Vaso com flores, 1954
Marques Junior (Brasil, 1887-1960)
óleo sobre tela colado em placa, 65 x 50 cm
Buquê de papoulas amarelas
Olga Mary Pedroza (Brasil, 1891-1963)
óleo sobre tela, 50 x 80 cm
Vaso com flores, 1954
Marques Junior (Brasil, 1887-1960)
óleo sobre tela colado em placa, 65 x 50 cm
Buquê de papoulas amarelas
Olga Mary Pedroza (Brasil, 1891-1963)
óleo sobre tela, 50 x 80 cm
Paisagem do Rio de Janeiro com o Corcovado ao fundo
Sylvio Pinto (Brasil, 1918-1997)
óleo sobre tela, ,58 x 80 cm
Grace Rose, 1866
Frederick Sandys (Inglaterra, 1829-1904)
óleo sobre madeira, 28 x 24 cm
Yale Center for British Art, EUA
Francisca Júlia
Cheio de folhas, úmido de orvalho.
Fresco, à beira de um córrego crescia
Jovem pé de roseira em cujo galho
Uma rosa sorria.
O orvalho matinal que o beija e molha,
Desce de cima em brancas névoas finas.
E todo pé salpica, folha a folha,
De gotas pequeninas.
Beija-o o perfumeo Zéfiro, que passa,
O grupo de falenas que anda à toa,
A borboleta clara que esvoaça,
E o pássaro que voa.
Uma moça gentil sentiu anseio
De possuir a rosa e teve mágoa
De não poder colhê-la, com receio
De molhar os pés na água.
A roseira agitou a coma e opima,
Estremeceu, embriagada e douda,
Sob os raios do sol que lá de cima
A iluminavam toda.
A moça foi-se; o ar estava morno;
Mansamente o crepúsculo descia;
Uma abelha zumbiu36 da rosa em torno;
Lento, expirava o dia…
Porém nessa hora a ventania brava
Que veio do alto impetuosamente,
Arranca a flor do ramo em que se achava
E joga-a na corrente.
E a flor caiu no meio do riacho;
Do vento rijo foi sofrendo o açoite,
E escorregando em prantos, água abaixo,
Na tristeza da noite.
Nenhuma flor pode salvar-lhe a vida;
Na água desceram, entretanto, algumas;
E a flor morreu aos poucos, envolvida
Num círculo de espumas.
Em: Livro da Infância, Francisca Júlia da Silva, 1899, em domínio público
Frutas
Carlos Leão (Brasil, 1906-1983)
acrílica sobre madeira industrializada, 37 x 37 cm
Natureza morta
Henrique Bonifácio (Brasil, 1954)
óleo sobre tela
A queima das Casas dos Lordes e dos Comuns, 16 de outubro de 1834, 1835
Joseph Mallord William Turner (Inglaterra, 1775-1851)
óleo sobre tela, 92 x 123 cm
Cleveland Museum of Art
Turner foi um mestre da luz. E sua arte teve influência marcante ainda que serena no desenvolvimento impressionismo. Ainda que inglês e trabalhando principalmente na representação de paisagens, ele trouxe para a pintura do século XIX, algo muito inovador: a observação da luz, a pintura com aspectos da captura ao ar livre.
Chuva, vapor e velocidade – A Grande Estrada de Ferro do Oeste, 1840
Joseph Mallord William Turner (Inglaterra, 1775-1851)
óleo sobre tela, 91 x 122 cm
National Gallery, Londres
Chuva, vapor e velocidade – A Grande Estrada de Ferro do Oeste, acima, é um excelente exemplo dessa contribuição que Turner deu à pintura da geração seguinte. Vemos nessa tela a difusão da luz, já que a cena tenta reproduzir o trem, passando pela Ponte da Estrada de Ferro em Maidenhead, sobre o rio Tâmisa, numa tarde de chuva.
Vale lembrar que até a metade do século XIX, pintores não se dedicavam à pintura ao ar livre. Ao ar livre fazia-se desenhos a carvão, a nanquim, pequenos estudo, mas a pintura das telas era toda feita nos estúdios. Turner traz tanto para essas paisagens com a atmosfera mais diluída, como as telas reproduzidas acima clara observação da luz na natureza, como encontramos também a mesma preocupação sobre os efeitos e reflexos da luz na paisagem urbana, como a abaixo.

Veneza vista da Giudecca, 1840
Joseph Mallord William Turner (Inglaterra, 1775-1851)
óleo sobre tela, 61 x 91 cm
Victoria & Albert Museum, Londres
Ainda que o efeito seja semelhante ao dos impressionistas trabalhando trinta anos mais tarde, a diferença está na maneira de pintar e na separação das cores que ocorre nas obras da segunda metade do século XIX, na França. Vale a pena dar uma vista d’olhos nas obras de Turner.
Bule azul, 1986
Glênio Bianchetti (Brasil1928 -2014)
óleo sobre tela colado em madeira, 34 x 25 cm
Bule e frutas levitando, 2015
Erasmo Andrade (Brasil, 1949)
óleo sobre tela, 60 x 70 cm
Homem escrevendo carta, 1890
Heinrich Breling (Alemanha, 1849-1914)
óleo sobre madeira
“Eu não gostaria de viver como se fosse imortal. Não tenho medo da morte. Tenho medo do sofrimento. Da velhice, embora agora menos, ao ver a velhice serena e bela de meu pai. Tenho medo da fraqueza, da falta de amor. Mas não tenho medo da morte. Não tinha medo quando era jovem, mas então pensava que era apenas porque parecia distante de mim. Mas agora, aos sessenta anos, o medo não chegou. Amo a vida, mas a vida também é cansaço, sofrimento, dor. Penso na morte como um merecido descanso. Bach a chama de irmã do sono, na maravilhosa cantata BWV 56. Uma irmã gentil que logo virá fechar meus olhos e acariciar-me a cabeça. Jó morreu quando estava “saciado de dias”. Belíssima expressão. Eu também gostaria de chegar a me sentir “saciado de dias” e encerrar com um sorriso este breve círculo que é a vida. Posso desfrutá-la ainda, sem dúvida; ainda quero ver a lua refletida no mar; quero mais beijos da mulher que amo, quero a presença dela que dá sentido a tudo; ainda quero mais tardes dos domingos de inverno, deitado no sofá de casa enchendo páginas de símbolos e fórmulas, sonhando desvendar outro pequeno segredo dos milhares que ainda nos envolvem… Gosto da perspectiva de ainda poder beber deste cálice de ouro; a vida que fervilha, terna e hostil, clara e incompreensível, inesperada… mas já bebi muito desse cálice doce e amargo, e se neste exato momento o anjo viesse me dizer: “Carlo, chegou a hora”, não lhe pediria para me deixar terminar a frase. Sorriria para ele e o seguiria.”
Em: A ordem do tempo, Carlo Rovelli, tradução de Silvana Cobucci, Ed. Objetiva: 2018