Barcos em Jurujuba, Niterói, 1993
José Benigno Ribeiro (Brasil, 1955)
óleo sobre tela, 55 x 80 cm

Vale do Sertig no outono, 1925
Ernst Ludwig Kirchner (Alemanha, 1880-1938)
óleo sobre tela, 136 x 200 cm
Kirchner Museum, Davos, Suíça
Álvaro Moreyra
Ah! como eu sinto o Outono
nesses crepúsculos dispersos,
de solidão e de abandono…
nessas nuvens longínquas, agoureiras,
que têm a cor que um dia houve em meus versos
e nas tuas olheiras…
Tomba uma sombra roxa sobre a Terra…
A mesma nuança, em torno, tudo encerra
nuns tons fanados de ametista…
Paisagem morta, evocativa, doce…
como se o Ocaso fosse
um pintor simbolista…
Caem violetas…
Canta uma voz, distante…
E a luz vai a fugir, esfacelando
em trêmulas silhuetas
os troncos da alameda agonizante…
O Outono é uma elegia
que as folhas plangem, pelo vento, em bando…
E o Outono me endolora e anestesia
com a saudade remota do silêncio…
Silêncio vesperal das ressonâncias
esquecidas
que o Ângelus lento deixa sempre no ar…
Silêncio
irmão das covas, das ermidas…
incenso das distâncias…
onde a memória fica a ouvir perdidas
palavras que morreram sem falar…
E do silêncio em névoas esgarçado,
a cuja extrema sugestão me abrigo,
tu te evolas, dolente,
tal uma hora feliz de tempo alado
que às vezes brota de repente
de um velho aroma ou de acorde antigo…
Em: Legenda da luz e da vida, Álvaro Moreyra, 1911
Laranjal, 1986
Armando Romanelli (Brasil, 1945)
óleo sobre tela, 35 x 70 cm
Colheita de laranjas, 1978
Enrico Bianco (Itália-Brasil, 1918-2013)
óleo sobre placa de madeira industrializada, 38 x 48 cm
A menina do papai
Karin Jurick (EUA, 1961-2021)
óleo sobre placa, 20 x 20 cm
Machado de Assis
Flores, 1942
José Marques Campão (Brasil, 1892-1949)
óleo sobre tela, 58 x 39 cm
Vaso de flores
Helena P. S. Ohashi (Brasil, 1895-1966)
óleo sobre tela, 65 x 52 cm
Trecho do Morro de Santo Antônio, antes da demolição, 1920
Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1922)
Óleo sobre tela – 35 x 52 – 1920
Autorretrato com Saturno, 2007
Marta Kiss (Hungria, 1974)
óleo sobre tela, 70 x 50 cm
Carlo Rovelli, A ordem do tempo

Natureza morta com violino, flauta doce, partituras e frutas, 1725
Jean-Baptiste Oudry (França, 1686-1755)
óleo sobre tela, 63 x 77 cm
Coleção Particular
“Há no violino — quando não se vê o instrumento e não se pode ligar o que se ouve à sua imagem, coisa que modifica a sonoridade — acentos que lhe são tão comuns com certas vozes de contralto, que se tem a ilusão de que uma cantora veio juntar-se ao concerto. Erguemos os olhos e só vemos as caixas dos violinos, preciosas como estojos chineses, mas, por um momento, ainda nos iludimos com o enganoso apelo da sereia; às vezes também se julga ouvir um gênio cativo que se debate no fundo da sábia caixa, enfeitiçada e fremente, como um diabo numa pia d’água benta; ou então é no ar que o sentimos, como um ser sobrenatural e puro que passasse desenrolando a sua invisível mensagem.”
Marcel Proust, em: No caminho de Swann, volume I da obra Em busca do tempo perdido, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana.