Isso não é uma cirurgia plástica, 2023
Arisa Yoshioka (Mongólia, 2000)
óleo sobre tela, 53 x 63 cm
Gaúcho no campo
José Lutzenberger (Alemanha-Brasil, 1882-1951)
aquarela sobre papel, 17 x 26 cm
Cena rural com semeadora e galinhas
Isabel Cruz (Brasil, contemporânea)
óleo sobre eucatex, 30 x 26 cm.
Carro de boi
Paulo Daleffi (Brasil, 1971)
óleo sobre tela, 50 X 70 cm
Composição com jarro e frutos,1972
Aldo Bonadei (Brasil,1906-1974)
técnica mista sobre cartão, 36 x 25 cm
Vaso de flores
Mário Zanini (Brasil, 1907 – 1971)
monotipo, 38 x 25 cm
O vendedor de perus, 1958
Cândido Portinari ( Brasil, 1903-1962)
óleo sobre tela
Coleção Particular, SP
Os médicos, 1985
Gerson de Souza (Brasil, 1926-2008)
óleo sobre tela, 25 x 36 cm
A copeira, 2003
Gustavo Rosa (Brasil, 1946 – 2013)
gravura, 35 x 40 cm
Trabalhador no Cais, 1979
Cláudio Tozzi (Brasil,1944)
acrílica sobre tela, 120 x 120 cm
Engraxate
J. C. Canato (Brasil, 1983)
óleo sobre tela, 54 x 85 cm
Costurando, 1992
Francisco Iran Dantas (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 78 x 58 cm
Vendedora de flores
Alberto Lume (Portugal-Brasil,1944)
acrílica sobre tela, 60 x 80 cm
Garimpeiros, década de 1950
Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006)
guache sobre papel, 42 x 55 cm
Lavadeiras, 1981
Enrico Bianco (Itália-Brasil, 1918-2013)
óleo sobre madeira, 60 x 80 cm
Cesteiro, 1927
Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1927)
óleo sobre tela, 145 x 115 cm
Operários, 1961
Eugênio de Proença Sigaud ( Brasil, 1889 – 1979)
óleo sobre tela, 101 x 81 cm
O ferreiro
Oscar Pereira da Silva (Brasil,1867-1939)
óleo sobre tela, 47 x 53 cm
Estivadores no armazém, 1980
Tobias Marcier (Brasil,1948-1982)
óleo sobre tela, 74 x 100 cm
O pastor e suas ovelhas, 1980
Armando Romanelli (Brasil, 1945)
óleo sobre eucatex, 40 x 40 cm
Jangada no mar, 2007
Daniel Penna, (Brasil, São Paulo, 1951)
óleo sobre tela
A volta do trabalho, 1985
Fúlvio Pennacchi (Itália-Brasil, 1905-1992)
óleo sobre madeira, 38 x 56 cm
O atelier, 1977
Fernando Botero (Colômbia, 1932-2023)
técnica mista: óleo e colagem sobre tela, 84 x 81cm
Josien
Arjan van Gent (Holanda 1970)
óleo sobre tela, 50 x 65 cm
Meu grupo de leitura Ao Pé da Letra, já havia escolhido Não é um rio, de Selva Almada, com tradução de Samuel Titan, Jr, como leitura para o mês de abril, antes mesmo do livro ter sido anunciado como finalista do prêmio Booker Internacional deste ano. Há, além disso, a curiosidade deste livro estar competindo com o livro Torto Arado do escritor brasileiro Itamar Vieira Júnior, também finalista para o mesmo prêmio. O grupo leu o livro brasileiro em fevereiro de 2021. Ainda brincamos, no nosso encontro de sábado, que mais uma vez estamos diante de uma competição Brasil x Argentina, já que a autora é natural da Argentina. Mas dessa vez a rixa não é no futebol.
Todos do grupo gostaram do livro. Ainda que alguns sentissem a necessidade de mais conteúdo de alguns personagens, mais complexidade na trama. O livro é pequeno, há aproximadas cem páginas de texto, e características de alguns personagens poderiam ser aprofundadas, fazendo o texto mais rico, mais tridimensional. Há personagens fortes e herméticos. As personagens mulheres parecem tão enigmáticas quanto o olhar masculino as julga.
Confesso que gostei do livro como está. Sem necessidade de aprofundamento dos personagens. Gosto de textos curtos, impactantes, que marcam pela elipse, por tudo que não dizem. É uma maneira de engajar o leitor que dá de si ao preencher as lacunas, ao entender o que foi sugerido. Selva Almada tem uma maneira de escrever lacônica. Não há uma palavra extra, nenhuma palavra extra para ênfase. A narrativa mistura passado e presente, e por isso requer atenção. Há muitos personagens. Há os personagens humanos e há pelo menos dois personagens não humanos: a floresta tropical, e o rio. Há um tantinho de realismo mágico, na dose certa. Para mim, fiz algumas notas para manter cada personagem no seu lugar, com sua história, algo raro em texto tão curto. Mas talvez isso tenha sido porque não li o livro de uma só vez, ainda que ele possa ser lido em duas horas.
Mas há uma característica dessa narrativa que me cativou e a colocou à frente de muitos livros; Esta é uma história que mostra a violência de pessoas comuns. Exibe o desprezo de muitos pela vida. A vida é algo barato. Dispensável, Todos morremos e sofremos. E revela o lugar deprimente das mulheres nesse enclave a que somos apresentados. É o retrato da bestialidade humana, das atrocidades cometidas no cotidiano de um grupo que se reserva um mínimo civilizatório. Apesar disso, a narrativa é tão precisa, tão pontual e hábil que aceitamos tudo sem espanto, sem choque. Nesse aspecto, Selva Almada se mostra uma mestre, sem igual. Não me surpreende que hoje seja conhecida como uma das grandes escritoras argentinas. Recomendo a leitura.