Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

1 11 2017

 

 

Henrique BERNARDELLI, Henrique,Cocos e Flores sobre a Mesa, 1926, ost, 67 x 55 cmCocos e flores sobre a mesa, 1926

Henrique Bernardelli (Chile /Brasil, 1857-1936)

óleo sobre tela, 67 x 55 cm





Imagem de leitura — Robert Breyer

29 10 2017

 

 

Robert BreyerLeitoras, 1909

Robert Breyer (Alemanha, 1866-1941)

óleo sobre tela, 150 x 136 cm





Domingo, um passeio no campo!

29 10 2017

 

 

Archimedes Dutra, Paisagem rural, 1939, osm, 22 x 26 cmPaisagem rural, 1939

Archimedes Dutra (Brasil, 1908-1983 )

óleo sobre madeira, 22 x 26 cm





“O amante japonês” de Isabel Allende

29 10 2017

 

Toshiyuki Enoki, (Japão,1961) 1991, 9- x 9- cm Musica, JapanesO abraço

Toshiyuki Enoki (Japão, 1961)

Técnica mista, 90x 90 cm

 

Devo confessar que não me encontro entre os leitores aficionados de Isabel Allende.  Sua grande obra, A casa dos espíritos,  muito influenciada por Gabriel Garcia Marques, está entre seus primeiros trabalhos. Mais tarde veio Eva Luna que não chegou ao mesmo nível e daí para frente a escritora chilena tem revelado livros mais ou menos insossos, repletos de lugares comuns, sem grande cuidado na linguagem literária.  Continuo a encontrar esses mesmos problemas em O amante japonês.

Tudo se desenrola em torno de uma paixão mantida viva por 74 anos. Alma Mandel, que hoje mora numa casa para idosos, na Califórnia, havia nascido e vivido na Polônia, até ser embarcada para os Estados Unidos. Judia, seus pais decidem protegê-la, quando da invasão russa da Polônia, em 1939. Alma encontra abrigo com os tios Isaac e Lillian Belasco, em SeaCliff, Califórnia. Logo conhece Ichimei, um menino de origem japonesa cujo pai, jardineiro, trabalhava na propriedade. Um ingênuo romance toma os corações dos jovens, que se veem separados, quando o Japão ataca Pearl Harbor e os Estados Unidos entram na Segunda Guerra Mundial. O amor entre Alma e Ichimei, encontra diversos obstáculos através dos anos e é mantido às escondidas por Alma, por uma vida inteira.  Cartas descobertas por Irina Bazili, cuidadora, na casa de idosos, finalmente o revelam. Em paralelo, Seth, neto de Alma, procura dados para escrever a história da família. Em tempo, junto a Irina, conhece o romance proibido de sua avó, não sem antes cair de amores por Irina. A partir daí, seguimos duas histórias de amor, cada qual com seus problemas fazendo eco uma à outra.  Ambas mostram ter obstáculos que parecem intransponíveis. Nada mais corriqueiro.

 

O_AMANTE_JAPONES__1439502653521425SK1439502653B

 

Allende usa a duradoura paixão de Alma por Ichimei para desfiar, como contas de um colar, acontecimentos relevantes do século XX.  Vamos da Polônia, a São Francisco, passando pelo Texas.  Familiarizamo-nos com a perseguição aos judeus e sua diáspora, o Holocausto,  o aprisionamento de pessoas de origem japonesa nos Estados Unidos, e aos preconceitos raciais no país.  Por outro lado, seguindo o romance paralelo entre Seth e Irina, aprendemos sobre os problemas do mundo atual, a vivência inter-racial nos EUA,  pornografia infantil, filosofias da eutanásia para idosos com doenças terminais, situação da população gay no país e em São Francisco em particular. Somos espectadores de uma panóplia de aflições contemporâneas.

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIsabel Allende

 

Tudo é resolvido quando descobrimos que uma vida bem vivida dá conta de perdoar pecados do passado. E que há de haver resignação às reviravoltas do destino. Além de trama conhecida de amores proibidos, além das circunstâncias melhor descritas em outros obras sobre os fugitivos de guerra, este romance de Allende é recheado de rasas platitudes, frases prontas como as que encontramos nas postagens de redes sociais.  Mais que isso, há um tom proselitista e, por vezes, a linguagem nas descrições do romance entre Alma e Ichimei parece bastante anacrônica e melodramática. No todo, os diálogos são tediosos e Allende prefere contar mais do que mostrar.

No entanto tenho que admitir, que dos vinte e dois membros do meu grupo de leitura só três tiveram impressões semelhantes à minha.  Confesso que eu não teria lido este romance, não tivesse sido escolhido para leitura pelo grupo.  Li e confirmei as restrições ao estilo da escritora que já desenvolvera através dos anos e de outras leituras. Se você é fã de Allende, vá em frente e leia.  Pelo que percebi não é obra tão singular quanto outros de seus livros, mas para os aficionados, tudo indica que passou a prova.

