
Homem lendo livro para menina da fronteira, 2011
Alfredo Rodriguez (Mexico, 1954)
óleo sobre tela

Homem lendo livro para menina da fronteira, 2011
Alfredo Rodriguez (Mexico, 1954)
óleo sobre tela
Alhos
Maria Márcia Pimentel (Brasil, 1940)
óleo sobre tela, 24 x 35 cm
Paisagem Urbana em Bauru,SP
Mário Zanini (Brasil, 1907-1971)
óleo sobre tela, 36 X 45 cm
Crucificação de São Pedro, c. 1600
Michelangelo Merisi da Caravaggio (Itália, 1571 – 1610)
óleo sobre tela, 230 x 175 cm
Igreja de Santa Maria do Povo, Roma
♦ “Michelangelo Merisi dito il Caravaggio porque nascido em Caravaggio, aldeia da região Bergamasca: aos 16 anos já com a pintura no sangue transfere-se para Roma onde executará obras capitais, a vocação de Mateus na Igreja de San Luigi de Francesi, Paulo a caminho de Damasco e Pedro crucificado, em Santa Maria del Popolo.
♦ De natureza selvagem irreverente anticonformista, prestigiam-no altos senhores, altas putas, eclesiásticos. Divide-se em rixas discussões de rua taverna bordel. Desafia inimigos a duelo, fere, é ferido.
♦ Ataca a rude matéria da vida. Ajudado pela técnica do claro-escuro inventa a pintura objetiva. O povo participa da ação. Cresce o gênio do detalhe. O realismo transpõe os esquemas herdados, adianta-se em concisão e intensidade: Caravaggio fixa as coisas na sua consistência corpórea, torna polêmica a luz, que passa do elemento secundário a protagonista.
♦ É um deus, o deus Caravaggio. Entre seus numerosos descendentes, Velásquez e Rembrandt. Qual dos três o maior? Nenhum; os três são maiores.
♦ Caravaggio durante uma rixa mata à força de espada um certo Ranuncio Tommaso, que só por isto é inaugurado. Temendo a fúria pontificia foge para Malta onde o grão-mestre da ordem, Alof de Wignacourt, recebe-o em fasto e lhe empresta dois escravos para segui-lo. Futuramente aparentado a Rimbaud, apesar da glória Caravaggio permanece inadaptável, feroz, surdo ao diálogo. Tateando no claro-escuro, bêbado seminu sem flores vagueia pela Itália.
♦ Praia de Porto Ercole (Toscana). Contrai malária. Perde os papéis de identidade, a bagagem e as telas que trouxera de Malta. Tendo litigado com o grão-mestre, os esbirros deste desencadeiam a vingança. Ferido, golpeado no rosto, grita em vão por socorro. Apostrofa os cães e suas fezes. Michelangelo Merisi dito il Caravaggio, outrora chama, desespera-se de não poder pintar — escuro demais — o abismo do nada que já desvenda; e — claro de mais — o espaço da própria morte.
Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, pp. 214-215.
Paisagem, 1942
Ernesto de Fiori (Itália/Brasil, 1884 – 1945)
óleo sobre etela, 39 x 49 cm
Pintura em vermelho, 2008
Renato Meziat (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 90 × 124 cm
Morro Chapéu Mangueira, 1932
Roberto Burle Marx (Brasil, 1909 -1994)
óleo sobre tela, 54 x 65 cm.
Acho que já nos encontramos
Arne Westerman (EUA, 1927 – 2017)
acrílica sobre tela, 60 x 76 cm

Natureza morta, 1959
Atan Lisboa de Meirelles (Brasil, 1905 – ?)
óleo sobre tela, 95 x 128 cm
Hemingway in Paris, gravura de Michela Akers.
“Desceu para tomar o café da manhã no MacDonald’s. Não se achava merecedor de mais do que um suco de laranja azedo e um croissant gorduroso. Deixou de lado o saquinho de chá e bebeu a água quente. Seu vizinho de mesa, um homenzinho com um boné de golfe todo roído de traça, uma barba de quinze dias e uma camisa suja, comia batata frita e bebia um refrigerante; sua mão pairava sobre um bolo de chocolate como se o protegesse. Virgile não admitiria isso para ninguém, mas gostava de ir ao McDonald’s. Não era um local agradável ou bonito, mas sentia-se em casa ali. Se Hemingway desembarcasse em Paris nos dias de hoje, já não teria recursos para frequentar os cafés como fazia na década de 1920. O único canto onde poderia se instalar para beber um café e escrever seria o McDonald’s. Em nenhum outro lugar uma pessoa pode se refugiar no calor durante horas por uma quantia módica. Os pobres, os estudantes e o pessoal da periferia sabem muito bem disso; podem-se checar e-mails, estudar para uma prova ou para as aulas, escrever; os moradores de rua leem os jornais de distribuição gratuita e fingem beber alguma coisa de um copo que pegaram em uma bandeja. A ideia de um local de alimentação para pessoas simples fora deixada nas mãos de uma caricatura de empresa capitalista. O fast-food tornara-se o único local caloroso, vivo e popular. Era deprimente.”
Em: Talvez uma história de amor, Martin Page, tradução de Bernardo Ajzenberg, Rio de Janeiro, Editora Rocco: 2009, páginas 69-70.