Inverno: Charles Dickens

19 08 2023

 

 

“Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos. Foi a idade da sabedoria, foi a idade da tolice. Foi a época da fé, foi a época da incredulidade. Foi a estação da luz, foi a estação das trevas. Foi a primavera da esperança, foi o inverno do desespero. Tínhamos tudo diante de nós, não havia nada antes de nós. Todos íamos direto para o céu, todos íamos direto para o outro lado.”

 

Charles Dickens

 





Passeio de domingo: casa de campo, montanha ou costa?

30 07 2023

Barcos próximos ao porto

Aluísio Valle ( Brasil, 1906-1988)

óleo sobre eucatex, 33 X 41 cm

 

 

 

Casa de campo, 1965

Leopoldo Gotuzzo (Brasil, 1887 – 1983)

óleo sobre madeira, 18 x 14 cm

 

 

Paisagem

Henrique Cavalleiro (Brasil, 1882-1975)

óleo sobre tela, 52 x 64 cm





Clara, poesia de Casimiro de Abreu

27 07 2023

Moça sentada na rede

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre tela, 70 x 54 cm

 

 

Clara

 

Casimiro de Abreu (1839-1860)

Não sabes, Clara, que pena
Eu teria se – morena
Tu fosses em vez de clara!
Talvez… Quem sabe?… não digo…
Mas refletindo comigo
Talvez nem tanto te amara!

A tua cor é mimosa,
Brilha mais da face a rosa,
Tem mais graça a boca breve.
O teu sorriso é delírio…
És alva da cor do lírio,
És clara da cor da neve!

A morena é predileta,
mas a clara é do poeta:
Assim se pintam arcanjos.
Qualquer, encantos encerra,
Mas a morena é da terra
Enquanto a clara é dos anjos!

Mulher morena é ardente:
Prende o amante demente
Nos fios do seu cabelo;
– A clara é sempre mais fria,
Mas dá-me licença um dia
Que eu vou arder no teu gelo!

A cor morena é bonita,
Mas nada, nada te imita
Nem mesmo sequer de leve.
– O teu sorriso é delírio…
És alva da cor do lírio,
És clara da cor da neve!





Passeio de domingo: casa de campo, montanha ou costa?

16 07 2023

Descanso na rede, 1973

Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)

óleo sobre tela, 64 x 51 cm

Colheita de flores

Cândido Oliveira (Brasil, 1961)

óleo sobre tela,  60 x 80 cm

Porto, 1990

Hector Barnabó, cognome Carybé (Argentina-Brasil, 1911-1997)

guache sobre cartão, 50 x 35 cm





Nossas cidades: Itaboraí

11 07 2023

Paisagem com Igreja em Itaborahy, 1992

Clauber Cecconi (Brasil, 1939)

óleo sobre tela, 46 x 32 cm





Novos tempos?

9 07 2023

The Interval At The Theatre Painting by Charles Henry Tenre - Pixels

Intervalo na noite do teatro de Valençay

Charles Henry Tenré (França, 1864-1926)

óleo sobre tela

Musée d’Art et d’Industrie, Roubaix

Julho, férias e vontade de ver o que está em cena nos teatros, que anda aparecendo nos nossos musicais?  Vendo o oferecido no Rio de Janeiro, em breve passagem pelo sítio de ingressos,  concluo que estamos sem presente.  Estamos vivendo no passado.  Procurei por espetáculo musical.  Encontrei muitos. Encontrei samba, das mais variadas raízes, nenhuma das quais me seduziu, e muita música da época junina.  Nem sabia que havia tanta produção junina assim..  Mas a maioria a maioria mesmo dos espetáculos para julho toma a forma tributos a estrelas, grupos ou músicas do passado.  Temos Cazuza, Gonzaguinha, Abba, Bee Gees, Sinatra, Mamma Mia, Bob Esponja o Musical, Queen, Gal Costa, Marlene, Rei Leão, Bossa Nova, Pearl Jam, Clássicos da Broadway, Queen Live Kids, Mercedes Sosa.

Tanta saudade assim?  Não é estranho?  Por que insistimos em olhar para trás?  Talvez estejamos refletindo o gosto de quem vai a esses espetáculos?  Seriam todos de idade acima dos cinquenta anos que querem reviver o que imaginam ser uma época ideal?  Maravilhosa?  O Rio de Janeiro ficou velho?

