Flores para um sábado perfeito!

30 08 2025

Vaso com flores, 1954

Marques Junior (Brasil, 1887-1960)

óleo sobre tela colado em placa, 65 x 50 cm

 

 

 

Buquê de papoulas amarelas

Olga Mary Pedroza (Brasil, 1891-1963)

óleo sobre tela, 50 x 80 cm





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

29 08 2025

Paisagem do Rio de Janeiro com o Corcovado ao fundo

Sylvio Pinto (Brasil, 1918-1997)

óleo sobre tela, ,58 x 80 cm





Aquarela, poesia de Francisca Júlia

28 08 2025

Grace Rose, 1866

Frederick Sandys (Inglaterra, 1829-1904)

óleo sobre madeira, 28 x 24 cm

Yale Center for British Art, EUA

 

Aquarela

 

Francisca Júlia

 

Cheio de folhas, úmido de orvalho.

Fresco, à beira de um córrego crescia

Jovem pé de roseira em cujo galho

Uma rosa sorria.

 

O orvalho matinal que o beija e molha,

Desce de cima em brancas névoas finas.

E todo pé salpica, folha a folha,

De gotas pequeninas.

 

Beija-o o perfumeo Zéfiro, que passa,

O grupo de falenas que anda à toa,

A borboleta clara que esvoaça,

E o pássaro que voa.

 

Uma moça gentil sentiu anseio

De possuir a rosa e teve mágoa

De não poder colhê-la, com receio

De molhar os pés na água.

 

A roseira agitou a coma e opima,

Estremeceu, embriagada e douda,

Sob os raios do sol que lá de cima

A iluminavam toda.

 

A moça foi-se; o ar estava morno;

Mansamente o crepúsculo descia;

Uma abelha zumbiu36 da rosa em torno;          

Lento, expirava o dia…

 

Porém nessa hora a ventania brava

Que veio do alto impetuosamente,

Arranca a flor do ramo em que se achava          

E joga-a na corrente.

 

E a flor caiu no meio do riacho;

Do vento rijo foi sofrendo o açoite,

E escorregando em prantos, água abaixo,

Na tristeza da noite.

 

Nenhuma flor pode salvar-lhe a vida;

Na água desceram, entretanto, algumas;

E a flor morreu aos poucos, envolvida          

Num círculo de espumas.

 

Em: Livro da Infância, Francisca Júlia da Silva, 1899, em domínio público





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

27 08 2025

Frutas

Carlos Leão (Brasil, 1906-1983)

acrílica sobre madeira industrializada, 37 x 37 cm

 

 

Natureza morta

Henrique Bonifácio (Brasil, 1954)

óleo sobre tela





Em casa: Georges Lemmen

17 08 2025

Sono, 1900

Georges Lemmen (Bélgica,1865-1916)

óleo sobre tela





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

15 08 2025

Praia do Leme

Walter Shigeto Tanaka (Japão-Brasil, 1910-1970)

óleo sobre tela, 33 x 41 cm





250 anos de Turner!

14 08 2025

A queima das Casas dos Lordes e dos Comuns, 16 de outubro de 1834, 1835

Joseph Mallord William Turner (Inglaterra, 1775-1851)

óleo sobre tela, 92 x 123 cm

Cleveland Museum of Art

 

Turner foi um mestre da luz. E sua arte teve influência marcante ainda que serena no desenvolvimento impressionismo. Ainda que inglês e trabalhando principalmente na representação de paisagens, ele trouxe para a pintura do século XIX,  algo muito inovador: a observação da luz, a pintura com aspectos da captura ao ar livre. 

 

 

Chuva, vapor e velocidade – A Grande Estrada de Ferro do Oeste, 1840

Joseph Mallord William Turner (Inglaterra, 1775-1851)

óleo sobre tela, 91 x 122 cm

National Gallery, Londres

 

Chuva, vapor e velocidade – A Grande Estrada de Ferro do Oeste, acima, é um excelente exemplo dessa contribuição que Turner deu à pintura da geração seguinte.  Vemos nessa tela a difusão da luz, já que a cena tenta reproduzir o trem, passando pela Ponte da Estrada de Ferro em Maidenhead, sobre o rio Tâmisa, numa tarde de chuva. 

Vale lembrar que até a metade do século XIX, pintores não se dedicavam à pintura ao ar livre.  Ao ar livre fazia-se desenhos a carvão, a nanquim, pequenos estudo, mas a pintura das telas era toda feita nos estúdios. Turner traz tanto para essas paisagens com a atmosfera mais diluída, como as telas reproduzidas acima clara observação da luz na natureza, como encontramos também a mesma preocupação sobre os efeitos e reflexos da luz na paisagem urbana, como a abaixo. 

 

Veneza vista da Giudecca, 1840

Joseph Mallord William Turner (Inglaterra, 1775-1851)

óleo sobre tela, 61 x 91 cm

Victoria & Albert Museum, Londres

 

Ainda que o efeito seja semelhante ao dos impressionistas trabalhando trinta anos mais tarde, a diferença está na maneira de pintar e na separação das cores que ocorre nas obras da segunda metade do século XIX, na França.  Vale a pena dar uma vista d’olhos nas obras de Turner. 





Sombra e água fresca: Edward Killingworth Johnson

13 08 2025

Na rede, 1881

Edward Killingworth Johnson (Inglaterra, 1825-1896)

Aquarela, 41 x 49 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

13 08 2025

Bule azul, 1986

Glênio Bianchetti (Brasil1928 -2014)

óleo sobre tela colado em madeira,  34 x 25 cm

 

 

Bule e frutas levitando, 2015

Erasmo Andrade (Brasil, 1949)

óleo sobre tela, 60 x 70 cm 





O físico Carlo Rovelli sobre vida e morte…

13 08 2025

Homem escrevendo carta, 1890

Heinrich Breling (Alemanha, 1849-1914) 

óleo sobre madeira

 

 

“Eu não gostaria de viver como se fosse imortal. Não tenho medo da morte. Tenho medo do sofrimento. Da velhice, embora agora menos, ao ver a velhice serena e bela de meu pai. Tenho medo da fraqueza, da falta de amor. Mas não tenho medo da morte. Não tinha medo quando era jovem, mas então pensava que era apenas porque parecia distante de mim. Mas agora, aos sessenta anos, o medo não chegou. Amo a vida, mas a vida também é cansaço, sofrimento, dor. Penso na morte como um merecido descanso. Bach a chama de irmã do sono, na maravilhosa cantata BWV 56. Uma irmã gentil que logo virá fechar meus olhos e acariciar-me a cabeça. Jó morreu quando estava “saciado de dias”. Belíssima expressão. Eu também gostaria de chegar a me sentir “saciado de dias” e encerrar com um sorriso este breve círculo que é a vida. Posso desfrutá-la ainda, sem dúvida; ainda quero ver a lua refletida no mar; quero mais beijos da mulher que amo, quero a presença dela que dá sentido a tudo; ainda quero mais tardes dos domingos de inverno, deitado no sofá de casa enchendo páginas de símbolos e fórmulas, sonhando desvendar outro pequeno segredo dos milhares que ainda nos envolvem… Gosto da perspectiva de ainda poder beber deste cálice de ouro; a vida que fervilha, terna e hostil, clara e incompreensível, inesperada… mas já bebi muito desse cálice doce e amargo, e se neste exato momento o anjo viesse me dizer: “Carlo, chegou a hora”, não lhe pediria para me deixar terminar a frase. Sorriria para ele e o seguiria.”

 

Em: A ordem do tempo, Carlo Rovelli, tradução de Silvana Cobucci, Ed. Objetiva: 2018