Por outro lado se você espera passar as horas lendo uma obra que produza além de uma boa história, conhecimento, cuidado com a arte da escrita, criatividade na trama e personagens críveis;  se você se interessa por conteúdo e pela arte da escrita, recomendo que procure outro autor e outro título. É banal em todos os aspectos.





Flores para um sábado perfeito!

28 10 2017

 

 

Sylvio Pinto, Vaso com flores, ost, 106x127cmVaso com flores

Sylvio Pinto (Brasil, 1918-1997)

óleo sobre tela, 106 x 127 cm





Hoje é de feira: frutas e legumes frescos!

25 10 2017

 

 

LEÔNCIO VIEIRA da Costa (1852 - 1881) Frutos, aquarela – Ass e dat. 1880.Frutos, 1880

Leôncio Vieira da Costa (Brasil, 1852-1881)

Aquarela





Imagem de leitura — Louay Kayyali

23 10 2017

 

Louay Kayyali (Syrian, 1934-1978), Menino lendo, 1969, ost, 95 x 75cmMenino lendo, c. 1969

Louay Kayyali (Síria, 1934-1978)

óleo sobre tela,  95 x 75 cm





Domingo, um passeio no campo!

22 10 2017

 

 

ÁLVARO PAULO SÊGA (Brasil, 1917 -1991)- Margem do Rio Piracicaba - Óleo sobre tela - 1941Margem do Rio Piracicaba, 1941

Álvaro Paulo Sêga (Brasil, 1917 -1991)

óleo sobre tela





Flores para um sábado perfeito!

21 10 2017

 

 

TULIO MUGNAINI. Copo de leite - o.s.t. - 55 x 45 cm - assinado e datado 1971 no cid.Copos de leite, 1971

Túlio Mugnaini (Brasil, 1895-1975)

óleo sobre tela, 55 x 45 cm





Espelho literário

21 10 2017

 

 

claudio dantas, iluminadaIluminada

Cláudio Dantas (Brasil, 1959)

óleo sobre tela, 70 x 100 cm

 

Leio hoje de Tahar Ben Jelloun , o livro Partir. Trata-se de um autor francês de origem marroquina.  Dele já li O último amigo uma pequena joia literária um quase um conto.  Como há tempos me interesso sobre a questão de imigração,  escolhi ler Partir, publicado no Brasil em 2007 pela Bertrand Brasil, cujo tema é justamente o desejo de emigrar para lugares onde se possa viver com decência.

A situação econômica, social e política no Rio de Janeiro tem feito muitos de meus conhecidos emigrarem: Portugal, EUA, Espanha, Israel são alguns dos países de preferência.  Reconheço que a ideia já passou por mim, mas acho que ainda tem jeito, que não é hora de desamarrar o barco.  A decisão pode até ser mais fácil para quem, como eu, viveu a maior parte da vida adulta fora do Brasil, mas é sempre complexa. Por isso mesmo emigração,  ser imigrante em terra alheia, a questão da identidade cultural são todos temas ricos e importantes para mim.

Mas eu não contava, ao ler sobre o Marrocos, de me encontrar diante de um espelho do Brasil. Já logo entre a primeiras 30 páginas, vi detalhadas cenas da realidade marroquina, que levam o personagem principal a tentar emigrar.  Elas parecem descrever o Brasil.  Aqui duas passagens nas páginas 23 e 24.

“Os partidos políticos lamentavelmente fracassaram, não souberam ouvir o que lhes dizia o povo.Eles passaram ao largo disso. Tenho raiva principalmente dos socialistas, que acreditaram numa mudança do governo, que jogaram o jogo do poder e nada fizeram para que a coisa mudasse.”

“É intolerável que um doente que se dirige aos hospitais do Estado seja abandonado porque o hospital está sem recursos. É por isso que intervimos concretamente nos lugares onde o Estado é falho. Nossa solidariedade não é seletiva. É preciso que este país seja salvo; está com comprometimento demais, corrupção demais, injustiça demais e desigualdades. Não pretendo resolver todos os problemas, mas não fazemos outra coisa senão ficarmos de braços cruzados esperando que o governo se ponha a serviço dos cidadãos.”

Em: Partir, Tahar Ben Jelloun, Bertrand Brasil: 2007, página, 23- 24

 

Não quero com isso imaginar que tenho que aceitar essa realidade porque não há solução, porque é assim em qualquer lugar do mundo.  Ao contrário, conheço países em melhores condições e imagino que seria mais fácil para o Brasil chegar aos níveis de desenvolvimento que já presenciei do que o Marrocos, não querendo desmerecer o país africano.

Mas, começo a entender melhor o retrato psicológico de meus amigos que abandonaram o país, e também o retrato dos temores e incertezas que acompanharam meus antepassados, um avô e 3 bisavós ao saírem de suas terras natais, procurando melhores portos onde seus descendentes pudessem viver melhor que eles mesmos.

Esse é um dos encantos da literatura.  Ela nos faz pensar.  Reconhecer nossos problemas pessoais ou sociais.  E é possível que até nos ajude a encontrar soluções.  No momento, este livro me faz pensar sobre o futuro dos meus familiares.