Vaso de flores
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela, 45 x 37 cm
Vaso de flores
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela, 45 x 37 cm
Moça lendo
Dennis William Dring (GB, 1904 – 1990)
óleo sobre tela
“Sentado ao lado do grande homem, Harry ruminava pensamentos sobre os escritores que crescera adorando. Forster, fazendo em pedaços o colonialismo, absurdo dos absurdos; um Orwell sério; Graham Greene, errático, correndo atrás de encrenca e de morte; Evelyn Waugh, que via quase tudo, e odiava o que via. Mamoon era um dos últimos desse tipo, e de mérito equiparável, na opinião de Harry. E Harry estava na casa dele; andava a seu lado e discutia a sério com ele; ia escrever sobre a vida dele. Seus nomes ficariam unidos para sempre; ele teria uma diminuta fatia do poder do velho. Mas a biografia havia aprendido muito com a imprensa de escândalos; tinha sido sugada na direção da imundície, um processo de perda de qualquer ilusão. Desmascarar era o grande lance, deixando apenas ossos nus. Você acha que gosta desse escritor? Pois veja como ele maltratou a esposa, os filhos e a amante. Ele até gostava de homens! Tenha ódio dele, tenha ódio de sua obra — de qualquer lado que a gente olhe o sujeito, está tudo acabado. A questão agora era outra: o que podemos perdoar nos outros? Até onde eles podem ir antes que a nossa fé neles vire pó?”
Em: A última palavra, Hanif Kureishi, São Paulo, Cia das Letras: 2016, p. 43
Batalha naval de Riachuelo, 1883
Victor Meirelles (Brasil, 1832 — 1903)
óleo sobre tela, 420 x 820 cm
Museu Histórico Nacional, RJ
Batalha Naval de Riachuelo aconteceu no dia 11 de junho de 1865, durante a Guerra do Paraguai, no Rio da Prata.
Paisagem do Rio de Janeiro com o Palácio Monroe
Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)
óleo sobre madeira, 47 x 57 cm
Vista da ilha de Porquerolles
Albert Marquet (França, 1875 – 1947)
óleo sobre tela, 33 x 41 cm
Engana-se quem se aproximar de O circulo dos Mahé pensando em encontrar Inspetor Maigret solucionando crimes. Este é um dos romances de Georges Simenon chamados “dur” [Duros] , em geral desconhecidos no Brasil, mas que ajudaram a caracterizar o autor como um dos grandes escritores de língua francesa do século passado. Quase um conto, a história não ocupa mais do que 120 páginas, — traduzido por André Telles, e traz com ela o espírito de pós-guerra europeu, um mundo sem grandes esperanças, cinzento e amargo. Passado no final da década de quarenta — originalmente publicada em 1946, Simenon retrata um homem de trinta e cinco anos, que hoje seria jovem, mas na época considerado maduro. Médico, com família: esposa, filhos e mãe dominadora que tudo decide por ele. Um homem de espírito fraco, introvertido, que preenche o papel para o qual foi preparado e ordenado por sua mãe.

Dr. François Mahé constrói sistematicamente e sem entusiasmo uma clínica medianamente próspera. Parte deste sucesso inclui férias anuais para a família, na costa mediterrânea. Certa vez passam o período de folga em Porquerolles, ilha ao sul da França. O verão lá é quente, o ar não se move, o sol inclemente. O local não é aprazível, mesmo assim, ano após ano ele e a família retornam, porque na primeira visita, a que abre o texto para nós, Dr. Mahé é confrontado com o que não espera, com a vida como outros vivem. Chamado para atender uma mulher à beira da morte, Dr. Mahé se encanta com a filha desta paciente, meninota ainda, adolescente, que se transforma em mulher com a passagem dos anos e repetidas férias em Porquerolles. A atração que sente é controlada e fantasiosa. Tenta, sem sucesso, macular a imagem da moça em sua mente ao sugerir que o sobrinho a conquiste. Mas ela é mais do que um fascínio, ela acentua, para ele e para nós leitores, seu próprio descontentamento com o casamento, desagrado com cotidiano, monotonia e tédio da vida social e enfado com a profissão. Depois da morte de sua mãe esses sentimentos parecem voltear em espiral a seu redor. Até que uma decisão é tomada. Surpreendente mas lógica.
George Simenon
A arte de Georges Simenon está no poder de síntese, na narrativa que mostra e não rotula, no retrato psicológico feito pela ação ou marasmo de seus personagens. Nada é extra, não há cena descartável. E no fim de uns poucos parágrafos temos toda angústia do personagem, a carência de sentimentos, o acanhamento de decisões, o dissabor com a vida, o confinamento do homem na família e nos poucos amigos, a asfixia das obrigações. É um drama existencial. Extremamente forte, O círculo dos Mahé, revela um delicado estudo da alma humana. Belíssimo.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Natureza morta, s/d
Aurélio de Figueiredo (Brasil, 1854- 1916)
(Francisco Aurélio de Figueiredo e Mello)
aquarela sobre cartão
Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Paty do Alferes, 1965
Virgílio Tenório Filho (Brasil)
óleo sobre tela, 30 x 50 cm
Autorretrato
Kemi Onabule (Grã Bretanha, contemporânea)
óleo sobre tela, 78 x 61cm
Leitura da tarde, 1948
Patrick Leonard (Irlanda, 1918 – 2005)
pastel, 51 x 73cm
J. G. Ferrell
J. G. Ferrell (1935 – 1979)
Fruteira,1967
J. Procópio de Moraes ( Brasil, 1929)
Óleo sobre tela, 65 x 46 cm