Passei pela mesma casa de ingressos, mas foquei em São Paulo.  Este fenômeno não está lá.  Encontrei dois espetáculos de tributos a antigos cantores, mas encontrei palcos mais vibrantes com sangue novo que parecem trazer coisas interessantes.  Inexplicável o que está acontecendo no cenário carioca.  Até dois “Gritos de Carnaval” encontrei acontecendo aqui, agora, no mês de julho.  Estou em choque.





No trabalho: Manoel Costa

4 07 2023

Lenhadores, 1998

Manoel Costa (Brasil,1943)

óleo sobre tela, 60 X 80 cm





Carlos III, rei da Inglaterra: a coroação

1 06 2023

Retrato de Charles III por Alastair Barford.

No dia 6 de maio, Charles III da Inglaterra foi coroado.  Diferente da coroação de sua mãe, desta vez o mundo inteiro participou da cerimônia em tempo real.  Pela televisão observamos pessoas na abadia, seus gestos e roupas, sorrisos e reações.  Vimos participantes devidamente agalanados, emotivos, discretos em ricas roupagens. Uma pletora de detalhes registrada para sempre nos anais da história mundial. Detalhes dessa ocasião poderão  ser trazidos ao público, a qualquer momento, quando futuras gerações poderão também observar toda a cerimônia.

Charles III é o primeiro rei a ter toda sua vida exposta ao mundo; não só a seus súditos. Nunca tanta informação sobre um futuro monarca foi divulgada, por tanto tempo, a conta gotas, com fotos, através dos anos, através de mais de sete décadas.  Nunca tanta especulação sobre quem ele iria escolher para esposa foi assunto de multidões, súditos ou não.  Mesmo que, ao contrário de eras passadas, qualquer casamento que fizesse não fosse adicionar terras, condados, ducados, uma união de nobres que não iria levar a guerras.

Feita a escolha, com a curiosidade mundial dobrada, não faltaram fotografias na imprensa mundial sobre detalhes do relacionamento.  Nunca antes se observou os hábitos da monarquia com tanto interesse.  A cerimônia de seu primeiro casamento tomou conta do mundo atingindo a uma população muito maior do que a própria Commonwealth.  Calcula-se em setecentos e cinquenta milhões de pessoas acompanhando o casamento em tempo real. Isso antes da cobertura de eventos pela internet e redes sociais, só por transmissão televisiva. 

Da vida pessoal de Charles III soube-se de tudo:  amores, infidelidades, conversas telefônicas.  Conhecemos filhos e netos. E também seus defeitos, manias, impaciência. Percebemos que Charles, apesar de nobre, representa sua geração: baby-boomer.  Mal ou bem ele reflete os valores da geração pós-guerra.  Amou, casou e como grande parte de seus contemporâneos, também se divorciou.  Tratou os filhos com menos restrições do que foi tratado.  Interessou-se por urbanismo, quem não se lembra de seus planos para Londres?  Defensor do  meio  ambiente é  proprietário de uma fazenda de produção orgânica. na Inglaterra.  Suas preferências musicais e passatempos como a pintura de aquarelas estão acessíveis em jornais e sítios da  internet a qualquer pessoa com telefone celular.  

Tamanha exposição levou milhares de pessoas a especular sobre o futuro da monarquia inglesa.  A família real, que dizem ser tão conservadora, tão fora de seu tempo, foi, na verdade, se transformando, deixando o mundo exterior invadir sua privacidade,  mas não tão rápido quanto as redes sociais o desejavam.  A família real se rendeu ao momento na velocidade que considerou própria para sua sobrevivência. A modernização expôs a casa de Windsor ao público mundial.  Com isso, muitos se acharam no direito de opinar sobre Charles III: deveria ou não ser coroado?  Deveria ou não abdicar?  Foi a familiaridade  com essa nobreza que deu a todos a errônea percepção de que poderíamos afetar o desenrolar da sucessão real.  E a família real faria isso por que?   A família real vive de ser família real, não vai se auto consumir.

Fotografia oficial de Charles III, anterior ao dia da coroação.

