Cajus
Auguste Petit (França-Brasil,1844 -1927)
óleo sobre tela, 30 x 40 cm
Homem lendo, 1908
John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)
óleo sobre tela
Reading Art Museum, Pensilvânia

Dia chuvoso no Rio de Janeiro, 1963
Francisco Céa (Brasil, 1908 – 1978 ?)
óleo sobre tela, 70 x 50 cm
Laranjas e bananas, 1895
João Baptista da Costa (Brasil, 1865 – 1926)
óleo sobre madeira, 36 X 45 cm
Jovem à janela, 1921
Henri Matisse (França, 1869-1954)
óleo sobre tela, 52 x 50cm
Baltimore Museum of Art, MD
Bar Amarelinho na Cinelândia
Virgílio Dias (Brasil, 1956)
óleo sobre tela
“… Mais tarde, já na Faculdade, e morando no Catete, me lembro que sábado, de tarde, as vezes a gente metia uma roupa branca bem limpa, bem passada (depois de vários telefonemas à tinturaria) e vínhamos, dois ou três amigos, lavados, barbeados, penteados, assim pelas cinco da tarde, fazer o footing na Cinelândia. E estavam ali moças de Copacabana e do Méier, com seus vestidos de seda estampados, a boca muito pintada, burburinhando entre as confeitarias e os cinemas. Não nos davam lá muita atenção, essas moças: seus pequenos corações fremiam perante os cadetes e os guardas-marinhas, mais guapos e belos em seus uniformes resplendentes com seus espadins brilhantes.
Tudo isso passou: o sábado inglês, as dificuldades do trânsito e o próprio tempo agiram, e nesta bela tarde de sábado em que me extravio pelo Centro, há apenas alguns palermas como eu zanzando pela Cinelândia. Só agora reparo nisso, e então me sinto um velho senhor saudosista; não há mais sábado na Cinelândia, creio que não há mais cadetes nem guardas-marinhas, todos são tenente-coronéis, capitães-de-corveta e de fragata, perdidos em Agulhas Negras, quartéis, cruzadores recondicionados nesses mares do mundo. …”
Em: A borboleta amarela (crônicas), Rubem Braga, 6ª edição, Rio de Janeiro, Record: 1982, p. 117
O casamento, [A boda], 1792
Francisco de Goya (Espanha, 1746 -1828)
óleo sobre tela, 269 x 396 cm
Museu do Prado
Reynaldo Valinho Alvarez
Diante de Goya, no Museu do Prado,
vejo sombras que as sombras circundantes
parecem reencarnar. Voltando à rua,
vou para o centro velho. Nestes rostos
que me fitam ou não, há retrarados
do mesmo Goya. Sombras tão goyescas
quanto as sombras que vi entre outras sombras.
Assombra-me o prodígio ao sol ardente
de uma Espanha estival. Que liame estreita
os vínculos dos tempos num só tempo?
Que força une as cadeias com que Cronos
ligou as mãos de tantos entre os séculos?
Agora encaro a praça e vou contando,
como os níqueis do bolso, tantos Goyas.
Em: A faca pelo fio: poemas reunidos, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Imago: 1999, p.59
NOTA: esta postagem é uma homenagem a Reynaldo Valinho Alvarez que faleceu esta semana, aos noventa anos. Um dos poetas contemporâneos de que mais gosto, com provam as diversas poesias de alguns de seus livros que possuo.