Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

15 01 2025

Natureza morta com peras, 1958

Alice Brueggemann (Brasil, 1917-2001)

óleo sobre tela

Pinacoteca Aldo Locatelli

 

 

 

Peras

Sylvio Pinto (Brasil, 1918 – 1997)

óleo sobre madeira, 27 x 22 cm.





Nossas cidades: Guarapari

14 01 2025

Enseada de Setiba, Guarapari, ES, 1964

Inimá de Paula (Brasil, 1918 – 1999)

óleo sobre madeira, 40 x 73 cm





Palavras para lembrar: Joseph Epstein

13 01 2025

Meus pais

Auke Leistra, (Holanda, 1958)

acrílica, 52 x 39 cm

 

“Usamos os livros como espelhos, olhando dentro deles apenas para descobrirmos a nós mesmos.”

 

Joseph Epstein

(EUA, 1937)





Resenha: “Água fresca para as flores” de Valérie Perrin

12 01 2025

A leitura

Bernard Charoy (França, 1931-2024)

óleo sobre tela, 74 x 61cm

 

 

Meu grupo de leitura, Ao Pé da Letra, escolheu para leitura longa  — aquele livro que é votado no final de novembro para ser debatido no encontro de janeiro — Água fresca para as flores, de Valérie Perrin, traduzido por Carolina Selvatici [Intrínseca:2022]. Grande sucesso mundial.  Para mim, não funcionou muito bem.  Raramente resenho alguma coisa de que não gosto.  Talvez tenha havido falta de empatia pela história do jeito que foi contada.  No entanto, faço uma exceção hoje para algumas observações que se aplicam aqui e que podem ser levadas a outros casos.

A história se passa no finalzinho dos anos 90 e na primeira década do século XXI, na França.  Ela se concentra na vida cotidiana de Violette Toussaint, uma mulher que na abertura do livro beira os cinquenta anos.  Ela é zeladora do cemitério numa pequena cidade francesa. Teve infância difícil, órfã, mal sabe compreender um texto escrito. Jovem, casa-se com Philippe Toussaint.  Ele é um conquistador de mulheres, não gosta de trabalhar e vem de uma família com alguma aspiração social. Violette não se importa de trabalhar e manter esse bon-vivant em sua vida. Para seguir as peripécias deste casal, a autora entrelaça a vida deles com a de outro casal mais velho que conhecemos através de um diário deixado para trás, depois que ela morre.  Esse diário traz, por sua vez, outras tantas informações, relatos de aventuras, decisões acertadas ou não da pessoa que escreve, que são desnecessárias para a trama. Além disso, conhecemos, fora deste diário, na narrativa principal diversos outros personagens tangenciais que nada têm a ver com o eixo da trama. A narrativa não linear é usada para introduzir pormenores da vida destes coadjuvantes e contribui para inserir incerteza ao leitor na ordem dos acontecimentos.  Há um terceiro personagem importante: o cemitério.  Este é um jardim, calmo, cuidado pela protagonista, lugar de reflexões dos visitantes e dela, que serve de contraponto ao caos das vidas na cidade, fora dos portões que o resguardam. É um lugar mágico que também tem alguns personagens invulgares além dos onze gatos que o habitam. 

Há através dessas páginas também o escancarado desejo de prover o leitor com frases de efeito, passando por poéticas, na maioria inconsequentes, mas que aparentam profundidade.  Muitas delas dão nome aos capítulos do livro, mas podem estar também distribuídas através do texto. A mais popular delas, de acordo com a Amazon, até o dia de hoje, 1370 pessoas, marcaram a seguinte: “Temos que aprender a oferecer nossa ausência àqueles que não entenderam a importância da nossa presença.” E, segundo lugar, com 1062 pessoas ressaltando no texto: “Ninguém nunca diz que podemos morrer de tantas vezes que nos sentimos chegar ao nosso limite.”  Ou como as que marquei que iniciam capítulos: “O tempo aniquila a vida. O tempo aniquila a morte.“;  “Uma lembrança nunca morre, apenas adormece.”  Elas me lembraram frases feitas que encontramos em postagens das redes sociais como guias do bem viver e que muitas vezes, passam por poesia.

