Ninho de andorinhas.
Nosso ninho, bem tecido,
com fios de lealdade,
sempre estará protegido
contra chuva e tempestade.
(José Lucas de Barros)
Cascão dá um carrinho para Joãozinho. © Estúdio Maurício de Sousa.
Igreja de São Vicente, São Vicente, SP, 1940
Mário Zanini (Brasil, 1907-1971)
óleo sobre tela, 33 x 46 cm
Museu de Arte Contemporânea de São Paulo

Maracujás, bananas e morangos
Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Primavera no jardim, Joseph B. Platt, capa da revista House and Garden, março 1926.
Mesmo pisando em espinhos
por travessias penosas,
em todos os meus caminhos
farei plantio de rosas!
(Dodora Galinari)
Retrato da menina Maria Catarina Douat, 1957
Win van Dijk ( Holanda/Brasil, 1915-1990)
óleo sobre tela, 95 x 60 cm
Stella Leonardos
(Para Leilá)
É uma sílfide dançando.
É uma infanta adolescendo.
Cabelo de ouro brilhando.
Alvor de lírio crescendo.
Coração de cristal puro,
Alma de rosa nevada,
Sonha trepada no muro.
E não sabe que é uma fada.
Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p.51
Natureza morta, 1946
Oswaldo Teixeira (Brasil, 1904-1974)
óleo sobre tela, 61 x 70 cm
Autoria desconhecida.
Paisagem com figura e galinhas, 1929
Clodomiro Amazonas (Brasil, 1883-1953)
óleo sobre madeira, 23 x 30 cm
Zé da Roça tira uma soneca na sombra de uma árvore. © Estúdios Maurício de Sousa
Monteiro Lobato
Américo Pisca-Pisca tinha o hábito de por defeito em todas as coisas. O mundo para ele estava errado e a Natureza só fazia asneiras.
— Asneiras, Américo?
— Pois então?!… Aqui mesmo, neste pomar, você tem a prova disso. Ali está uma jabuticabeira enorme sustendo frutas pequeninas, e lá adiante vejo uma colossal abóbora presa ao caule duma planta rasteira. Não era lógico que fosse justamente o contrário? Se as coisas tivessem que ser reorganizadas por mim, eu trocaria as bolas, passando as jabuticabas para a aboboreira e as abóboras para a jabuticabeira. Não tenho razão?
Assim discorrendo, Américo provou que tudo estava errado e só ele era capaz de dispor com inteligência o mundo.
— Mas o melhor – concluiu, é não pensar nisto e tirar uma soneca à sombra destas árvores, não acha?
E Pisca-pisca, pisca piscando que não acabava mais, estirou-se de papo para cima à sombra da jabuticabeira.
Dormiu. Dormiu e sonhou. Sonhou com o mundo novo, reformado inteirinho pelas suas mãos. Uma beleza!
De repente, no melhor da festa, plaf! Uma jabuticaba cai do galho e lhe acerta em cheio o nariz.
Américo desperta de um pulo; pisca, pisca; medita sobre o caso e reconhece, afinal, que o mundo não era tão mal feito assim.
E segue para casa refletindo:
— Que espiga! … Pois não é que se o mundo fosse arrumado por mim a primeira vítima teria sido eu? Eu, Américo Pisca-pisca, morto pela abóbora por mim posta do lugar da jabuticaba? Hum! Deixemo-nos de reformas. Fique tudo como está, que está tudo muito bem.
E Pisca-pisca continuou a piscar pela vida em fora, mas já sem a cisma de corrigir a Natureza.
Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Brasiliense:1966, 20ª edição, pp.19-20.