, ilustração Walt Disney.

 

 

Este fim de ano está mais caótico do que eu poderia imaginar.  A essa altura vocês já devem ter notado alguma irregularidade nas minha postagens. Sim, elas não estão normais, nem tão regulares.  Mas dentro em breve devem voltar a um ritmo mais ou menos normal. Seria um absurdo eu listar tudo o que deu errado.  Ninguém acreditaria.  Mas aos poucos, dia a dia, estou conseguindo vencer essa nuvem de pequenas e grandes frustrações, a maioria das quais ninguém é realmente culpado. Eu disse maioria das quais. 

Na segunda metade de outubro comecei a dar uma repaginada aqui em casa.  Mandei pintar alguns cantos, reorganizei móveis, troquei de fontes de luz e me entusiasmei, porque tive confirmado um almoço que darei para amigas escritoras, agora no final de semana, dia 20, aqui em casa;

Como estava tudo indo de vento em popa, eu me entusiasmei e decidi, com aquela famosa expressão que meus amigos portugueses adoram, bem eu decidi que:  já agora, iria também fazer o mesmo no meu escritório.  Poderia pintar de novas cores as paredes, remanejar alguns móveis, organizar estantes, selecionar livros.  E me joguei de corpo e alma ao trabalho.  Nesse meio tempo meus objetos decidiram me dizer que precisavam de assistência: perdi o som no meu computador. todas as minhas lives tiveram que ser via telefone… HORRÍVEL!  O ventilador de teto da sala parou e dias depois caiu antes mesmo do novo ventilador chegar.  E assim, uma sucessão de pequenos acidentes se perfilou no meu dia a dia.  

Nesse meio tempo o apartamento acima do meu, que estava em reforma desde agosto, estava a ponto de ser habitado.  E…  os pedreiros fecharam as paredes escondendo, sem querer, um vazamento substancial. O que na minha vida já andava caótico, de repente em coisa de quatro dias passou de água no chão de um banheiro, para um balde d’água cheio a cada quarenta e cinco minutos, em um dos banheiros, com água vinda do teto.  Todos os três foram afetados, porque afinal todos pertencem à mesma coluna.  Mas o hall interior também teve água descendo pelos spots.  Não era problema da coluna.  Era dentro da parede novinha do apartamento de cima.  Levamos alguns dias para descobrir e desde 12 de novembro até dia 15 de dezembro algumas coisas aconteceram enquanto esperávamos as paredes secarem: mofo, mofo e mofo e massa dos tetos caindo, tetos rebaixados esburacados, portas empenadas. E consegui desenvolver uma tremenda alergia.  Um desastre muito maior do que se pode imaginar.  Tem sido difícil.  Objetos elétricos não funcionam. Novas tomadas precisaram ser colocadas. E hoje finalmente a pintura começou.  Vão terminar tudo sexta-feira, véspera do meu almoço.  O que vou servir?  Ainda não sei.  Mas contratei duas pessoas que começam a me ajudar a partir de amanhã.  Só os livros de volta nas estantes é que precisam ser recolocados só por mim.  Mas essas duas pessoas, profissionais de limpeza e organização irão tomar as rédeas da casa.  Porque, francamente. estou exausta. 

As bruxas se esqueceram de voltar para casa depois do dia 31 de outubro.  Mas o  bem sempre vence… elas estão armando suas vassouras para decolar.  Voltarei a postar regularmente.  Só não posso prometer quando.  Mas estou por aqui.  Viva. Sobrevivente.  Ainda nos falamos antes dos feriados.   





Trova da minha bruxa

31 10 2014

 

bruxa, gato preto, Marie Lawson, Child Life 1935-10Ilustração de Marie Lawson, Revista Child Life, Outubro de 1935.

 

 

Minha sogra, aquela bruxa,
Num fusca mandando brasa,
E eu fico pensando – puxa!
Com tanta vassoura em casa!

 

(Magdalena Léa)