Mas foi esta mesma exposição ao mundo, que nos presenteou no início do mês com a cerimônia da coroação de Charles III.  Presenteados.  Porque tivemos a oportunidade de observar em tempo real, sem edição e sem cortes, um momento histórico monumental.  Pudemos até refletir sobre história, sistemas políticos, liturgia e simbologia do poder, enquanto examinávamos o processo da coroação. 

Testemunhar o momento, observar o ritual que eu desconhecia, me emocionou. Não esperava.  Naquele sábado, acordei cedo.  Tomei café com torradas assistindo desde o início a cobertura. Pulei canais, dos brasileiros aos americanos, mas preferi no  final a transmissão da BBC e,  boquiaberta, vi se desenrolarem aos meus olhos algumas cenas que só conhecia de descrições históricas, de pinturas; dos manuscritos iluminados às grandes telas celebratórias dessas ocasiões.  Para mim, a mais rica em detalhes que certamente não são realistas é a tela da coroação de Maria de Médici de Pieter Paul Rubens, que pertence à série de pinturas monumentais em sala própria do Museu do Louvre.

Coroação de Maria de Médici, 1622-25

[Ciclo da vida de  Maria de Médici]

Peter Paul Rubens (Antuérpia 1577-1640)

óleo sobre tela, 20 das 24 telas medem 394 x 295 cm

Museu do Louvre

 

Pinturas de coroações tinham a intenção  de mostrar a autoridade do novo rei, sua proteção pelo poder divino e o direito de ser rei que lhe era confiado nesta ocasião.  Não  temos pinturas de coroações até o século XV.  E assim mesmo, o que nos resta, é uma cena fabricada pela imaginação fértil de um retratista –pintor contratado para oferecer uma obra que engrandeça o monarca ou a corte que o contratou.  Então, tudo é especulativo e a grandeza do evento provavelmente bastante aumentada.  Quase o mesmo acontece com o que sabemos por texto, ainda que neste caso haja sempre um ou outro escritor que não tenha sido pago para descrever a ocasião.

O que me emocionou ao ver a coroação de Charles III foi a conexão com o passado; o cuidado de manterem tradições centenárias, milenares, como a esfera na mão dele, culminada pela cruz, que dividida em três representa os três continentes conhecidos na Idade Média, quando este símbolo foi introduzido: Europa, África e Ásia. O robe de cor púrpura, usado por baixo do manto dourado: púrpura, a cor da monarquia desde os tempos romanos, favorecido principalmente no império bizantino.  A leitura de textos específicos do Velho Testamento, que através dos séculos foram lidos nessas ocasiões.  Essa continuidade da forma, essa linha imaginária do tempo se desenrolando aos nossos olhos, como se pudéssemos voltar atrás por segundos;  esse resgate é emocionante.  O elo com o passado, ainda vivo, que une toda cultura ocidental, foi quase palpável e para muitos que, como eu, se perdem no estudo da história comovente.  Graças ao desenvolvimento das comunicações tivemos um privilégio: o levantar de um véu que encobre o passado, nos deram as ferramentas para imaginar como teriam sido as coroações do reis, nas grandes cortes, não só a inglesa, em diversas épocas da história ocidental.

Não importa se somos ou não a favor da monarquia, na Inglaterra, no Japão, ou em qualquer outro lugar.  A decisão do tipo de governo que os países têm pertence unicamente aos cidadãos daquele lugar.  Não é para nós decidirmos.  Mas que nos foi oferecida a visão, mesmo que apenas uma nesga do passado, isso foi.  E por isso fiquei agradecida.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

24 05 2023

Cebolas e mármore, 2003

Renato Meziat (Brasil, 1952)

óleo sobre tela,  75 x 100 cm

 

 

Cebolas e cestas, 2006

Ana Arthuzo (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela,  30 x 40 cm

 





Flores para um sábado perfeito!

20 05 2023

Vaso da Bohêmia com Gladiolas Holandesas, década 1940

Otto Bungner (Brasil, 1890-1965)

óleo sobre tela, 62 x 81 cm 

 

 

Sem título, 1986

Raymundo Collares (Brasil, 1944-1986)

acrílica sobre tela, 19 x 27 cm