 

 

 

Há tempos imagino como seria bom termos editores, à moda antiga, ao estilo de Robert Gottlieb ou Maxwell Perkins conhecidos por darem forma, interferindo no texto, sugerindo mudanças para escritores que ficaram famosos.  Gottlieb foi editor de Joseph Heller, John Le Carré; enquanto Maxwell Perkins ficou famoso por sugerir mudanças em mais de um livro de Scott Fitzgerald, trabalhando também com Ernest Hemingway. Outros editores, contribuindo proativamente nos textos, tiveram sucesso em transformar alguns escritores em início de carreira, em clássicos.  Com o aumento de pessoas escrevendo e a diminuição de editoras publicando desconhecidos, tendência mundial hoje, há mais escritores autopublicando aqui e no resto do mundo.  Com isso surgiu a profissão do ‘leitor crítico’ que, por uma quantia previamente estipulada, procura melhorar os textos, mostrando falhas na  coerência ou plausibilidade, na estrutura ou demais problemas. Mas seus conselhos, sempre bons, se forem profissionais competentes, não têm a força daqueles que investidos monetariamente nas obras, querem o sucesso do que publicam.  Água fresca para as flores poderia ter-se beneficiado de um bom editor à moda antiga. Com uma escrita verborrágica, suas 480 páginas poderiam ser reduzidas a um pouco mais da metade.  Por que?  Porque há muita informação desnecessária.  Se alguém sai de férias, por exemplo, somos expostos à lista de todos os itens colocados nas malas de viagem; se acompanhamos o dia a dia no cemitério, somos expostos a aulas de jardinagem que não têm qualquer importância para a trama. Tudo isso para quê? Realismo? Ambientação? Para mim, perda de tempo.

 

Valérie Perrin

 

Água fresca para as flores parece ter sido escrito para a categoria jovem adulto.  Foi um grande sucesso na Europa, e pelo que consegui perceber por minhas companheiras no grupo, um livro agradável, de que gostaram, ainda que longo.  Nem todas essas leitoras dariam a nota baixa [duas estrelas de cinco] que dei. Sei que é um livro popular.  Afinal ganhou dois prêmios na França: Maison de la Presse, 2018 (um prêmio dedicado a jovens autores) e no ano seguinte, 2019, ganhou o Les Livres de Poche Reader’s Prize, que é dado pelos leitores. Então agradou muito.  Se você está querendo simplesmente passar o tempo, investir numa leitura inconsequente mas agradável, esse livro deve estar na medida.  Mas se você gostaria de uma leitura mais complexa, inesquecível, este não é o seu livro.

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Em casa: Carl Frithjof Smith

12 01 2025

Sonhando acordada à janela, 1904

Carl Frithjof Smith (Noruega 1859-1917)

óleo sobre tela, 100 x 81 cm





Flores para um sábado perfeito!

11 01 2025

Flores para Guignard, 2023

Fernando Lucchesi (Brasil, 1947)

acrílica sobre tela, 100 x 100 cm

 

 

Vaso de flor e Ouro Preto, década de 30

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1895-1962)

óleo sobre tela, 40 X 33 cm

 

Alberto da Veiga Guignard foi um dos nossos grandes pintores da primeira metade do século XX.  Foi também professor e sua influência pode ser sentida até hoje quer naqueles que se dedicam às paisagens, quer naqueles que também  se situam entre os retratistas.  Guignard fez escola no Brasil e até hoje, sessenta anos depois de sua morte, vemos artistas contemporâneos admitirem sua admiração pelo seu trabalho. 





Eu, pintor: Eliseu Visconti

10 01 2025

Autorretrato, 1891

Eliseu Visconti (Itália-Brasil, 1866-1944)

óleo sobre tela, 50 x 34 cm

Coleção Particular





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

10 01 2025

Lagoa Rodrigo de Freitas, vista de Ipanema, 1988

Celmo Rodrigues (Brasil, 1930-2000)

óleo sobre tela, 35 x 65 cm





O escritor no museu: Cecília Meireles

9 01 2025

Retrato de Cecília Meireles, 1945

Arpad Szénes (Hungria-França, 1897-1985)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

8 01 2025

Natureza morta, 1981

Joanita Cavalcanti (Brasil, 1936)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

 

 

 

Maçãs, s/d

Antonio Rocco (Itália-Brasil, 1880-1944)

óleo sobre madeira, 36 x 56 cm

 

 

A Natureza morta com frutas está entre os primeiros exercícios de pintura na vida do estudante.  A complexidade aumenta à medida que diferente formas de frutas e legumes aparecem em cima de uma mesa para o aluno representar.  Aos poucos professores introduzem novos objetos, de preferência alguns que possam captar reflexões de luz como a bacia de metal na obra de Antônio Rocco, que mesmo sem estar datada, ao que eu saiba, podemos colocá-la como produzida na primeira metade do século XX, já que o pintor faleceu em 1944, no Brasil, ainda antes do final da Segunda Guerra Mundial.

Ambos os quadros são bastante tradicionais na representação.  Mas o de Joanita Cavalcanti está mais próximo do que ao final do século XX chamávamos de foto realismo. No entanto ela continua usando objetos de metal próximo às frutas, contrastando as imagens de reflexo da luz no metal e no verniz da mesa.

Quase todos os pintores figurativos se dedicam às vezes com bastante empenho às Naturezas Mortas.  Estão entre os temas mais aceitos pelo publico.  Aos poucos voltaremos a esses temas.