Aquecimento pode aumentar tamanho de aranhas carnívoras

16 05 2009

pardosa glacialis 1

 

 

Como se o aquecimento global já não nos desse motivo suficiente de preocupação, agora os cientistas afirmam que ele pode conduzir ao surgimento de aranhas maiores e possivelmente de mais exemplares em pelo menos uma espécie de aracnídeos.

Um grupo de cientistas dinamarqueses decidiu determinar se o aquecimento global poderia tornar maiores as aranhas-lobo, uma espécie carnívora e peluda que vive no nordeste da Groenlândia, já que verões mais longos significariam uma temporada de caça mais extensa. A espécie, Pardosa glacialis, não é muito conhecida e costuma ter comprimento da ordem de 4 cm de acordo com Toke Hoye, da Universidade de Aarhus, Dinamarca, um dos co-autores do estudo.

As aranhas podem viver por até dois anos e os pesquisadores constataram que, nos anos em que a primavera começa mais cedo, os animais tendem a crescer mais, em média. Por exemplo, quando a primavera chega 30 dias mais cedo do que a data costumeira, algumas aranhas desenvolvem exoesqueletos que podem ser 10% mais espessos do que a média, o que resulta em corpos maiores. Nos anos mais frios, por outro lado, foi constatada uma redução no exoesqueleto.

Ao final do estudo de 10 anos de duração, a espessura média do exoesqueleto era de 2,65 mm, cerca de 2% acima dos 2,6 mm constatados nos anos iniciais do estudo – uma grande diferença a ser registrada durante um período de estudo de apenas 10 anos, de acordo com os pesquisadores.

Fêmeas robustas
As temperaturas mais quentes também parecem estar conferindo às fêmeas uma vantagem de tamanho com relação aos machos, sugere o novo estudo. As fêmeas da espécie Pardosa glacialis tendem a ser apenas ligeiramente maiores que os machos – como era o caso em 1997, quando o degelo da primavera aconteceu por volta do 160° dia do ano.

Mas em 2005, por exemplo, quando o degelo aconteceu no 143° dia do ano, os exoesqueletos das fêmeas se provaram cerca de 2% maiores que os dos machos, em média.

Qual seria o motivo?
O motivo para que o aquecimento esteja aparentemente resultando em crescimento para essas aranhas é um mistério. A razão pode ser o fato de que as aranhas estão crescendo devido ao prolongamento de sua temporada primária de caça. Ou os verões mais longos podem estar permitindo que elas procedam à muda – o abandono de seus exoesqueletos antigos – com mais frequência, o que resultaria em crescimento maior ao longo de suas vidas. Não se sabe se as aranhas-lobo já estão nascendo maiores, já que o tema do estudo eram animais adultos.

 

 

spider-pic

 

Ninguém faz idéia do efeito que essas aranhas maiores podem exercer sobre o meio ambiente local, disse Hoye. Mas ele está bastante certo de que as aranhas não só serão maiores como mais numerosas. Fêmeas adultas maiores provavelmente resultarão em aumento na população de aranhas, e/ou em mais crias, disse Hoye.

Pelo lado positivo, ao menos para os aracnófobos, o canibalismo é comum entre muitas espécies de aranhas. A prática ajudaria a conter o crescimento das populações, disse Hoye, especialmente se os adultos continuarem a crescer, o que tornaria os filhotes presas mais fáceis. As constatações foram publicadas pela revista Biology Letters.

 

Artigo de Matt Kaplan, para a revista National Geographic.

Tradução: Paulo Migliacci ME

Portal Terra





Brasileiros caem para 2º em ranking de consumo ambiental

14 05 2009

borboletas na paisagem

Ilustração:  Maurício de Sousa.

 

Os brasileiros estão em segundo lugar em um ranking que avaliou a consciência ambiental e os hábitos de consumidores em 17 países. Em 2008, os brasileiros lideravam a lista, mas na nova edição do ranking o Brasil caiu uma posição e foi superado pela Índia.

 

A pesquisa foi feita através de questionários pela internet com 17 mil pessoas em 17 países. As perguntas eram sobre comportamento dos consumidores em relação a uso de energia, escolhas de transporte, fontes de alimentos, uso de produtos verdes e orgânicos, atitudes em relação ao ambiente e consciência sobre problemas ambientais.

 

Especialistas em ambiente analisaram as respostas e elaboraram o “Greendex 2009” (ou “Índice Verde 2009”). A pesquisa foi feita pela National Geographic Society e pela empresa GlobalScan.

Greendex 2009

  1. Índia
  2. Brasil
  3. China
  4. Argentina
  5. Coréia do Sul
  6. México
  7. Hungria
  8. Rússia
  9. Espanha
  10. Alemanha
  11. Suécia
  12. Austrália
  13. França
  14. Grã-Bretanha
  15. Japão
  16. Canadá
  17. Estados Unidos

 

Consumidores dos países emergentes foram considerados mais conscientes do meio ambiente do que os cidadãos de países desenvolvidos. Índia, Brasil e China lideram o ranking. Japão, Canadá e Estados Unidos ocupam os últimos lugares.

 

O Brasil foi o único país entre os 17 analisados que caiu no ranking deste ano em comparação com 2008. O resultado ocorreu devido a piores hábitos dos brasileiros em relação a consumo de comida, compra de bens e escolhas de transporte.  O pior resultado dos brasileiros, segundo os especialistas, foi no item sobre consumo de alimentos. O país ficou em 14º entre os 17 países.

 

A pesquisa mostrou que os brasileiros são o segundo maior consumidor de carne bovina, atrás apenas da Argentina. Cinquenta e sete por cento dos brasileiros disseram comer bife mais de uma vez por semana. Esse indicador é considerado negativo pelos especialistas, que afirmam que a produção de carne requer um consumo intensivo de água, causando danos ao ambiente.

 

O Brasil também recebeu uma avaliação pior este ano nas respostas sobre aquisição de bens. Os brasileiros ainda estão entre os consumidores que mais evitam comprar produtos que são nocivos ao ambiente, mas a quantidade de pessoas no Brasil com essa preocupação caiu em 11%, segundo o levantamento.

 

A boa posição do país no ranking deve-se aos hábitos domiciliares dos brasileiros, considerados os melhores entre os 17 países avaliados. Oitenta e nove por cento das pessoas que responderam ao questionário no Brasil moram em residências com menos de cinco quartos. Os brasileiros também estão usando mais fontes limpas de eletricidade e, graças ao clima tropical, não utilizam sistemas de aquecimento nas suas casas com a mesma frequência que consumidores dos outros países.

 

Fonte: BBC